Yasmin sentou-se bruscamente na cama do hospital.
Ela piscou os olhos, confusa. A luz forte do sol da manhã atravessava o vidro da janela, tão brilhante que a impedia de abrir os olhos totalmente.
Baque—
Não muito longe dali, veio o som de algo caindo no chão. Ela virou a cabeça e, antes de conseguir identificar quem era, foi abraçada com força. Lágrimas quentes caíram em sua nuca, refletindo o estado emocional da pessoa que a segurava: uma mistura de alegria e sofrimento.
A pessoa a segurou pelos ombros e ergueu o rosto para olhá-la, revelando uma face que Yasmin conhecia perfeitamente bem.
De repente, Yasmin sentiu um nó na garganta. Ela abriu a boca, mas como não falava há muito tempo, sua voz saiu extremamente rouca.
— Mãe...
Dona Sônia segurou o rosto dela, olhando repetidamente. — Você acordou? Você acordou de verdade!
Ela limpou as lágrimas e saiu correndo para chamar o médico.
Yasmin observou o vulto da mãe desaparecer, baixou os olhos e abriu as palmas das mãos. Tentou flexionar os dedos; as articulações pareciam peças de metal enferrujadas e, só depois de várias tentativas, conseguiu movê-los minimamente. Ela olhou pela janela; um novo sol subia lentamente e a luz em seu rosto era quente e acolhedora.
Parecia que...
Banhada pelo sol, a expressão de Yasmin era de certa perplexidade.
Ela parecia ter esquecido algo.
O médico chegou rápido, e Yasmin foi submetida a uma bateria confusa de exames. Como uma cobaia, ela passou de um procedimento para outro, e só quando terminou é que conseguiu segurar a mão da mãe.
— Eu só sofri um acidente de carro, por que todo esse alvoroço?
— Acidente? — Sônia lançou-lhe um olhar severo. — Sua menina teimosa, você ficou em coma por mais de um mês! Achei que eu ia ter que enterrar minha própria filha.
— Mais de um mês? — Yasmin exclamou surpresa. — Como assim? Eu não sofri o acidente hoje de manhã?
Sônia entregou o celular para ela. — Veja você mesma.
Yasmin abriu o aparelho e viu a data: de fato, já havia se passado mais de um mês.
Ela ficou atônita. — Como pode ter passado um mês? Eu não tenho lembrança nenhuma! E eu lembro que a batida nem foi tão grave assim.
Ela só lembrava de ter dado uma olhada rápida no outro carro e percebido que era um modelo que ela não teria dinheiro para comprar nem em mil vidas; ela só conseguia pensar no valor da indenização.
Sônia, vendo o estado da filha, não quis dar bronca. Suspirou e a levou de volta para descansar no quarto.
— É tudo muito estranho. O rapaz em quem você bateu também desmaiou. Não só isso, o cachorro que você salvou também entrou em coma. O pior é que os médicos não achavam nenhum problema grave, já que vocês dois só tinham ferimentos superficiais. Parecia até coisa de outro mundo.
— Ah... já que você acordou, vou perguntar daqui a pouco se o rapaz também despertou. Afinal, foi você quem bateu nele; se ele não acordar, vai ser um peso terrível na nossa consciência.
Ao ouvir isso, Yasmin sentiu uma tensão inexplicável. — Então vá perguntar logo.
— Qual é a pressa? — Sônia a repreendeu com o olhar. — Eles são ricos, tem gente cuidando dele o dia todo. Cuide de si primeiro.
Ela forçou Yasmin a deitar na cama. — Vou buscar algo para você comer. Fique aqui quietinha e não se mexa. Liguei para a Gabi e ela já está vindo. Se precisar de algo, aperte a campainha para chamar a enfermeira.
Yasmin ficou deitada por um tempo, mas não aguentou. Sorrateiramente, ela se levantou e desceu da cama.
Depois de tantos dias em coma, dizer que não estava fraca seria mentira. Ela estava visivelmente mais magra, o pijama do hospital ficava folgado em seu corpo e seu rosto estava pálido e debilitado, como se pudesse cair com qualquer sopro de vento.
Apoiando-se na parede, ela caminhou lentamente até o balcão da recepção, onde uma enfermeira de plantão estava sentada. Yasmin limpou a garganta; sua voz saiu fraca e sem fôlego.
— Olá... gostaria de perguntar se há um rapaz que ficou em coma por um mês e ainda não acordou?
A enfermeira ergueu os olhos, mediu Yasmin por alguns instantes e sorriu com compreensão. — Você é a Yasmin do leito 305, certo? A que entrou em coma junto com aquele rapaz no acidente.
Yasmin sorriu levemente. — Sim. Poderia me dizer em qual quarto ele está?
Normalmente, enfermeiras não podem divulgar informações privadas, mas como os pais de ambos haviam mantido contato ocasional durante o coma, não havia necessidade de esconder.
— Ele está na suíte VIP da cobertura. Vocês dois entrarem em coma no mesmo dia e acordarem no mesmo dia... é quase um milagre médico.
— Quer dizer que... ele também acordou?
— Acordou agora pouco, algumas horas depois de você.
Yasmin agradeceu e foi sozinha até a suíte VIP no último andar.
O andar estava silencioso e vazio, por isso o quarto de porta aberta e com barulho de conversa se destacava.
Yasmin encostou-se no batente da porta e, sem fazer barulho, espiou para dentro.
Havia um grupo de pessoas lá, e no centro da cama, como uma estrela cercada por satélites, estava sentado um homem.
O cabelo dele crescera um pouco, cobrindo parte dos olhos e revelando apenas um perfil de rosto lindamente esculpido, com um brilho pálido e frio. Ele também emagrecera; o pijama de hospital parecia grande demais para ele. Ele estava com a cabeça levemente baixa, e seu pescoço longo desenhava uma curva bonita que desaparecia na gola da roupa, conectando-se a costas largas.
Yasmin tocou o batente da porta e, ao vê-lo assim, sentiu um alívio silencioso por algum motivo.
Pelo canto do olho, ela viu seu próprio reflexo na porta de vidro: cabelo desgrenhado, rosto pálido... parecia a Samara saindo da televisão.
Ela olhou de novo para o gato lá dentro. A mulher à frente dele disse algo, e ele ergueu os olhos para encará-la; seus olhos de fênix eram sombrios e profundos, e os lábios finos estavam comprimidos em uma linha fria.
Realmente, comparações são odiosas.
Vendo que ele estava bem, Yasmin voltou lentamente para o seu quarto. Ela tinha a intenção de falar com aquele "alvo da indenização", mas ao pensar na própria aparência, decidiu que deveria, no mínimo, lavar o rosto e pentear o cabelo primeiro.
O motivo era simples: ela tinha amor-próprio.
O que ela não sabia era que, logo após sua partida, o homem sentado na cama olhou para a porta como se sentisse algo.
Alice Magalhães seguiu o olhar dele, mas o corredor estava vazio.
— O que você está olhando?
Arthur não disse nada. Ele afastou o cobertor, desceu da cama e caminhou tropeçando em direção à porta. Ele era alto, de pernas e braços longos; embora seus passos fossem fracos, sua passada era grande e, em poucos movimentos, ele chegou à entrada.
Alice, assustada com a atitude súbita, correu atrás dele.
O homem ficou ali, apoiado na porta. Seu olhar percorreu o corredor vazio repetidas vezes; o vento que soprava da janela ao fundo parecia espalhar seus pensamentos ao léu.
Alice o amparou: — O que deu em você, meu filho? Por que saiu correndo assim? Não tem nada no corredor.
Arthur apertou o batente da porta e perguntou: — Você disse que a garota que bateu no meu carro também acordou?
Alice estava focada apenas no estado dele. — Sim, ouvi dizer que acordou. Ela despertou poucas horas antes de você. Veja só: desmaiaram juntos e acordaram juntos, parece até coisa de feitiço.
— Então eu...
Arthur abriu a boca; ele queria perguntar se poderia ir vê-la. Mas as palavras morreram em sua garganta ao ver seu reflexo na porta de vidro.
Rosto pálido, fraco, cabelo escondendo o semblante e um olhar carregado de uma melancolia que não se dissipava.
Ele perdeu as forças subitamente.
— Esqueça... — disse ele. — Vamos voltar.
Yasmin foi interceptada por Gabi assim que saiu do elevador. No momento em que Gabi viu o rosto de Yasmin, seus olhos ficaram marejados.
— Yasmin, você está louca? Acabou de acordar e já sai correndo! Eu vim para cá desesperada e quase chorei quando não te vi no quarto. Se a enfermeira não tivesse dito que você foi para a cobertura, eu teria chamado a polícia!
Depois da caminhada, Yasmin estava exausta. Ela se apoiou no ombro de Gabi para se confortar. — Calma, calma... desculpe, eu errei. Achei que daria tempo de voltar antes de você chegar, por isso não avisei.
O problema foi que seu corpo não colaborou; aquele vai e vem a deixou esgotada por mais de dez minutos.
Gabi a ajudou a voltar para o quarto e, assim que a porta se fechou, ela não aguentou mais e abraçou Yasmin, chorando descontroladamente.
—
Buaaa...
você tem ideia do quanto eu fiquei preocupada? Eu estava com tanto medo de você não acordar! Tínhamos combinado de comer hot pot quando eu voltasse. E você... sofrer um acidente é uma coisa, mas ficar em coma desse jeito?
Yasmin deu tapinhas nas costas dela para acalmá-la. — Não chore, eu já acordei. Vaso ruim não quebra fácil, eu ia acordar de um jeito ou de outro.
Gabi se afastou e segurou o rosto de Yasmin, olhando para todos os lados. — Como você se sente? Sente algum desconforto ou dor em algum lugar?
Yasmin tirou as mãos dela gentilmente. — Estou ótima, nada de errado. Só me sinto fraca por ter ficado deitada tanto tempo.
Vendo que ela estava realmente bem, o coração de Gabi finalmente se acalmou. Ela pegou um lenço para enxugar as lágrimas. — Mas me diga: por que diabos você foi para a cobertura logo após acordar?
Yasmin tossiu, sentindo-se um pouco culpada.
— Tédio... só fui dar uma voltinha...
— Rá! — Gabi soltou uma risada fria. — Eu te conheço. Não tem nada para ver na cobertura. Você foi ver o bonitão em quem você bateu, não foi?
Ouvir aquilo...
Yasmin tentou se defender: — Eu bati no carro do cara, é justo e educado ir ver como ele está, não acha?
— É mesmo? — disse Gabi. — Ver por ver, por que suas orelhas estão vermelhas?
Yasmin tocou as orelhas; estavam fervendo.
Sob o olhar de deboche da amiga, Yasmin explodiu de vergonha: — Gabi!
— Tá bom, tá bom... não vou te zoar. — Ela se aproximou de Yasmin. — Pelo visto, você viu o gato. E então, ele é muito gato?
Yasmin pensou naquela "estrela" cercada por pessoas e assentiu discretamente.
— Mas eu te dou um conselho: tire o cavalinho da chuva. Um cara como ele não é para o seu bico.
Yasmin ficou ofendida. — Por que não seria para o meu bico?
Gabi serviu um copo de água quente e entregou a ela. — Você sabe quem ele é?
Yasmin tomou um gole. — Quem?
— Arthur Magalhães, filho do magnata Ricardo Magalhães. Ele é o novo vice-presidente da
Huaiyuan
, conhecido como o "Olhos de Águia" do mundo dos investimentos. A estratégia e a visão dele não parecem em nada com as de um jovem de vinte e poucos anos. Ele estava morando no exterior e voltou para o país há apenas um mês.
— Antes de ele voltar, meu irmão se reuniu com ele. Não sei como ele o convenceu, mas o primeiro projeto que ele aceitou negociar ao voltar foi o novo projeto da empresa do meu irmão — ou seja, o projeto em que o seu departamento trabalha.
Yasmin sentiu um pressentimento terrível.
— Então, por causa dele, meu irmão reservou um dia inteiro e marcou uma reunião para o domingo, às oito e meia da manhã. Para essa reunião, lembro que o pessoal técnico do seu departamento fez hora extra por um mês inteiro.
Yasmin, tremendo: — E... e o que aconteceu?
— E então... — Gabi suspirou. — Em uma manhã ensolarada, a estagiária técnica novata do departamento de P&D, dirigindo seu Volkswagen de segunda mão, deu um
BUM
e atropelou o futuro "ganha-pão" de toda a equipe, deixando o cara em coma no hospital por um mês.
Yasmin: “...”
A água que estava na boca de Yasmin saiu em um jato.
Socorro! O destino quer acabar comigo!