Aurora de Neve ficou em choque: — Vocês bebem tanto assim aqui no país? — Mas é claro... — Alice continuou. — Mas também tem umas marcas mais "cult", tipo a Windows. O sabor da Windows 97 é um clássico absoluto; garanto que, depois de provar uma vez, você não vai querer outra coisa. Arthur: “...” Arthur, em silêncio, pegou um lenço e baixou a cabeça para limpar a mesa.
Aurora de Neve bufou: — Grandes coisas. Fala como se eu não tivesse dinheiro para comprar. — Diogo... — Ela esticou a mão para tentar segurar o braço de Arthur, mas ele se esquivou. Ela não teve escolha a não ser fazer um biquinho de injustiçada. — Olha só como ela vive me provocando! Me leva para beber essas coisas que ela falou também? Eu quero... quero esse tal de Windows que ela disse ser o mais clássico.
No momento em que ela terminou de falar, o olhar que Arthur lançou para ela foi de pura piedade. Alice interveio: — Ah, não precisa incomodar o Diogo com isso. Se quiser beber, me procure! Eu tenho estoques disso, dá para a gente "beber" juntas todo dia, até você não aguentar mais.
A expressão no rosto de Aurora hesitou por um segundo, como se ela realmente estivesse considerando a oferta. Mas, no fim, seu orgulho não permitiu que ela se curvasse diante da rival, nem mesmo por uma dose do "clássico Windows". Arthur, temendo que ficar ali por mais tempo afetasse seu próprio QI, levantou-se e apressou Alice: — Já terminou? Se sim, vamos logo.
Alice terminou seu leite de soja "clássico", comeu dois pães "fermentados na hora" e saiu atrás de Arthur segurando um ovo cozido "receita secreta exclusiva". Aurora de Neve, não querendo ficar para trás, seguiu logo atrás dela.
Hoje, o próprio CEO ia dirigir. Os olhos de Aurora brilharam e ela correu para a frente de Alice, tentando garantir o banco do passageiro. Porém, Arthur parou estrategicamente junto à porta do carona, bloqueando-a. Ele apontou para a porta de trás e disse friamente: — Você, sente-se atrás. — Diogo! — Aurora bateu o pé novamente. — Eu fico enjoada no carro, preciso ir na frente. — Ah... — Arthur virou-se para o mordomo. — Prepare outro carro para ela ir no banco da frente. Aurora de Neve: “...”
Mas que homem impenetrável!
Às vezes, ser rico demais realmente não ajuda em nada.
Alice estava de cabeça baixa descascando seu ovo quando, ao levantar o olhar, viu que Aurora de Neve mudara de personalidade de novo. Ela já conhecia a doce Aurora e a sombria Sombra de Neve. Mas agora! Ela evoluíra para a
Chuva Azul
. Não se sabia se ela estava triste, mas o azul era real: ela estava azul da cabeça aos pés, inclusive o cabelo. Por um momento, Alice achou que estava vendo uma Smurfette na sua frente. Alice: “!!”
Socorro, que tipo de performance é essa?!
Chuva Azul ergueu o queixo num ângulo de 45 graus, olhando melancolicamente para o céu. Seu mundo mergulhara num oceano de azul depressivo, e pétalas azuis pareciam flutuar sobre sua cabeça. — O que é o amor? É o horizonte que eu tento tocar, mas nunca alcanço. E o que é o horizonte? Apenas um sonho que me tira o sono à noite. Uma pessoa tão terrível como eu, como ousaria implorar pelo seu afeto?
Ela fechou os olhos lentamente, e suas lágrimas transformaram-se em pétalas azuis melancólicas. — Se a folha cai, é porque o vento a persegue ou porque a árvore não a segurou? Quem me dera eu soubesse fumar... assim eu escreveria seu nome no cigarro e o tragaria para dentro dos meus pulmões, o lugar mais próximo do meu coração.
Arthur: “...” De repente, ouviu-se uma tosse pesada de Alice ao lado dele. Ela, segurando o ovo descascado, disse: — Perdão, me engasguei com o ovo. Vou ali tomar um ar. E saiu correndo. Em seguida, ouviu-se uma risada maníaca ecoando vinda da garagem aberta. Arthur e Chuva Azul ficaram ali, trocando olhares em silêncio. Chuva Azul estendeu a mão para o nada e disse: — Se você não consegue segurar a areia na mão, o melhor é deixá-la voar ao vento.
Arthur sentiu como se a areia imaginária tivesse atingido seu rosto. Ele fechou os olhos em desespero e abriu a porta do passageiro. — Você não queria ir na frente? Vá. Eu te imploro, só não diga mais nada.
Ele podia não ler webnovelas, mas já fora jovem. O jovem mestre Arthur já tivera sua fase "emo" com fotos de franja tapando um olho — fotos que sua mãe guardava num cofre de oito dígitos que ele tentou abrir por três anos sem sucesso.
Cinco minutos depois... Alice e Arthur estavam no banco de trás, a melancólica Chuva Azul estava no banco do passageiro. O motorista perguntou: — Patrão, para onde vamos? Arthur massageava as têmporas, exausto: — Para a faculdade.
Do lado dele, Alice soltava risadinhas que pareciam o grasnar de um pato engasgado. Chuva Azul encostou a cabeça no vidro, observando o mundo lá fora, e suspirou: — Se a mocinha enterrava flores, eu enterro o meu amor... E começou a cantar baixinho: —
O funeral das rosas...
—
Enterrando as memórias sobre você...
—
Sinto minhas mãos paralisadas...
—
Não consigo me controlar...
Alice: —
Hahahaha-quack-quack-quack...
Arthur: “...” Arthur: “...”
Por favor, quando é que o mundo vai acabar mesmo?
Ele pensou:
Essa garota foi se tratar no exterior... mas acho que foi do transtorno de personalidade, e claramente não funcionou.
A viagem da mansão até a faculdade durava apenas dez minutos, mas Arthur nunca sentiu dez minutos serem tão longos. À direita, a cantoria depressiva de Chuva Azul; à esquerda, as risadas de Alice que pareciam estar prestes a deixá-la sem ar. Ele pensou, com o rosto totalmente inexpressivo:
Talvez eu devesse criar uma personalidade também. Vou me chamar Dom Extermínio, e minha especialidade será destruir o mundo ao menor sinal de irritação.
Ao descer do carro, ele achou que o suplício terminara. Doce ilusão. Eles foram barrados por Butterfly (皇甫蝶). O portão da faculdade estava lotado de gente. Eles ficaram bem no meio da multidão, encenando uma obra-prima do drama. Butterfly olhou sombriamente para Alice: — Então você está mesmo com ele?
Alice limpou uma lágrima do canto do olho e, antes mesmo de fazer cara de surpresa, sua voz já saiu carregada de espanto fingido: — Como você descobriu? Butterfly disse: — Cristal, você acha que consegue esconder algo de mim? A alta sociedade está fervilhando com a notícia de que a bastarda rejeitada pela família Real está com Dom Diogo. Por causa dele, você tem ideia de quão difícil está a nossa situação? Só porque ele deu a ordem, ninguém mais quer fechar negócios com a nossa família!
— Hein? — Alice virou-se para Arthur. — O que você fez?
Ding!
【O que Cristal não sabia é que Dom Diogo, ao ver o sorriso cada vez mais vibrante dela, sentia ainda mais pena ao lembrar do passado que ela viveu, achando que a família Real não passava de lixo.】
【Dom Diogo pensou friamente: "O tempo esfriou, é hora da família Real ir à falência".】
Arthur deu um passo à frente, passou o braço pelos ombros de Alice e disse a Butterfly: — Antigamente, quando ela era humilhada, não tinha ninguém para defendê-la. Mas agora que ela é minha mulher, todo o sofrimento que ela passou, eu, Dom Diogo, farei questão de cobrar de volta. — Você! — Butterfly rebateu. — Ela é só uma bastarda indesejada! Que tipo de feitiço ela jogou em você para que você faça tudo isso por ela?
Dom Diogo, diante do questionamento, manteve-se implacável: — Quem é você? Acha que tem o direito de me questionar? — Você...
Butterfly ia continuar, mas foi interrompida por um grito de choque. — Cris! Cristal! Alice virou-se. No meio da multidão, apareceu o conhecido "Cabelo Branco" (以澈/Leon). Ele olhou para Alice e Arthur com incredulidade: — Vocês... vocês estão mesmo juntos?
Alice pensou:
Eu nunca tive nada com esse cara, teve? Por que ele está com essa cara de quem foi traído?
Ela se aproximou de Arthur e sussurrou: — Você teve um caso com ele pelas minhas costas? Arthur: “...” Arthur rangeu os dentes: — Eu não tenho nada com ele!
Alice empertigou-se: — Sim, estamos juntos. Vou te mandar o convite para o noivado em breve, viu? — NÃO! — Leon segurou a cabeça num choro lancinante. — Você está com ele? E eu? O que eu sou para você? Alice arriscou: — Um azarado? Leon: “...” O rosto dele distorceu-se por um instante, e ele voltou a berrar: — E as nossas memórias? O que elas significam? Alice respondeu: — Significam que você tem boa memória. Leon: “...”
Vendo que o rapaz estava prestes a "coringar", Alice disparou: — Leon! Eu sei que você gosta de mim, mas o mundo dos adultos tem muitas coisas que não podemos decidir. O dente-de-leão não escolhe a direção do vento, a flor que cai não escolhe onde vai pousar... assim como eu, não posso decidir meu futuro.
Ela começou a gesticular dramaticamente, a voz saindo num grito estridente e sofrido: — Leon! A culpa é minha por ter te abandonado primeiro, mas eu não sou uma mulher indecisa. Quando eu amo, amo profundamente; quando não amo mais, eu me viro e sigo em frente com determinação. Por isso... deixe-me partir, e parta você também! Solte-me e deixe-me ser livre!
Arthur, ao lado dela, presenciou o surto em tempo real. Sua expressão facial começou a "desmoronar" aos poucos e ele discretamente deu um passo para trás. Leon sentou-se no chão ali mesmo, em frente a todo mundo, e olhou para o céu no mesmo ângulo melancólico de Chuva Azul. — Cristal, foi você quem me disse que, quando estivesse triste, bastava olhar para o céu para que as lágrimas corressem para dentro do coração. Mas agora, mesmo que eu deixe as lágrimas correrem pelo meu rosto, não haverá mais ninguém ao meu lado para me dizer isso. — Nós... — ele soluçou. — Realmente não temos mais futuro?
— Leon... — Alice disse com dor. — Nosso amor morreu completamente. Agora, deixe-me realizar o funeral do nosso amor. E ela começou a cantar solenemente: —
O funeral das rosas...
—
Enterrando as memórias sobre você...
—
Sinto minhas mãos paralisadas...
—
Não consigo me controlar...
Arthur: “...” Chuva Azul (melancólica): “...”
Parecendo ter sido tocado pela performance de Alice, Leon finalmente se levantou e encarou Arthur com ódio. — Escute bem, Dom Diogo: se você ousar quebrar as asas dela, eu destruirei todo o seu paraíso! Arthur: “...” O silêncio era sua única proteção hoje.
Ele recuou um passo e, diante de todos, ajoelhou-se em um joelho na frente de Alice. Seu olhar era de uma determinação inabalável e sua voz soou potente: — O súdito... se retira! Esta retirada é para a vida toda. Espero que a Princesa cuide bem de si mesma. O súdito peca: o primeiro pecado foi te encontrar; o segundo, te conhecer; o terceiro, conviver com você; o quarto, agradar você; o quinto, sentir sua falta; o sexto, cuidar de você; o sétimo... os dez pecados estão completos! O súdito merece a morte! Se um dia você se casar com outro, Vossa Alteza, não se esqueça de que casar com você foi o sonho da minha vida!
Alice: “...” Alice não aguentou mais. Ela virou-se, enterrou o rosto no peito de Arthur e cerrou os dentes... Ela não conseguiu segurar o riso e deu um beliscão forte na cintura dele. Arthur: “...”
A partir de agora, meu nome é Dom Extermínio!