Capítulo 21: "Sistema, seu cachorro!"
Chefe da aldeia?
Alice saltou da cama e soltou uma risada fria. As entidades daqui nem se davam ao trabalho de fingir direito? Em vez de se passarem por vivos, fingiam ser mortos; pareciam ansiosas para que todos soubessem que não eram humanas.
Ela caminhou até a porta e, sem dizer uma palavra, empurrou uma cadeira para travá-la. Depois, voltou para a cama e desabou no sono.
Dez da noite.
O quarto, que finalmente tivera um momento de paz, foi perturbado por novas batidas. Alice suspirou, olhando para a porta com um tédio evidente.
Isso não tem fim, não é?
— Tem alguém aí? Abra a porta... estou com tanto frio, deixe-me entrar para me aquecer... — Uma voz feminina e lamentável veio do lado de fora, soando extremamente digna de pena.
Alice rolou na cama, indiferente à coisa lá fora, e respondeu impaciente: — Vá fazer uma fogueira você mesma.
Após essa frase, o corredor mergulhou em um silêncio absoluto.
Até que é obediente!
, pensou ela. Satisfeita, Alice ajeitou o cobertor, mas ao se virar, viu uma linha de legendas vermelhas flutuando na janela:
【Regra 4: À meia-noite em ponto, os jogadores devem trancar portas e janelas. É proibido retirar o talismã pendurado atrás da porta.】
Alice sentiu um desdém profundo. Liberar a Regra 4 a essa hora não era um pouco tarde demais?! A essa altura, a maioria já estaria dormindo; exceto os inssones, quem notaria o surgimento dessa regra?
— Sistema, você é um cachorro! — ela elogiou sinceramente.
Após um tempo de sono indefinido, ela abriu os olhos bruscamente ao lembrar de algo. Verificou o horário do sistema: 23h30. Faltavam 30 minutos para a meia-noite. Hora de trabalhar!
Contra a vontade, ela moveu uma cadeira e sentou-se de frente para a porta. A visão do futuro tornou-se clara em sua mente. À meia-noite, uma névoa de sangue infiltraria pelas frestas da porta e janelas, condensando-se em uma figura pálida.
A Névoa Sinistra! Essa entidade era diferente das outras; formada por vapores intangíveis, ela penetrava em quartos sem talismãs para devorar quem estivesse na cama. Alice sorriu. E se não houvesse ninguém na cama?
Ela olhou para o leito vazio e teve uma ideia divertida. Se não havia ninguém, ela criaria alguém. Alice enrolou as cobertas no formato de um corpo humano e as cobriu cuidadosamente com o lenço. Depois, moveu sua cadeira para um canto escuro do quarto e sentou-se relaxadamente, cruzando as pernas.
Enquanto esperava, o sono começou a pesar. Alice acabou cochilando por alguns instantes, até que sons de algo rastejando — como se milhares de pés caminhassem pelo chão — a despertaram. Ela olhou para o relógio: 23h55. Cochilara por quase vinte minutos. Nos cinco minutos restantes, ela se esforçou para manter o foco total. Não queria perder o espetáculo por causa de um cochilo.
23h58. A névoa de sangue começou a infiltrar-se pelas frestas, contorcendo-se como um ser vivo ao entrar no quarto.
23h59. Alice observou a névoa rubra se condensar no centro do cômodo, esboçando uma forma humanoide. A criatura tinha membros mais longos que o normal, um crânio retorcido e nenhuma feição — apenas uma boca enorme que se rasgava até as orelhas.
"Parece o primo do Faxineiro", pensou Alice, assistindo com entusiasmo. A maior diferença era que o Faxineiro só tinha olhos, e esta criatura só tinha boca. Se aparecesse uma que só tivesse nariz, as três juntas formariam um rosto completo. Ela riu em silêncio, perdida em seus pensamentos. O Faxineiro tinha itens; será que essa névoa também tinha?
Assim que a criatura se materializou, ela olhou fixamente para a cama. Lá, o volume sob as cobertas subia e descia levemente na penumbra. A boca da entidade abriu-se ainda mais em um sorriso vitorioso. Finalmente, outro idiota que não pendurou o talismã... A Regra 4 era clara: sem talismã, sem vida. A alma desta noite seria deliciosa.
Ela flutuou em direção à cama com movimentos elegantes e cruéis. Seus dedos longos avançaram para a garganta do vulto sob as cobertas. No milésimo de segundo antes do toque, uma voz humana e animada ecoou do canto do quarto:
— Ei.
A Névoa Sinistra estacou. Lentamente, ela virou a cabeça (se é que aquilo era uma cabeça) para a origem do som. Alice estava sentada confortavelmente na cadeira, brincando com o espelho de bronze quebrado.
— Você entra sem bater? — perguntou ela, sem sequer desviar os olhos do espelho.
Névoa Sinistra: "..."
Ela... está falando comigo? Por que ela não está gritando de pavor?!
A entidade ficou estática, emitindo um som sibilante pela boca rasgada. Alice a mediu de cima a baixo e franziu a testa com desdém: — Então você é assim? Sinceramente, é meio feia. Vocês, entidades feitas de fumaça, não podem mudar o visual? Tipo, virar uma mulher bonita ou algo assim... as chances de sucesso ao devorar alguém seriam bem maiores se você usasse a sedução primeiro.
A névoa ao redor da criatura flutuou violentamente. Feia? Ela me chamou de feia?! Em vinte anos, ninguém nunca ousara chamá-la de feia. Ela era a Névoa Sinistra, a encarnação do medo, não uma candidata a miss!
— Ficou irritada? — Alice riu. Ela pegou um pedaço de madeira do chão e começou a entalhá-lo com a faca. — Vou esculpir um rosto para você. Quer ver? Acho que um nariz e olhos te deixariam mais apresentável.
Em poucos minutos, ela entalhou dois círculos tortos para os olhos e um triângulo para o nariz. Ao ver o "presente", a Névoa Sinistra recuou meio passo.
O que essa maluca está fazendo? Esculpindo rostos para monstros?
— Vem cá, experimenta. — Alice aproximou-se com a máscara de madeira. A entidade recuou por instinto e acabou batendo na parede; a névoa se dispersou e se fundiu novamente em pânico.
— Não fuja! — Alice parou a menos de meio metro e começou a testar a máscara na altura da "cabeça" da criatura. — Viu só? Não fica muito mais fofa assim?
Ela pressionou a máscara contra a névoa, mas a madeira atravessou o vapor rubro com um som surdo e caiu no chão. A entidade estava confusa; queria fugir pela fresta por onde entrou, mas, por algum motivo, sentia-se presa naquele quarto. O que essa humana fizera com o ambiente?
Alice olhou para a máscara no chão e depois para o rosto sem nada da criatura. — Ah, entendi. Você é feita de fumaça, por isso não gruda. — Ela se agachou, pegou a máscara e coçou o queixo, pensativa: — Já sei! Quando você for me devorar, pode manter esse visual? Digo, quando me arrastar para a névoa e começar a roer minha carne, use este rosto. Seria muito mais estiloso morrer assim; ser comida por um monstro de fumaça com cara de máscara de madeira... imagina que incrível contar isso depois.