Cidade C, hospital...
Alice Magalhães esperou do lado de fora por um longo tempo até que o médico finalmente saísse. Ela disparou em sua direção, passando pelo doutor para lançar um olhar distante para o quarto do hospital.
— Como está o Arthur?
O médico também olhou para o jovem que dormia profundamente na cama.
— Continua na mesma. Todas as funções biológicas estão saudáveis, mas, por algum motivo, ele não acorda.
Ao ouvir isso, Alice apertou sua bolsa com força. — Vocês não disseram que ele acordou ontem?
— Ele acordou, mas foi breve, menos de dois minutos. Se o médico de plantão não tivesse visto, provavelmente ninguém teria percebido que ele recobrou a consciência.
— Mas, doutor... — Alice segurou o braço do médico. — Se ele já acordou uma vez, por que entrou em coma de novo? Já se passou quase um mês, como ele ainda está assim?
Enquanto falava, seus olhos começaram a lacrimejar.
O médico a confortou: — Não se desespere. Os aparelhos fornecidos pela empresa parceira são muito úteis. Eles detectaram que o cérebro do jovem Arthur está ficando cada vez mais ativo. O fato de ele ter acordado é um presságio; seguindo essa tendência, ele com certeza acordará em breve.
Alice soltou o braço do médico e, olhando para o filho deitado na cama, finalmente não conseguiu se conter e cobriu o rosto chorando.
Seu filho estava perfeitamente bem um mês atrás; como ele pôde ficar assim logo após voltar ao país? Quando recebeu a notícia, ela chegou a pensar que era uma brincadeira de mau gosto.
— Sra. Magalhães... — Ao vê-la naquele estado, um brilho de piedade passou pelos olhos do médico. Ele desviou o olhar e, por acaso, percebeu que alguém estava parado no fim do corredor. A pessoa segurava um buquê de flores e parecia estar observando a cena há algum tempo.
Gabi Magalhães observou o choro de Alice até que ela se acalmasse, e só então se aproximou.
Alice percebeu sua presença e baixou o olhar com certa frieza. — O que você veio fazer aqui?
Gabi olhou para o quarto: — Vim ver o jovem mestre Arthur.
— Ver o quê? — A voz de Alice soou aguda. — Já não basta o que vocês fizeram com o meu filho? Ele quase morre...
— Tia Alice!
Gabi a chamou repentinamente, fazendo com que Alice voltasse a si. Ela ajeitou o cabelo bagunçado com uma expressão de sofrimento. — Desculpe, não foi minha intenção. Eu só... ao vê-lo assim, não consigo me controlar.
— Eu sei — disse Gabi. — No fim, a culpa é da Yasmin. Mas ela não sabia que o carro do Arthur apareceria de repente; ela só queria salvar o cachorro.
— Esqueça... esqueça... — Alice levantou-se apoiando as mãos nos joelhos. — Talvez seja o destino. Caso contrário, por que em um acidente com três sobreviventes, os três estariam em coma?
— Entre e sente-se.
Gabi a acompanhou para dentro do quarto.
O homem deitado na cama estava com os olhos fechados e o rosto levemente pálido, o que não escondia sua beleza. Sua fisionomia era serena, como se estivesse apenas em um sono profundo; era impossível imaginar que ele estava em coma há quase um mês.
Alice puxou uma cadeira para Gabi.
Gabi sentou-se. Ela colocou as flores sobre o armário ao lado e, olhando para o rosto bonito do homem, pensou que Yasmin realmente tinha atraído uma baita confusão.
— Tia, ouvi dizer que o Arthur acordou ontem à noite?
Alice também se sentou ao lado da cama, usando uma toalha úmida para limpar a mão de Arthur. Ela confirmou com um som baixo.
— Acordou ontem à noite. Mas durou menos de dois minutos. Ele não disse uma palavra e caiu em coma novamente. Agora está nesse estado.
Gabi disse: — Eu vim também para te contar que a Yasmin teve uma reação.
Alice travou e ergueu a cabeça bruscamente para encará-la. — O que você disse?
— No começo achei que fosse minha imaginação. Afinal, cuidar de alguém em coma todo dia faz a gente fantasiar que a pessoa acordou. Mas ontem, depois que soube do Arthur, refleti e vi que talvez não fosse ilusão.
— Os médicos dizem que esse estado é parecido com o vegetativo: embora em coma, eles ainda têm um pouco de consciência e podem nos ouvir. Por isso, passei os últimos dias conversando com ela. Um dia, enquanto eu falava, senti claramente que ela apertou o meu dedo.
— Achei que fosse coisa da minha cabeça, mas agora vejo que não.
— Então... — Alice apertou a toalha na mão. — Eles realmente estão prestes a acordar?
— Sim — afirmou Gabi. — Pelos aparelhos, o cérebro dos dois — e até o do cachorro — está muito ativo. Provavelmente falta muito pouco para acordarem.
Yasmin passeava com o cachorro pelo jardim.
Por algum motivo, o tempo nos últimos dois dias andava sempre nublado. Não chovia, apenas ficava escuro, com trovões ocasionais. Isso a deixava inquieta.
O Real Brutamontes tinha crescido mais um pouco e, graças à boa comida dos últimos dias, estava virando um pequeno "botijão de gás" peludo. Yasmin, com seus braços finos, mal conseguia segurá-lo.
Dizer que ela o passeava era eufemismo; era ele quem a arrastava pelo jardim.
— Real Brutamontes! — Yasmin gritou, sendo puxada e sem conseguir pará-lo. — Pare agora! Para onde você está correndo?
Mas ele nem dava ouvidos. Como se estivesse com o rabo pegando fogo, suas quatro patinhas curtas se moviam freneticamente.
Yasmin: “...”
Ela soltou a guia, decidindo dar liberdade para ele voar sozinho; se continuasse correndo, quem ia "bater as botas" era ela.
Mas o Brutamontes, vendo que ela não o seguia, voltou e mordeu a barra da calça dela.
—
Wuuuu...
Papai, rápido! Se não formos agora, a mamãe já era!
Yasmin cambaleou com o puxão e teve que se apoiar em uma árvore para não cair. Vendo o desespero dele, ela teve um estalo de intuição.
— Você... quer me levar a algum lugar?
—
Auuuuuu!
Exato! Vamos salvar a mamãe!
Yasmin ouviu o uivo, mas não entendeu nada. Ela suspirou e recolheu a guia do chão.
Cachorro criado em casa, o que fazer? Só resta mimar.
Ela seguiu o Brutamontes por vários caminhos tortuosos até que ele encontrou uma portinha lateral e entrou na mansão. Aproveitando que os empregados não estavam olhando, ele a arrastou até o segundo andar.
Yasmin parou diante de um quarto no segundo andar e ficou pensativa.
Este não é o quarto do Arthur? O que ele quer aqui?
Brutamontes arranhou a porta com a pata, apressando Yasmin.
—
Auuuu...
Papai, rápido! A mamãe está lá dentro!
Yasmin colocou o dedo indicador nos lábios, fazendo um sinal de "psiu", e abriu a porta silenciosamente.
O quarto estava escuro. As cortinas estavam fechadas e apenas uma luz fraca entrava, mas era o suficiente para ver a situação.
Arthur estava jogado na cama, com o rosto enfiado no travesseiro — não se sabia se estava desmaiado ou dormindo. Diante da cama, estava uma mulher, observando Arthur com um olhar de loucura.
— Diogo, você finalmente é meu.
Vixe!
Yasmin arregalou os olhos em silêncio.
Que babado!
O Real Brutamontes lambeu a mão de Yasmin.
Salva a mamãe! Ele vai ser derrotado pela vilã!
Yasmin cobriu os olhos dele e sussurrou: — Crianças não podem ver esse tipo de coisa, senão nasce terçol.
Lá dentro, a mulher, de costas para eles, começou a tirar a roupa, revelando as costas alvas. Depois, curvou-se com a intenção de despir Arthur.
Ao ver aquilo, o Brutamontes se desesperou. Antes que Yasmin pudesse fazer qualquer coisa, ele disparou para dentro do quarto.
—
Auuuu!
Mexeu com a minha mamãe, você já era!!
Um "botijão de gás" sólido atropelando alguém não é brincadeira. Ouviu-se um
baque
surdo; a mulher foi atingida em cheio e caiu no chão, quase sofrendo uma lesão interna.
Ela agarrou suas roupas para se cobrir e rugiu: — De onde veio esse pivete? Saia daqui!
Yasmin correu para dentro, fingindo atrapalhação: — Desculpe, desculpe... meu filho não fez por mal...
Ela tentou pegar o cachorro para sair, mas, como se ele estivesse pesado demais, "perdeu o equilíbrio" e o botijão peludo caiu direto na barriga da mulher.
Yasmin olhou bem e viu que era sua velha conhecida, Verônica.
O homem na cama estava com os olhos fechados e o rosto com um rubor anormal, sinal claro de que ingerira algo que não devia.
Yasmin agachou-se para ajudá-la a levantar: — Srta. Verônica, a senhora está bem? Eu não sabia que era a senhora. Meu filho não fez por querer, por favor não o culpe...
Verônica estava com uma expressão péssima. Olhando para a empregada "imprudente" à sua frente, seu instinto era puni-la, mas pensando em seu plano, resolveu aguentar.
— Saia agora, eu e o presidente temos assuntos a...
Antes que terminasse a frase, Yasmin soltou a mão dela repentinamente, e Verônica caiu de novo com força.
— Srta. Verônica, não foi por mal! A senhora é muito pesada e eu não consegui segurar. Me dê outra chance?
Verônica: “...”
— Saia daqui! — gritou Verônica, furiosa.
— Ah! — exclamou Yasmin. — O que aconteceu com o presidente? Por que ele está na cama e não se mexe?
O coração de Verônica deu um salto, e ela explicou: — Ele tomou dois copos comigo agora há pouco, deve estar bêbado. Ele quer dormir, saia logo e não o perturbe.
— É mesmo? — disse Yasmin. — Então deixe-me levá-la para fora também, para não incomodarmos o sono do presidente.
— Você! — Verônica não sabia se aquela pessoa era genuinamente burra ou se estava fingindo. — Eu vou ficar aqui para cuidar dele, saia você.
Ouvir aquilo... como Yasmin teria coragem de sair sozinha?
— A senhora é visita, eu sou a empregada. Como poderia deixar a senhora cuidando dele?
— O presidente está dormindo pesado, hein...
Yasmin aproximou-se para olhar e, sem aviso nenhum, pegou um copo de água que estava ao lado e jogou sem piedade no rosto de Arthur.
Verônica assistiu à cena boquiaberta: — Você... você...
Yasmin sorriu para ela: — Achei que ele estivesse dormindo demais. Como ele pode dormir tão pesado com uma visita ilustre no quarto? É muita falta de educação.
Felizmente, a água funcionou. Arthur começou a despertar lentamente. Ele abriu as pálpebras pesadas, sem entender de imediato o que estava acontecendo.
De repente, uma pessoa com as roupas desalinhadas correu para frente dele, chorando copiosamente.
— Irmão Diogo, você finalmente acordou! Eu não sei o que houve, você simplesmente apagou. E essa empregada maldita jogou água no seu rosto para te acordar à força!
Por cima do ombro dela, Arthur viu Yasmin parada.
— Uh...
O homem na cama sentiu o suor brotar na testa. Ondas de calor começaram a persegui-lo. Por mais lento que estivesse, ele percebeu o que haviam feito com ele.
Seu olhar se fixou.
Foi aquele vinho.
O vinho que Verônica o fizera beber.