《Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa》Capítulo 31: A Escolha

PUBLICIDADE

Arthur não disse nada; seus olhos amendoados e estreitos estavam fixos em Alice, sem desviar um segundo. Ele queria escanear cada centímetro dela, e só conseguiria sossegar quando confirmasse que ela estava bem.

Do outro lado, Aurora de Neve continuava a chorar: — Irmão Diogo, você realmente não precisa se preocupar comigo. Se não fosse por você, a Aurora já teria morrido há muito tempo. Ter tido sua companhia nestes mais de vinte anos já me deixa satisfeita. Aconteça o que acontecer, eu quero que você seja feliz. Só peço que não se esqueça de mim no futuro. Lembre-se que eu serei sempre a Aurora que mais te amou.

【...Dom Diogo não tem escolha a não ser escolher Aurora de Neve.】

As mãos de Arthur, caídas ao lado do corpo, fecharam-se em punhos involuntariamente. Ele olhou para Alice e pensou, com certa frieza:

Por que diabos eu tenho que escolher ela? Por que não posso escolher, entre as duas, aquela que eu realmente amo?

Primeiro, Aurora ligara perguntando onde Alice estava; logo em seguida, Alice fora sequestrada junto com ela. Ele não acreditava em coincidências tão convenientes.

— Dom Diogo... — Heitor Real disse. — Eu não tenho paciência para ficar aqui perdendo tempo. Se você não escolher, eu empurro as duas de uma vez.

O olhar de Arthur e o de Alice se cruzaram no ar através da cortina de chuva. No segundo seguinte, Alice fechou os olhos. Ela parecia saber qual seria a escolha dele, então apenas fechou os olhos calmamente, esperando pelo seu destino final.

Antes de vir, Arthur já havia feito preparativos; havia homens dele sob a água. Ele tinha noventa por cento de certeza de que, mesmo que ela fosse empurrada, não morreria. Mas ela estava grávida. Ela sentiria dor, a água gelada invadiria suas narinas, ela engoliria aquela água salgada e poluída, poderia ficar resfriada, ter febre... Havia variáveis demais. Ele não conseguia e não queria apostar a segurança dela.

O olhar de Arthur não abandonou Alice em nenhum momento. Ele deu um passo à frente e abriu a boca lentamente: — Eu escolho...

As palavras "Cristal Real" ficaram presas em sua garganta, incapazes de sair, como se tivessem sido forçadamente silenciadas. No Roteiro, as letras dentro da moldura vermelha brilhavam cada vez mais diante dele.

【...Dom Diogo não tem escolha a não ser escolher Aurora de Neve.】

Heitor o encarava, e a mão que pressionava o ombro de Alice aumentou a força involuntariamente. — Diga-me, quem você escolhe?

Arthur não falou. Heitor insistiu: — Diga-me, quem você escolhe?

A única resposta foi o som da chuva torrencial. O ar mergulhou em um silêncio mortal; além do temporal, nada mais podia ser ouvido.

Alice não resistiu e abriu os olhos. O homem não muito longe dela estava parado calmamente no mesmo lugar. Sua postura era ereta e, embora estivessem todos encharcados como ratos molhados, ele exalava uma elegância inexplicável. A chuva molhara seu cabelo, que ele puxara todo para trás, revelando o rosto de contornos nítidos. Seus traços refinados carregavam uma agressividade cortante. Ele não falava; apenas encarava Heitor em silêncio, em uma espécie de confronto mudo.

PUBLICIDADE

— Diga-me, quem você escolhe?

Arthur continuou em silêncio. Ou talvez sua escolha já tivesse sido comunicada claramente através desse silêncio.

— Quem você escolhe? — Heitor perguntou em um tom sombrio. Um sorriso mecânico surgiu nos lábios de Heitor. Ele ergueu a cabeça e fixou os olhos em Arthur, com um brilho gélido. Até as seis ou sete pessoas ao redor dele começaram a encarar Arthur fixamente com olhos vidrados. A cena tornou-se bizarra ao extremo.

— Arthur... — Alice não aguentou e chamou por ele. Arthur permaneceu calado. Sua figura alta na chuva parecia uma estátua silenciosa e obstinada. A chuva apertou ainda mais, como se quisesse inundar o mundo inteiro. Naquela cortina d'água incessante, Arthur não se moveu por um longo tempo. Silencioso... e assustadoramente teimoso.

— Irmão Diogo... — Aurora de Neve começou a rir de forma histérica. — Diga logo, quem você escolhe? Os olhos dela, assim como os de Heitor, emitiam um brilho frio. Ela o olhava de forma sinistra, com um sorriso que parecia o de um fantoche sem emoções. Vendo que Arthur não respondia, ela se virou para Alice. — Diga você, quem o Irmão Diogo deveria escolher?

Alice sentiu um calafrio com aquele olhar. Devido às regras, ela não podia mencionar o Roteiro na frente de outros, então apenas chamou o nome de Arthur novamente. Mas o homem, naquele momento, estava estranhamente obstinado. Ele mantinha a boca hermeticamente fechada, recusando-se a pronunciar o nome de Aurora de Neve.

O tempo de silêncio foi tão longo que não apenas as pessoas ao redor ficaram mudas, como a própria chuva que caía do céu parou no ar, suspensa em uma postura bizarra. O mundo deles havia sido pausado. Os dois se olhavam naquele espaço estático.

De repente, o corpo do homem teve um espasmo involuntário e ele caiu no chão de forma deplorável. — Arthur! Alice levou um susto e instintivamente tentou correr até ele. Mesmo que as pessoas que a seguravam estivessem estáticas, a força nos braços delas não diminuíra; ela não conseguia se soltar. — O que aconteceu com você?

O homem, habitualmente tão nobre e elegante, agora estava caído na lama. Ele usou as mãos para apoiar o corpo e tentar se levantar; sua testa estava molhada — não se sabia se era suor frio ou água da chuva — e seus lábios estavam pálidos. Mesmo assim, ele forçou um sorriso tranquilizador para Alice: — Eu... eu estou bem. Não se preocupe.

Bem uma ova, ele está quase sendo eletrocutado até a morte!

Ela não aguentou e começou a gritar: — Arthur, você é idiota por acaso?! Escolha logo o que o sistema quer! É tudo falso, não entende? Eu não vou morrer!

— Eu... — Assim que Arthur abriu a boca, uma dor imensa percorreu seu corpo. Ele se curvou, incapaz de emitir uma palavra. Alice estava desesperada: — Escolha logo!

PUBLICIDADE

A única resposta foi o silêncio dele e, ocasionalmente, um gemido de dor que escapava de seus lábios. Alice gritou, com a voz embargada: — Arthur!

O homem continuava calado. Com suas ações, ele dizia a todos, de forma inabalável, qual era sua escolha. Alice perdeu a voz por um instante. Ela fechou os olhos, sem coragem de ver a figura dele caída na lama, odiando aquele mundo pela primeira vez. Lembrando-se de algo, ela se virou e rugiu para Heitor ao seu lado: — Ele escolhe a Aurora de Neve! Você ouviu? Ele disse que escolhe a Aurora de Neve!

As pessoas ao redor continuavam com seus sorrisos bizarros, imóveis. Alice, perdendo a paciência, deu um chute em Heitor: — Você não ouviu, porra?! Eu já disse, ele escolhe a Aurora de Neve!

VRAUSH—

A chuva suspensa desabou instantaneamente. A água gelada atingiu o rosto de Alice; por um momento, ela achou que o fim do mundo havia chegado. No segundo seguinte, o rosto sombrio de Heitor aproximou-se dela. Ele agarrou sua nuca, forçando-a a olhar para ele. Ele sorriu para Alice, um riso carregado de piedade. — Que patético, minha querida filha. Veja... veja este homem por quem você entregou seu coração. Aos olhos dele, você não passa de alguém inferior à irmãzinha que ele tanto fala. — Você achava que ele destruir a família Real era por amor? Agora você não passa de uma peça descartável que ele pode abandonar a qualquer momento.

Alice respondeu: — Cai fora! Heitor: “...” O rosto de Heitor se contorceu por um segundo: — Tão teimosa mesmo à beira da morte.

Ele a puxou para frente e disse para Arthur, que ainda estava no chão: — Já que o Presidente Dom Diogo fez sua escolha... eu também devo cumprir minha promessa.

Arthur, pálido, levantou a cabeça. Ao ver como ele tratava Alice, suas pupilas se contraíram e ele disse com voz rouca: — Você enlouqueceu? Ela é sua própria filha! — Hahahaha... — Heitor riu. — Filha biológica? Para ser sincero, toda vez que vejo o rosto dela, sinto vontade de tê-la estrangulado quando era pequena. Mulheres sedutoras como ela merecem morrer!

Ele recuou dois passos: — Adeus, minha querida filha. Tenho certeza que sua mãe ficará muito feliz em te ver. — ALICE!

Um grito desesperado rasgou o ar. Antes que Alice pudesse entender o que estava acontecendo, seu corpo ficou suspenso e, no instante seguinte, ela caiu no mar revolto. Um raio cortou o céu, e ela viu um vulto saltar no mar logo atrás dela. Segundos depois, ela foi agarrada pela cintura.

Arthur a levou até a margem antes que ela pudesse processar o ocorrido. Ele desamarrou as cordas em suas mãos, segurou seu rosto e a observou com cuidado; ao ver que ela não havia engasgado com água, soltou um longo suspiro de alívio. Vendo-a com aquele olhar perdido, ele a sacudiu: — Alice, o que foi? Acorda! Está sentindo alguma dor?

Alice segurou o braço dele, com a voz fraca: — Eu... eu quero... Arthur aproximou o ouvido: — O que você quer? Alice: — Eu... quero...

BLEURGH...

Alice enterrou o rosto no peito dele e começou a vomitar. Arthur: “...”

Três minutos depois, Alice limpou a boca e disse: — Foi mal. A água do mar estava com gosto de peixe, não consegui segurar.

Após o vômito, Alice achou que era hora de falar de negócios. Ela deu um chute na canela dele: — Você tem serragem na cabeça? Nem seguir o roteiro você sabe! Eu mandei você escolher, por que não escolheu?

Arthur, que acabara de salvá-la, fora vomitado e agora chutado: “...” Ele baixou a cabeça em silêncio. Não pediu desculpas, nem rebateu; apenas manteve sua obstinação silenciosa. Grávidas geralmente não controlam bem as emoções, e com Alice não era diferente. Vendo-o daquele jeito, a raiva subiu à cabeça. Ela deu outro chute nele: — Estou falando com você! Ficou mudo?

— Eu não acho que errei — disse Arthur. — Meu pai me disse uma vez que as palavras que dizemos ganham forma. Algumas são como facas; mesmo que quem as diga não se importe, assim que são proferidas, elas se materializam e ferem quem amamos. — Sim, para você é apenas um roteiro, é a escolha de Dom Diogo entre Cristal e Aurora. Mas para mim não é. É a escolha entre Alice e qualquer outra pessoa.

Ele olhou para Alice. — Chame-me de frio ou de egoísta, mas diante de você, eu não consigo escolher outra pessoa. — Porque a minha escolha, do começo ao fim, é você. —

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia