Ele disse:
— Yasmin, eu gosto de você. Posso te conquistar?
Estranhamente, ao ouvir aquelas palavras, Yasmin não se sentiu surpresa. Parecia que a ligação matinal e o buquê de flores lá embaixo já haviam antecipado, através de ações, o que ele diria agora.
Mais do que surpresa, o que ela sentiu foi uma sensação de "então era isso"; toda a inquietude que sentira no caminho finalmente obteve uma resposta.
O homem à sua frente ergueu o olhar e a observou em silêncio, sem pressioná-la, com uma expressão serena. Era como se ele estivesse dizendo que não haveria problema algum se ela recusasse, e que ela não precisava deixar que os sentimentos de outra pessoa influenciassem seu próprio julgamento.
O coração de Yasmin subitamente se acalmou.
Na verdade, pensando bem, ela e Arthur se conheciam há menos de uma semana e tinham se visto apenas quatro vezes no total. Se qualquer outro rapaz que ela tivesse visto apenas quatro vezes começasse a persegui-la, ela certamente o desdenharia. O quão irresponsável alguém teria que ser com os próprios sentimentos para decidir, com base em apenas quatro encontros, que passaria o resto da vida com alguém?
Mas, diante dele, todos esses questionamentos simplesmente não conseguiam sair de sua boca.
Sem uma razão lógica, ela sentia por instinto que eles não se conheciam há apenas quatro vezes. Quando ele apareceu diante dela segurando seus lírios cor-de-rosa favoritos, ela soube: ele certamente tinha atravessado ventos e tempestades para chegar até ela, querendo lhe oferecer um futuro brilhante e radiante.
— Eu... — Yasmin abriu a boca. Ela não aceitou nem recusou, apenas perguntou: — Nós já nos vimos antes?
O homem à sua frente endireitou o corpo discretamente. — Por que pergunta isso?
— Não sei... — Yasmin balançou a cabeça, confusa. — Eu apenas sinto que somos muito próximos, mas não consigo encontrar provas de termos convivido.
Ao vê-la assim, Arthur sorriu. — Talvez fôssemos um casal na vida passada. Na hora de reencarnar, devemos ter tomado um gole a menos da poção do esquecimento e não esquecemos tudo. Por isso, nesta vida, viemos continuar nossa história.
Yasmin: “...”
Arthur aproveitou a oportunidade: — Já que é para continuar nossa história, você não gostaria de considerar aceitar o meu pedido?
Yasmin apenas disse: — Vou pensar um pouco.
Arthur não perguntou o porquê. Afinal, para ele, o fato de Yasmin — mesmo sem as memórias — concordar em "pensar um pouco" já era maravilhoso o suficiente.
Para falar a verdade, no momento em que ele falou, Yasmin teve muita vontade de aceitar. Mas, mudando de ideia, ela pensou:
se eu aceitar tão rápido, não vai parecer que sou fácil demais de conquistar?
Não dizem que as pessoas não dão valor ao que conseguem com facilidade? Ela precisava fazer com que não parecesse tão simples assim.
Os dias foram passando, e Yasmin levou sua "reserva" até o fim.
Ela deixou Arthur "de molho" por alguns dias e, sentindo que o tempo já era suficiente e temendo que o homem desistisse se ela demorasse mais, planejou encontrar um dia para conversar seriamente com ele.
Mas, antes que pudesse procurá-lo, ela mesma teve um sonho.
Diferente dos sonhos confusos e inebriantes de antes, este foi muito normal, quase cotidiano.
No sonho, o tempo era similar ao do mundo real. Já era final de outono, as folhas secas se acumulavam em camadas, o céu estava limpo e sem nuvens, e os galhos nus das árvores apontavam para o firmamento sob um sol distante.
Deveria ser uma estação fria, mas ela estava devidamente agasalhada e protegida; atrás dela havia um peito largo e generoso, e todo o vento frio era barrado por ele. A mão grande do homem repousava em sua cintura, e a mão dela estava sobre a dele, acariciando-a inconscientemente, como se quisesse transformar aquela sarda marrom em um sinal de cinábrio vermelho.
O sol da tarde estava quente, então ela ergueu a cabeça e trocou um beijo suave com o homem.
Desta vez, ela finalmente viu o rosto dele com clareza.
Eles estavam com as testas coladas, as pontas dos narizes se tocando. Ela media cada centímetro do contorno dele com o olhar; as respirações se entrelaçavam, e ela se perdia naqueles olhos de fênix reluzentes.
Ela ouviu a própria voz perguntar:
— Arthur, o que faremos se, ao sairmos daqui, esquecermos um do outro?
Uma folha seca flutuou lentamente diante de seus olhos. Ela estendeu a mão para pegá-la, como se capturasse toda a solidão do outono.
O homem envolveu a mão dela com a dele e, num lampejo, o esplendor do alto verão pareceu atingi-la.
— Não importa. Esquecendo ou não, eu acabarei me apaixonando por você de novo no final.
Yasmin sorriu.
— Mas, se um de nós esquecer, a pessoa que lembrar não vai sofrer demais?
— Se for assim, espero que aquele que lembre seja eu.
— Nesse caso, eu quero te conquistar mais uma vez. Só espero que, quando chegar a hora, você não aceite tão rápido.
— Por quê?
— Porque eu quero que os outros saibam que você é alguém que eu conquistei com muito, muito esforço.
— Então lembre-se de que, quando chegar a hora, você precisa me dar lírios cor-de-rosa.
— Por quê?
— Porque, assim que eu os vir, saberei que é você que veio me buscar...
— ...
Quando ela acordou, a luz do sol estava perfeita. Dois passarinhos pousaram no parapeito da janela, piando alegremente.
Yasmin saiu da cama, pegou um punhado de arroz e jogou no parapeito para os pássaros. Lá embaixo, ela viu o carro preto estacionado.
O homem ainda vestia um terno preto, parecendo ter acabado de sair de alguma reunião importante. Os lírios cor-de-rosa em suas mãos estavam em plena floração. Ele segurava o buquê, parado de forma imponente à beira da calçada, atraindo os olhares de quem passava, mas ele não se importava; apenas erguia o olhar ocasionalmente para a janela onde ela morava.
...
"Então lembre-se de que, quando chegar a hora, você precisa me dar lírios cor-de-rosa."
"Por quê?"
"Porque, assim que eu os vir, saberei que é você que veio me buscar..."
...
Yasmin vasculhou o armário e pegou o vestido que comprara para a formatura no ano anterior. Era vermelho, como uma labareda ardente.
Ela se maquiou e, após terminar tudo, cerca de uma hora depois, olhou pela janela. Arthur ainda mantinha a mesma posição, segurando o celular, provavelmente falando com alguém.
Yasmin segurou a maçaneta da porta, respirou fundo e a abriu.
Arthur estava ao telefone com seu assistente, tratando de assuntos de trabalho.
O sol do outono, após algum tempo, começava a deixar sua cabeça levemente zonza. Ele mudou de posição, deu as últimas instruções e desligou. Então, olhou para a janela; lá, os dois passarinhos já tinham comido até ficar com a barriga redonda e voaram para longe.
Seu olhar seguiu o rastro do voo dos pássaros, perdendo-se no céu alto e distante.
De repente, seu coração deu um salto sem motivo aparente. Ele prendeu a respiração, concentrou-se e fixou o olhar na saída da escada.
Em seu íntimo, Yasmin era como uma rosa vermelha exuberante; parecia precisar de cuidados minuciosos, mas o vento e a chuva só a faziam florescer com mais brilho. Ela era livre, desimpedida, radiante, magnífica e vibrante ao vento...
Por isso, o vermelho combinava tanto com ela. Um vermelho ardente como o fogo, florescendo esplendidamente em seu coração.
Mas agora, aquela chama de seu coração — aquela labareda ardente e chamativa — estava correndo para os seus braços sob as árvores secas, em meio às folhas sopradas pelo vento forte, naquele outono solitário, em uma manhã comum.
Um avião traçou uma longa linha branca no céu acima deles, deixando uma cicatriz no azul infinito. Sob aquela marca, ele abraçou sua rosa.
A rosa que florescia apenas para ele.
Na verdade, aquele sonho ainda tinha uma parte final:
"Se eu me lembrar de você, irei te procurar usando o meu vestido vermelho favorito."
"Se você o vir, será a minha forma de te dizer—"
"Eu voltei."
Yasmin o abraçava com força. Os lírios caíram no chão, mas ninguém se importou.
— Eu voltei
— disse ela.