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《Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa》Capítulo 42: Mundo Espiritual

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Acostumada a viver em uma mansão que parecia um castelo, Alice sentiu um certo desconforto ao retornar subitamente à realidade.

Ela passou a tarde inteira despachando as caixas acumuladas na sala. Depois de jantar e organizar as coisas, já passava das nove da noite. Ela pensou em ligar para Arthur, mas, por algum motivo, bastou encostar na cama para que o sono a dominasse completamente.

Ela adormeceu.

E sonhou com sua melhor amiga.

A irmã mais nova do CEO da sua empresa, Gabi Magalhães.

Uma herdeira criada entre luxos e mimos era, naturalmente, deslumbrante. No entanto, ela não tinha a vivacidade que Alice lembrava; não usava joias extravagantes, vestindo apenas um vestido longo e simples, enquanto segurava um buquê de flores.

Gabi sentou-se, retirou as flores murchas do vaso, jogou-as no lixo e colocou as novas. Atrás dela, a janela brilhante deixava o vento entrar, agitando seus cabelos.

De olhos baixos, ela falava de forma pausada, como quem joga conversa fora.

— Alice, seus pais estão estáveis. Hoje eu vi os dois comerem uma tigela inteira de ensopado. A própria "Grande Senhorita Magalhães" aqui cozinhou; nem meu pai ou minha mãe tiveram esse privilégio, então sinta-se honrada aí onde estiver.

— Sua irmã está prestes a fazer o vestibular. Estamos escondendo tudo dela, ela não sabe de nada.

— Pode ficar tranquila, eu apaguei todo o seu histórico de navegação no celular. Ninguém vai saber as porcarias que você andava vendo escondida.

— Eu ia dizer que, assim que voltasse, apresentaria meu irmão para você... não imaginei que você sofreria esse acidente antes disso. O que foi? Estava com tanta pressa de conhecer meu irmão? Se fosse isso, era só falar; eu teria amarrado ele e trazido aqui para cantar para você.

Alice lembrou da imagem do CEO da empresa que vira uma vez, de longe, no elevador, e não pôde evitar um calafrio.

Deixa para lá

, pensou ela,

eu não teria sorte para aguentar esse privilégio.

Gabi continuou: — Eu vi as imagens da câmera. Parece que o erro foi seu mesmo. Olha só você... dirigindo e tentando desviar de um cachorro de rua? Por acaso a vida de um cachorro vale mais que a sua?

— Sorte sua que os pais da outra parte são compreensivos e não te culparam tanto. Caso contrário, com o status daquela família, nem se eu te vendesse daria para pagar a indenização...

Ela ficou ali sentada, tagarelando por um bom tempo.

No início, Alice conseguia ouvir tudo claramente, mas depois sua consciência foi ficando turva até que o silêncio dominou.

Por fim, ela sentiu sua mão ser segurada por outra, e a voz embargada de Gabi ecoou em seu ouvido:

— Alice... quando é que você vai acordar de verdade?

BUM—

Alice sentou-se na cama abruptamente, ofegante. Seu rosto estava coberto de suor frio, e lágrimas rolavam descontroladamente de seus olhos.

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CABUM—

Outro estrondo.

Lá fora, uma tempestade começara sem que ela percebesse. Ela esquecera de fechar a janela ao dormir, e o vento forte trazia a chuva para dentro do quarto.

Brutamontes, que dormia em sua caminha no canto, acordou com o barulho. Ele latiu duas vezes para Alice e, vendo que ela estava estática e sem reação, pulou na cama e a cutucou com o focinho.

Alice limpou as lágrimas, acariciou a cabeça do cão e saiu da cama.

A tempestade que se formara durante a tarde finalmente desabara. Gotas enormes batiam violentamente contra o vidro, enquanto trovões e relâmpagos pareciam querer rasgar o céu ao meio.

Assustada pelo trovão ensurdecedor, Alice estremeceu, fechou a janela às pressas e puxou as cortinas com força. Depois, encolheu-se na cama, enrolando-se no cobertor para formar uma espécie de "barreira de segurança".

Brutamontes, parecendo entender que ela estava com medo, também subiu na cama e se esfregou nela. Alice, naquele momento, nem se importou com os pelos; abraçou o cachorro e sentiu-se finalmente um pouco mais segura.

Ela nunca teve muito medo de tempestades, mas os trovões desta noite eram aterrorizantes, tão altos que pareciam prestes a virar o mundo de cabeça para baixo.

Com tantos raios, ela não ousava mexer no celular. Sem conseguir dormir, ficou acariciando o cachorro enquanto repassava o que acabara de acontecer.

Foi um sonho ou...?

Era real demais. Tão real que ela por um momento acreditou que Gabi estava de fato ao lado de sua cama de hospital contando aquelas coisas. Mas...

A confusão nos olhos de Alice aumentou. Ela não tinha "transmigrado" para um livro? Como podia sentir coisas do mundo real?

Ela ficou pensativa, segurando a pata do cachorro. Após três minutos de reflexão, Alice decidiu desistir e perguntar a Arthur no dia seguinte.

O dia seguinte amanheceu com um tempo esplêndido. O céu estava limpo, e a tempestade da noite anterior parecia apenas um sonho.

Assim que Alice levantou, a primeira coisa que fez foi pegar o celular. Mas antes que pudesse contar a Arthur sobre o ocorrido, ele se antecipou e enviou uma mensagem:

【O Diogo descobriu quem foi a pessoa que dormiu com ele naquela noite.】

Alice travou ao ver a mensagem e só então lembrou que, na trama original, o CEO ainda não sabia com quem tivera sua noite de paixão.

Arthur continuou mandando mensagens:

【Ele também já sabe de quem é o filho.】

Alice começou a digitar:

【E então?】

【Ele enlouqueceu.】

【...】

Enlouqueceu em todos os sentidos possíveis.

Assim que Arthur retornou, seu assistente trouxe as evidências. Provas que antes eram impossíveis de encontrar surgiram agora com uma facilidade absurda. As imagens das câmeras de segurança não deixavam dúvidas: a pessoa daquela noite era ela.

O CEO gritou, quebrou coisas, rugiu de raiva... seu escritório imenso agora parecia ter sido atingido por um furacão; nada estava inteiro.

Arthur estava sentado no meio daquela destruição, mas seu rosto não mostrava um pingo da fúria de antes. Ele enviava mensagens para Alice com toda a calma do mundo:

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【Ele disse que vai virar o mundo do avesso até te encontrar.】

Alice já estava imune a esse tipo de frase clássica de livro. Ela pensou que digitar não era o suficiente e resolveu ligar para ele.

A voz do homem soou um pouco distorcida pela linha, mas continuava grave e agradável:

— O que foi?

Alice organizou as palavras:

— Eu tive um sonho ontem à noite. Não sei se foi sonho, foi real demais. Sonhei com a minha melhor amiga, ela estava sentada ao lado de uma cama de hospital falando um monte de coisas comigo...

Alice baixou o olhar. — Ela perguntou quando eu ia acordar. Ela parecia estar muito triste.

Houve um silêncio do outro lado da linha antes de Arthur falar:

— Alice, e se talvez não tenha sido um sonho?

Alice parou. — Como assim? Nós não transmigramos para um livro? É possível ter contato com o mundo exterior?

— Existe uma possibilidade — disse Arthur.

— Qual?

— A de que não seja uma transmigração.

Alice ficou estupefata.

— Eu tive o mesmo sonho que você. A diferença é que quem falava eram os meus pais.

— No começo, achei que fosse apenas um sonho, mas foi real demais para eu acreditar nisso. Então, fiz uma suposição ousada...

— Eu fui induzido por você a acreditar que estávamos em um livro. Se a nossa presença aqui fosse uma coincidência, como explicar o cachorro? O cachorro também transmigrou? Nós três sobrevivemos àquele acidente, e os três transmigraram para o mesmo livro?

— Mesmo que fosse uma coincidência tão grande, como explicar as pessoas que dão "pane" do nada? Ou a nossa troca de corpos? Não acho que tantas coisas bizarras aconteceriam apenas por ser uma ficção.

Arthur fez uma pausa e continuou:

— Em vez de um livro, acho que estamos presos em um

mundo espiritual

. O acidente deixou nossos corpos físicos em coma, mas nossas mentes ficaram presas aqui. Nós não controlamos este mundo, apenas seguimos os papéis impostos pelo "Roteiro". Por isso, quando temos a consciência de resistir ao Roteiro, nossas mentes entram em conflito e acontecem aquelas anomalias que vimos.

Alice ficou chocada com a explicação e levou um tempo para reagir.

— Então, como saímos daqui?

Arthur soltou um riso leve: — O Roteiro não disse desde o início? Siga a trama que ele impõe.

Alice perguntou: — Então, quando você disse ontem que estava "perto", queria dizer que a trama está acabando?

— Provavelmente — disse Arthur. — Porque estamos começando a ter contato com o mundo exterior aos poucos.

— Você quer dizer os sonhos?

— Não só isso... Alice, feche os olhos.

— Estávamos conversando tão bem, por que fechar os olhos? — Apesar de reclamar, Alice obedeceu e fechou os olhos.

— O que você está sentindo?

Com a visão no escuro, os sons e o tato ficaram mais nítidos.

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Ela sentiu o vento passar pelo rosto, ouviu o barulho dos vendedores começando o dia lá embaixo e o cheiro da comida do vizinho de cima entrando pela janela.

Arthur disse: — Sinta o cheiro com atenção. O que você está sentindo?

Alice farejou e respondeu sinceramente: — Sinto o cheiro da comida lá de cima, cheiro de purificador de ar e... — Ela inspirou profundamente. — Cheiro de lírios, e... — Ela ficou confusa, achando que estava enganada. — Parece que sinto cheiro de desinfetante hospitalar.

Mas como haveria cheiro de hospital ali?

Do outro lado, veio o riso do homem: — Você não sentiu errado. É cheiro de desinfetante.

Alice abriu os olhos bruscamente: — É... é porque o meu corpo está deitado em um hospital?

Ela lembrou que o buquê que Gabi segurava era justamente de lírios.

— Por isso eu disse: estamos prestes a acordar.

Cinco anos depois...

Alice saiu do aeroporto conduzindo seu cachorro. Não pergunte como ela pôde sair do aeroporto com um cachorro, pois este não era um cão comum: era o cão renascido das cinzas, Nicholas Real Brutamontes.

Os meros cinco anos deste mundo foram, para Alice, como se passassem cinco dias.

O Brutamontes de sua casa completara cinco anos com sucesso. Com um ano de idade, ele terminou os cursos universitários; aos dois, aprendeu oito idiomas; aos três, resolveu os problemas matemáticos mais difíceis do mundo; aos quatro, tornou-se um hacker de elite; e aos cinco, construiu seu próprio império comercial.

No entanto, mesmo sendo o brilhante Real Brutamontes, aos olhos de sua "mamãe" ele ainda era apenas uma criança comum de cinco anos. Ele não podia contar sobre seu império comercial, senão sua frágil mamãe não aguentaria a notícia.

Por isso, mesmo que seu "filhão" tivesse seu próprio império, a primeira coisa que Alice precisou fazer ao voltar foi procurar um emprego.

Quanto mais pensava nisso, mais irritada ela ficava. Ela agachou-se, abraçou a cabeça do Brutamontes e começou a chacoalhá-la freneticamente.

— Ah! Real Brutamontes, onde está o seu império comercial? Eu te criei com tanto sacrifício e você tem um império e não conta para a sua mãe? Quer que eu vá procurar emprego? O coração de um cachorrinho não pode ser tão maldoso, sabia?

O cachorrinho "maldoso" olhou para Alice com seus olhos inocentes: —

Auuuu?

Vendo que ele não confessava nada, e lembrando do chinelo que ele destruíra no dia anterior, Alice sentiu uma onda de tristeza e deu um tapinha leve na bunda dele.

O estiloso Real Brutamontes também tinha seu orgulho; após o tapa, ele escapou dos braços de Alice e sumiu de vista num piscar de olhos.

Parecendo ter um objetivo definido, ele correu para o shopping ao lado, entrou em uma loja de roupas de luxo e mergulhou direto nos braços de um homem sentado no sofá.

Auuuu!

É a mamãe!

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