《A Sobrevivente Imortal: Jogando no Modo Deus》Capítulo 1

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— Que tédio, você morre fácil demais.

No beco profundo, à meia-noite, ecoava a risada baixa de um homem. Vestido inteiramente de preto, ele brincava com uma lâmina manchada de sangue entre os dedos. A seus pés, jazia o corpo de uma mulher. Sua face era de um pálido cadavérico, e o corte em seu abdômen expunha a carne e os órgãos, enquanto o sangue tingia a água acumulada no chão de um vermelho vivo.

Justo quando Franco limpava o sangue da faca, preparando-se para buscar sua próxima vítima, Alice, caída ao chão, esboçou um sorriso frio e indiferente. Aquele olhar parecia dizer claramente: “Você não é grande coisa”.

Ela estava zombando abertamente de um assassino.

Franco franziu a testa. Mesmo à beira da morte, ela ainda ousava ser tão arrogante? Ele aceitava ser insultado, mas jamais suportaria ser ridicularizado. A faca de cozinha foi erguida e, sem piedade, cravada no coração de Alice, eliminando qualquer chance de sobrevivência.

— Quero ver se você ainda vai rir agora.

Mesmo que fosse pego, levar alguém com ele já valeria a pena. Um sorriso distorcido surgiu no rosto de Franco enquanto ele observava Alice fechar os olhos lentamente em meio à poça de sangue, perdendo o fôlego como um peixe fora d'água. Ainda assim, por precaução, ele desferiu vários chutes violentos na perna dela. Somente após confirmar que não havia mais respiração, ele se virou para partir, aliviado.

Ele não percebeu que, naquele exato momento, os dedos de Alice se moveram. O corte em seu abdômen estava fechando em uma velocidade espantosa; vasos sanguíneos rompidos se reconectavam freneticamente e o sangramento estancava.

Alice já estava acostumada com aquela dor dormente e incômoda. Ela abriu as pálpebras e levantou-se devagar.

— Um assassino, é? Parece que sua técnica não é tão boa assim — debochou Alice.

Ao ouvir a voz, Franco virou-se bruscamente. Ele encarava, incrédulo, a mulher que ele mesmo havia matado e que agora retornava dos mortos.

— Você... você não morreu?

A expressão de Franco era de puro terror. A cena bizarra fazia seu corpo tremer descontroladamente. Alice inclinou o pescoço para os lados, estalando as vértebras, e girou os pulsos. Ela olhava para o homem aterrorizado com uma calma que não parecia humana.

— Se eu estivesse morta, como poderia te pegar?

O poder de "Precognição" permitia que ela visse eventos futuros desde os dez anos de idade. Desta vez não foi diferente. Um dia antes, Alice previra que seria brutalmente assassinada por um criminoso impiedoso neste beco deserto. O motivo era simples: ela estava sozinha, um alvo fácil.

Ela poderia ter evitado o caminho, mas ao perceber que o agressor era um assassino foragido, mudou de ideia instantaneamente. O mundo fora invadido pelo bizarro há anos; ao atingir a maioridade, era inevitável ser escolhido para o jogo. Os pais de Alice e todos os seus parentes haviam perecido no jogo pelas mãos de entidades sinistras. Além disso, hoje era seu aniversário de dezoito anos e, logo cedo, ela recebera o convite do sistema.

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Sendo assim, por que não fazer uma boa ação antes de entrar? Talvez até ganhasse uma recompensa por bravura. Era o plano perfeito.

— Você não é humana! — exclamou Franco. Suas pernas tentaram recuar, mas pareciam pesadas como chumbo. Maldito! Ele percebeu tarde demais que havia provocado alguém que não deveria.

Alice soltou uma risada curta, sem negar a acusação.

— Eu nunca disse que era humana.

Como uma pessoa normal poderia ressuscitar? O "Corpo Imortal" era um brinde que acompanhava sua "Precognição", e cada ativação envolvia agonia, morte e renascimento, em um ciclo eterno. Mesmo voltando à vida, a dor permanecia real.

Sem perder tempo, Alice ergueu o pé e desferiu vários chutes exatamente onde Franco a havia atingido antes. Olho por olho, dente por dente. Gritos de dor ecoaram e Franco caiu pesadamente, perdendo um dente da frente no impacto.

— Por favor, me poupe!

— Te poupar? Para você continuar matando? — Alice chutou-o novamente com força. — Não pense que, por ser uma garota, sou um alvo indefeso. Algumas de nós não aceitam desaforo.

...

Dez minutos depois.

As sirenes da polícia ecoaram na entrada do beco, e as luzes vermelhas e azuis rasgaram a cortina de chuva. Quando o Capitão Santos e sua equipe invadiram o local, depararam-se com Alice: coberta de sangue, mas sem um único arranhão. Ela estava com o pé sobre Franco, que gemia de dor no chão úmido. A faca ensanguentada estava caída ao lado do pulso do criminoso.

O capitão hesitou por um segundo, sem acreditar que aquela jovem, meia cabeça mais baixa que o bandido, pudera imobilizar um assassino tão perigoso sozinha. Alice olhou para a luz na entrada do beco e entregou o homem aos oficiais.

— Muito obrigado, jovem — disse o Capitão Santos, sorrindo.

— Foi apenas um favor — respondeu ela, com indiferença.

O capitão notou o estado das roupas dela.

— E esse sangue todo?

— Eu me cortei sem querer na mão enquanto lutava com ele.

— Não é grave?

Ela balançou a cabeça negativamente. Em seguida, olhou para o relógio.

— Preciso entrar no jogo agora. Com licença.

O capitão ficou surpreso. Ela parecia tão jovem, mas já havia atingido a maioridade.

— Desejo que você volte em segurança. Afinal, a recompensa por bravura estará esperando por você.

Alice não disse mais nada e caminhou em direção à sua casa sem olhar para trás.

Ao chegar em casa e abrir a porta, a visão que teve não foi a de seus móveis familiares, mas de rostos desconhecidos. Quando Alice despertou totalmente, quatro jogadores estavam debruçados sobre uma mesa, como se estivessem dormindo.

"Então este é o jogo?", pensou ela, observando o ambiente. Estavam cercados por infinitas fileiras de estantes repletas de livros de todos os tipos. Era literalmente um oceano de conhecimento.

O que Alice achou estranho foi que, embora houvesse seis lugares à mesa, contando com ela, havia apenas cinco pessoas. Um jogador estava faltando. Para onde ele foi? Se não estivesse enganada, a pessoa que desapareceu deve ter sido a primeira a acordar.

Ela se levantou e caminhou em direção às estantes, pretendendo usar sua experiência em jogos para procurar por itens ou pistas. Talvez encontrasse algo útil.

Nesse momento, os outros três jogadores acordaram. Ao abrirem os olhos, suas expressões tornaram-se de puro pavor; eles cobriram as bocas para não emitir o menor som. Diante deles, os livros sobre a mesa haviam criado pernas e lábios, e agora caminhavam e murmuravam de um lado para o outro. Livros que andam e falam não eram o que mais os assustava — no contexto do jogo, o bizarro era a regra. O medo era que aqueles livros fossem encarnações do mal. Sem entender a situação, a única opção era o silêncio e tentar se afastar da mesa.

— Logo agora que eu não queria entrar no jogo...

Antes que pudesse terminar a frase, um homem robusto que acabara de despertar notou os outros três olhando para ele com profunda piedade.

"Você está ferrado", diziam aqueles olhares.

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