Capítulo 18: O Verdadeiro Golpe Fatal
O idoso que anteriormente entregara os lenços saiu do santuário com passos vacilantes, carregando uma bandeja retangular com seis tigelas de cerâmica.
— Creio que todos vieram ao ouvir o sino — disse o vovô com um sorriso benevolente, estendendo a bandeja alegremente.
Sara perguntou, testando o terreno: — Vovô, para que serve o sino?
Pela lógica, o toque de um sino em uma aldeia significava que algo importante estava prestes a acontecer. Além disso, o comportamento bizarro dos moradores — ajoelhando-se e vigiando — faria qualquer um desconfiar.
— Devem estar com sede. Bebam um pouco de água para refrescar a garganta, e então eu lhes contarei.
Assim que ele terminou de falar, uma linha de legendas vermelho-escuras flutuou diante dos jogadores:
【Regra 3: Comida e água oferecidas pelos aldeões não podem ser recusadas.】
Diferente das duas primeiras regras, a Regra 3 informava abertamente as consequências da desobediência:
【Aqueles que recusarem terão seus quatro membros esmagados pelos aldeões.】
【Aqueles que consumirem apenas metade serão atingidos pela "Maldição Corrosora de Almas".】
Lá vinha o golpe! As Regras 1 e 2 eram apenas o aperitivo; a Regra 3 era o verdadeiro xeque-mate.
"Maldição Corrosora de Almas"? Alguém no jogo realmente lançava maldições?! Os cinco jogadores acreditaram piamente que os aldeões eram capazes disso. Desde o início, embora parecessem humanos, eles não tinham nada de normal; eram apenas monstros vestindo peles humanas para realizar atos sinistros. Esmagar membros era uma tortura cruel que aqueles moradores certamente executariam sem piedade.
Quanto à maldição... Sara não deu muita importância. Desde tempos imemoriais, feitiços eram coisa de bruxos. Aqueles eram apenas aldeões anormais, não feiticeiros; provavelmente era apenas um blefe do sistema.
— Vamos, bebam! — apressou o idoso.
O grupo se aproximou cautelosamente e viu que o que havia nas tigelas não era água. Aos olhos nus, era um líquido vermelho e viscoso que exalava um odor metálico de ferrugem, absolutamente repugnante.
Lucas abanou o nariz com a mão, enojado: — Isso parece um pouco com sangue.
Alice mordeu o lábio inferior e soltou uma risada abafada.
Tenha confiança, garoto. Não "parece". É sangue puro!
Sangue de galinha, porco, pato ou até humano — tudo era possível ali.
Marcos olhou para os outros, hesitante: — Mas a regra diz que não podemos deixar sobrar nada.
Vendo que ninguém se movia, o vovô começou a entregar pessoalmente as tigelas. Ele entregou a primeira para Alice, que estava mais à esquerda e era a mais próxima. Claramente, ele pretendia distribuir por ordem. Todos fixaram os olhos em Alice, querendo ver como ela reagiria.
Para a surpresa de todos, Alice não apenas aceitou a tigela com naturalidade, mas ainda perguntou sobre o sabor:
— Vovô, essa água... é doce ou amarga?
Vitor: "???"
Os outros: "???"
Não, peraí. É sério que ela está perguntando isso agora? Além do gosto ferroso de sangue, que outro sabor aquilo teria? O idoso não respondeu diretamente, fazendo mistério: — Visitante, por que não experimenta para descobrir?
Dito isso, ele distribuiu as tigelas para os demais. Todos encaravam o conteúdo, mas ninguém ousava levar à boca. Quem garantia que não havia veneno? Alice olhou de soslaio para os companheiros, sabendo que todos esperavam por uma "cobaia". A vida ou morte do primeiro a beber decidiria se eles teriam coragem de seguir.
— O que a gente faz? — Vitor lançou um olhar de socorro para Alice. Mentir que não estava com medo seria inútil; em um momento de vida ou morte, todos queriam se salvar.
Alice deu um passo à frente, sorriu de forma enigmática para o idoso e, ao se virar para os jogadores, sua expressão tornou-se relaxada.
— Algum de vocês trouxe água?
Pelas normas, cada jogador podia trazer um item pessoal para o jogo, desde que não fosse uma arma afiada. Ela e Vitor entraram de repente, sem preparo algum. Os outros ficaram confusos.
— Por que está perguntando isso? — Clara estranhou. O que beber o que estava na tigela tinha a ver com ter água própria?
— Apenas me respondam! — Alice não queria dar explicações.
— Eu tenho — Lucas levantou a mão honestamente e tirou uma garrafa plástica de trezentos mililitros. — Tenho uma garrafinha de água mineral, mas só resta metade.
— É o suficiente — Alice pegou a garrafa e sorriu para o vovô. — Vovô, nós trouxemos nossa própria água. Não estamos com sede.
O sorriso constante no rosto do idoso congelou. Ousavam recusar? Ele repetiu, resignado: — Visitantes, devem beber. É a regra.
Ele dissera a mesma frase no início sobre os lenços. Mas agora, Alice não estava a fim de seguir o roteiro.
— A regra diz que comida e água oferecidas pelos aldeões não podem ser recusadas e devem ser terminadas — Alice repetiu cada palavra com um sorriso. Os outros não entendiam onde ela queria chegar, mas sentiam que a água do velho não era obrigatória. — Mas a regra não diz que não podemos beber nossa própria água primeiro. Se ficarmos cheios e depois não conseguirmos beber a sua, tudo bem, certo?
Vovô: "..."
Algo está errado! Essa garota é diferente dos outros.
Diante dos olhos de Alice, a visão da
Precognição
começou a se fragmentar. Ela viu os aldeões enfurecidos tentando forçar a bebida goela abaixo... e depois, por algum motivo, eles simplesmente desistiam e iam embora. A imagem final mostrava os aldeões parados, olhando uns para os outros como se o sistema tivesse entrado em colapso (lag).
Alice curvou os lábios, abriu a garrafa de água mineral e deu dois ou três goles grandes. Em seguida, devolveu a garrafa para Lucas e limpou o excesso de água no canto da boca.
— Agora estou cheia. Não cabe mais a sua água. De acordo com a regra, quem recusa tem os membros esmagados, mas a regra não diz o que acontece se alguém recusar por estar satisfeito.
O canto da boca do idoso tremeu. Seu rosto enrugado mostrava uma confusão genuína.
Como eu vou saber o que fazer?!
Os aldeões parados atrás dele fecharam os punhos discretamente. Para ser honesto, era a primeira vez que viam uma situação como a descrita por Alice. O vovô ficou sem resposta.
Alice, fingindo ser prestativa, deu uma sugestão: — Talvez o senhor possa esperar eu fazer a digestão. Mas isso leva tempo. Falta menos de uma hora para escurecer; quando eu terminar de digerir, talvez o seu turno já tenha acabado.
— Turno... acabado? — A confusão do idoso aumentou. Ele não parecia entender o termo.
— O período de caça, ora. Termina às sete — Alice olhou para o horário do sistema com naturalidade. — Agora são seis e dez. O senhor tem pouco mais de meia hora. Quer ficar esperando aqui até eu fazer a digestão?
— Isso... — O vovô gaguejou, tentando formular uma frase.
No entanto, Alice não lhe deu chance. Ela coçou o queixo, pensativa: — Mas calculo que vai levar umas duas horas. A essa altura, o senhor não será mais um "aldeão em período de caça" e não terá mais autoridade para nos obrigar a beber nada.