Capítulo 13: A Vassoura Desprezada
"Mexe logo, pelo amor de Deus!"
Vitor gemia mentalmente, usando toda a força de seus pulmões e músculos, mas não conseguia mover Alice nem um milímetro.
Droga!
Quando foi que ela ficou tão pesada?
O que ele não sabia era que, ao ativar sua
Precognição
, o corpo de Alice raramente se tornava pesado como uma rocha imensa, ancorando-se ao chão de forma absoluta. Era um fenômeno raro: em cada dez visões, ocorria apenas uma vez — ou até nenhuma.
As entidades se aproximavam cada vez mais. Com rostos retorcidos e garras erguidas, par de asas marrons grotescas brotaram de suas costas, cobertas por manchas coloridas e assimétricas. Elas avançaram em um mergulho feroz. No futuro imediato, as criaturas decepariam as cabeças de ambos, arremessando-as para longe como se fossem lixo, antes de começarem a banquetear-se com os corpos calmamente.
No momento crítico, Alice despertou bruscamente. A primeira imagem que viu foi Vitor com os braços abertos, servindo de escudo humano à sua frente. Ela entendeu instantaneamente que o que vira estava prestes a acontecer.
Em outras épocas, Alice talvez deixasse o destino seguir seu curso. Mas agora era diferente: ela podia ressuscitar, mas se Vitor fosse morto, seria o fim definitivo para ele. Ela precisava mudar o roteiro!
O que Alice não entendia era por que as entidades desprezavam tanto suas cabeças. Não bastava arremessá-las; elas faziam questão de chutá-las para longe, como se estivessem esfregando a dignidade deles no chão.
Vitor, com as pernas tremendo como vara verde, rangeu os dentes: — Venham para cima de mim se tiverem coragem!
Alice ficou surpresa. A piada que fizeram antes de entrar no jogo... ele realmente estava cumprindo a promessa.
— Pare de ficar aí parado feito uma estátua.
A voz vinda de trás o fez pular de susto. Ao ver que Alice recuperara a consciência, Vitor sentiu uma onda de alívio.
— Você finalmente acordou! Vamos correr agora!
Vitor agarrou a mão de Alice para fugir. Era o momento perfeito para a retirada. No entanto, Alice soltou sua mão com firmeza. A mensagem era clara: ela não pretendia fugir. Nem iria.
Ela ergueu a vassoura que trazia consigo: — Não conseguiremos escapar correndo.
— Por quê?
— Porque isto é uma ilusão.
Entidades podiam criar ambientes ilusórios e matar dentro deles. Se não destruíssem essa farsa, qualquer direção seria um beco sem saída.
Vitor olhou para a vassoura e depois para as três entidades. O medo que sentia evaporou, sendo substituído por uma empolgação súbita.
— Que excelente notícia!
Alice: "?"
Para você, ver entidades é algo bom? Percebendo o olhar confuso dela, Vitor rapidamente escondeu sua empolgação e fingiu recuperar a expressão de pavor.
— O que eu quis dizer é que... que azar o nosso cair em uma ilusão logo de cara!
Alice não perdeu tempo. Ela agitou a vassoura, mas o efeito de queimadura nas criaturas foi quase imperceptível. Não funcionou? Impossível, um item de nível 3 não seria tão inútil. Então, ela decidiu arriscar e testar o terceiro efeito da vassoura.
Vitor finalmente teve um estalo: então o item que o grupo dizia que Alice "roubara" era aquela vassoura.
— Por que você não roubou um item melhor? Para que serve isso?
Ele achou que, após tanto esforço para conseguir um item, seria algo imponente. Jamais imaginou que seria material de limpeza.
— Se serve ou não, você verá em um instante.
Alice observou que as três entidades caminhavam lado a lado, em perfeita sincronia, até no ritmo dos passos.
Entidades siamesas?
Se fosse o caso, seria interessante. Ela sorriu de forma sinistra.
— Não sorria assim, você me assusta — confessou Vitor. Ele já não sabia quem era mais assustador ali: os monstros ou a Alice.
— Se está com medo, fique perto.
— ??? — Não deveria ser "fique longe"?
Mesmo assim, Vitor manteve a postura: — Eu disse que ia te proteger.
Alice o ignorou. Ajustou a vassoura em uma posição ideal e, no momento em que as três entidades saltaram, ela girou em 360 graus. A palha da vassoura atingiu certeiramente o centro dos corpos das criaturas.
Escondido atrás dela, Vitor espiou cautelosamente e deu de cara com os olhos do monstro. Ele sussurrou: — Morreram?
— Claro que... não...
A entidade ergueu suas garras afiadas novamente.
— Não me matem! Não me matem!
De repente, Vitor sentiu algo tocar seu ombro. Tomado de coragem, ele abriu os olhos e viu uma mão longa e vermelha o cutucando.
— Que horror! — Vitor sentiu as forças sumirem e desabou no chão, desmaiado.
Alice estava parada em uma estrada de aldeia pavimentada com pedras azuis. Atrás dela, estavam outros quatro jogadores. Eles encaravam o corpo inerte de Vitor, sem saber o que fazer.
— Devemos... acordá-lo? O chão parece bem frio — sussurrou uma garota de cabelos longos e ruivos, com um ar inocente.
Em seguida, ela retirou da manga algo que parecia uma mão humana, mas que na verdade era uma pimenta gigante e bizarra. Ela só queria dar um sustinho em Vitor, mas não esperava que ele fosse apagar.
Ao ouvir o comentário sobre o chão frio, Alice soltou uma risada.
Que atenciosa.
— Deixem ele — Alice brincou. — Quando uma entidade de verdade aparecer, ele acorda sozinho.
Os outros: "???"
Como ele saberia da entidade estando desmaiado? Eles não entenderam, mas Vitor, no chão, deu um salto instantâneo e ficou de pé.
— Você... não tinha desmaiado? — a garota perguntou, gaguejando.
— Hein? — Vitor coçou a cabeça. — Eu desmaiei, sim! Mas acabei de acordar.
Alice percebeu a mentira ridícula na hora, mas não disse nada. Vitor olhou ao redor e viu que a névoa persistia. Ao analisar os outros quatro jogadores, o rosto de três deles coincidia perfeitamente com as entidades da ilusão. Eram idênticos.
Ele rapidamente se posicionou atrás de Alice e sussurrou: — Eles são humanos ou monstros? Ainda estamos na ilusão?
Ele lembrava que, quando Alice atingiu as entidades, ela dissera que elas não haviam morrido. Se fosse assim, aquelas pessoas à frente seriam...
— Já saímos da ilusão — Alice explicou no mesmo tom baixo.
— O quê?
— A vassoura que você tanto desprezou, ao atingir os três, nos transportou em segurança para fora da ilusão.
Ao tocar as entidades, o terceiro efeito da vassoura foi ativado, enviando-os para um local seguro. No entanto, como Vitor estava em choque emocional, sua consciência demorou mais a voltar. Alice, já desperta, vira a garota ruiva tentando assustá-lo com a "mão de pimenta" e, quando Vitor virou o rosto, já era tarde demais para evitar o sustinho.