O cachorrinho não entendia por que o rosto da mamãe havia trocado com o do papai, mas ele se lembrava do cheiro dela.
Após cinco dias sem se verem, o Brutamontes estava morrendo de saudades. Ele não parava de se esfregar nos braços de Arthur e, aproveitando um descuido, até lhe deu uma lambida.
Arthur, com o rosto sombrio, afastou o cão: — Desça!
O assistente correu para pegar o Brutamontes no colo: — De quem é essa criança? Como ela veio parar aqui?
Brutamontes esperneou nos braços do assistente: —
Auuuuuuu...
O assistente empalideceu de choque: — O quê? Você se perdeu da sua mãe?
Brutamontes inclinou a cabeça, inocente.
A mamãe está bem ali, quem se perdeu foi o papai.
Arthur, assistindo à comunicação sem barreiras entre o assistente e o husky: “...”
Aproveitando um momento de distração, Brutamontes escapou do colo do assistente e correu de volta para Arthur.
Arthur pressionou a cabeça inquieta do cão: — Fique quieto.
O Jovem Mestre Arthur pensou seriamente:
Eu não sou a Alice; não vou fazer todas as suas vontades. Um cachorrinho precisa ter regras.
—
Wuuu...
A mamãe continua brava como sempre.
Brutamontes sentou-se comportadamente ao lado dele, sem ousar se mover.
O assistente comentou, surpreso: — Presidente, essa criança realmente te ouve? — Ele olhou para os dois alternadamente. — Eu não tinha percebido antes, mas esse garotinho é a sua cara! Especialmente o nariz e os olhos... parece que foi esculpido no mesmo molde que o seu.
Arthur olhou para baixo, Brutamontes olhou para cima. Diante daquela cara de cachorro preta e branca, Arthur ficou sem palavras.
Plim—
【Diogo não esperava encontrar uma criança tão esculpida em porcelana enquanto passeava pelo shopping. Ao olhar para aquele rosto alvo e delicado, seu coração, endurecido por anos, subitamente amoleceu. Por algum motivo, essa criança lhe trazia uma sensação de familiaridade, tanto que, mesmo sendo atropelado por ela, ele não sentiu raiva.】
【Ouvindo as palavras do assistente, seu coração foi tocado.】
【Se... se ele não tivesse tratado Cristal daquela forma no passado, o filho deles já estaria desse tamanho?】
Arthur, acariciando a cabeça do cachorro, perguntou sem expressão: — O que você está fazendo aqui? Onde está a sua mãe?
O husky olhou para ele com seus olhos azuis inocentes, como se dissesse: "Mas você é a mamãe".
Arthur: “...”
Ele mudou a pergunta: — Onde está o seu pai?
Ao ouvir que ele procurava por Alice, o rabo do Real Brutamontes balançou freneticamente, oferecendo-se para levar Arthur até ela. No entanto, ao chegar na porta da loja, o cão travou.
Onde está o papai? Aquele papai enorme sumiu? Que lugar é este?
Arthur baixou a cabeça e tossiu, disfarçando o sorriso que escapava pelo canto da boca. Ele se levantou e segurou a guia com naturalidade. — Vamos, eu te levo para encontrar a sua mãe.
Aos olhos das outras pessoas, a cena era a de um presidente prepotente segurando a mão de um garotinho lindo; ninguém imaginava que o "garotinho" era, na verdade, um cachorro tentando comer uma salsicha assada que alguém jogara no chão.
Arthur, com o rosto fechado, pegou a salsicha e a jogou no lixo, dando-lhe uma lição de moral.
— Não se come o que está no chão.
Mas Brutamontes era apenas um filhote de cinco meses; como um cachorrinho entenderia o que um humano diz? Ele escolheu ignorar a educação de Arthur e parou na frente de uma loja de castanhas assadas, abanando o rabo de forma bajuladora.
Arthur: “...”
Arthur puxou a guia: — Você não quer mais achar a sua mãe?
Brutamontes mordeu um poste e se recusou a soltar.
Arthur tentou de novo: — Aquilo é castanha, você não consegue comer.
Brutamontes continuou mordendo o poste.
Arthur: “...”
— Moço, me dê uma porção de castanhas — pediu Arthur.
O vendedor sorriu: — O senhor é muito bom para o seu filho, trazendo ele para passear.
Arthur respondeu: — Ele não é meu filho.
Brutamontes imediatamente ergueu a cabeça, olhando para ele com um ar magoado.
O quê? Eu não sou mais o seu bebê favorito?
O homem só pôde suspirar e afagar a cabeça dele, sussurrando: — É apenas atuação, para enganar os outros.
O vendedor entregou as castanhas: — Não brinque comigo, senhor. Vocês são tão parecidos, como não seriam pai e filho?
Arthur: “...”
Às vezes, ser a única pessoa normal neste mundo é realmente solitário.
Ele pegou as castanhas, descascou uma e deu para o Real Brutamontes. O cão comeu balançando a cabeça de um lado para o outro, claramente mal influenciado por certas pessoas.
Finalmente, o homem e o cão encontraram Alice em uma esquina.
Ela ainda arrastava a mala de rodinhas, mas já carregava várias sacolas de comida e estava parada diante de uma barraca de tofu fedido, esperando o pedido ficar pronto.
Os olhos do Brutamontes brilharam ao vê-la, e ele arrastou Arthur em direção a ela.
—
Auuuu!
Achei o papai!
Alice não esperava que ele a encontrasse tão rápido. Carregando a comida, ela lançou um olhar para Arthur, que estava parado a pouca distância. Aproveitou a confusão para dar uma mordida no tofu e então...
Abraçou o Brutamontes e começou a chorar: — Onde você se meteu? Você sabe o quanto a sua mãe ficou preocupada? Eu procurei por você na rua inteira e não te achava, quase morri de susto!
Arthur olhou para a mão dela cheia de lanches e não disse nada.
O cachorrinho, vendo o estado "preocupado" dela, começou a ganir e se esfregar nela, em uma atitude de arrependimento exemplar. Ele puxou a manga de Alice.
Eu trouxe a mamãe de volta!
Alice ergueu os olhos e encarou Arthur.
Plim—
【Diogo não esperava encontrar a mãe daquela criança aqui. Ao olhar para a mulher de rosto desconhecido à sua frente, sentiu uma estranha familiaridade por algum motivo, embora não conseguisse se lembrar de onde já a vira.】
Arthur olhou para o rosto de Alice, que não mudara nada, e franziu o cenho lentamente.
Já Alice, após cinco dias sem vê-lo, agiu como se tivesse visto um fantasma. Abraçou o cão e recuou.
— O que você está fazendo aqui?!
Arthur perguntou: — Você me conhece?
Um pânico passou pelo rosto de Alice — um pânico um tanto exagerado, que deixou seu rosto meio contorcido.
— Quem não conhece o famigerado Diogo?
Arthur, sem expressão: — Ah. Essa criança é sua?
Alice abraçou o cão, tentando escondê-lo atrás de si: — O que você quer fazer?
O assistente deu um passo à frente: — Que falta de educação a sua! Você não consegue nem cuidar do próprio filho, ele veio e esbarrou no nosso presidente. Ele foi bondoso o suficiente para trazê-lo de volta, e esse é o seu agradecimento?
Alice continuou olhando para Arthur com desconfiança; só faltava escrever "tenho culpa no cartório" na testa.
— Obrigada por trazer meu filho. Tenho pressa, se não houver mais nada, eu vou indo.
Dizendo isso, ela tentou fugir com o cachorro.
Arthur a chamou: — Espere.
Alice virou a cabeça.
O homem apontou sem expressão para o canto da própria boca. Alice instintivamente passou a mão ali e limpou um farelo de pimenta que grudara quando ela comeu o tofu escondida.
Alice: “...”
A "morte social" aconteceu em um segundo.
Vendo o estado dela, o homem à sua frente inclinou a cabeça para esconder o sorriso que surgia no canto dos olhos.
— Qual é o seu nome? Nós já nos vimos antes?
Alice respondeu: — Meu nome é Yasmin. Sou apenas uma trabalhadora comum, como o presidente teria me visto antes?
Cinco dias sem nos vermos e ela até trocou de nome
, pensou Arthur.
— Realmente não? — insistiu ele.
Alice, cheia de razão: — Não. Se eu já te vi, meu filho é um cachorro!
Arthur: “...”
Alice pegou a comida, puxou a mala e saiu correndo com o cão. Uma cabeça de cachorro confusa espiou por cima do ombro de Alice, encarando Arthur de longe.
—
Wauuu?
Mamãe, por que você não vem?
Tique-taque...
Tique-taque...
Tique-taque...
Aquele som sutil perseguia os ouvidos de Arthur, puxando-o para fora da escuridão.
Ele abriu as pálpebras. O que viu foi um teto branco como a neve; a lâmpada acima dele se transformava em cores borradas em sua visão. Ele piscou os olhos muito lentamente, sentindo-os pesados e ressecados.
Onde... ele estava?
Tentou mover a mão, mas descobriu que não tinha força nenhuma no corpo.
O ambiente estava silencioso, exceto pelo
tique-taque
constante ecoando em seus ouvidos. Ele virou a cabeça e viu um despertador sobre o armário ao lado; o som vinha do movimento dos segundos.
Tique-taque...
Tique-taque...
Passos apressados soaram por perto. Ruídos confusos, carregados de um forte cheiro de desinfetante, inundaram suas narinas.
— Sr. Arthur? O senhor consegue me ouvir?
— Sr. Arthur? Sr. Arthur?
— Rápido! Rápido! Chamem o Dr. Eduardo...
— Sr. Arthur...
Tique-taque...
A mão que ele havia erguido caiu sem aviso, e ele foi puxado novamente para uma escuridão mais profunda.
Quando Arthur acordou de manhã, sentia uma dor de cabeça terrível. Um som de
tique-taque
martelava em sua mente, incomodando-o. Ele olhou para o teto, atordoado, sentindo que esquecera algo muito importante, mas ao tentar lembrar, não vinha nada.
Ele se levantou da cama. No andar de baixo, o mordomo já o esperava na sala.
— Presidente, um novo grupo de empregadas chegou à mansão. O senhor gostaria de avaliá-las?
Ele massageou as têmporas e serviu-se de um copo de água: — Decida você mesmo.
A água fria descendo pela garganta clareou um pouco seu cérebro entorpecido. Ele colocou o copo casualmente na mesa de centro e recostou-se no sofá para descansar, pensando em como encontraria Alice.
No entanto, antes que pudesse chegar a uma conclusão, um pequeno "projétil" colidiu contra seu peito.
A dor familiar fez Arthur soltar um gemido baixo. Ao abrir os olhos, deu de cara com a cabeça de cachorro mais conhecida de todas.
A expressão do mordomo mudou instantaneamente. Ele puxou o cão dos braços de Arthur: — Pre... Presidente, o senhor está bem?
Arthur massageou o peito dolorido e perguntou ao mordomo: — O que ele está fazendo aqui?
O mordomo observou a reação dele e, vendo que não havia raiva, respondeu: — Não contratamos um novo grupo de empregadas? Uma delas é uma mãe solo que me pareceu muito digna de pena, então eu a contratei. Este é o filho dela. Geralmente ele fica nos fundos e não deveria aparecer na frente do senhor. Não sei o que aconteceu hoje para ele correr assim e esbarrar no senhor.
— Você está dizendo que a mãe dele trabalha aqui como empregada?
O mordomo baixou a cabeça respeitosamente: — Sim.
— Entendo...
O homem sentado no sofá levantou-se e limpou os pelos de cachorro que grudaram em sua calça. — Então, eu realmente deveria ir dar uma olhada.
O mordomo olhou para ele, incerto: — Quer que eu o leve até lá?
— Não precisa, eu vou sozinho.
Ele acenou para o Brutamontes: — Vamos. Me leve até a sua mãe.