《Destino Trocado: O CEO e a Garota Misteriosa》Capítulo 17: O Beijo

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No ar, a fragrância de gardênia acesa pelas empregadas parecia se distanciar de Arthur, enquanto o cheiro forte de álcool invadia suas narinas de forma autoritária.

As mãos de Alice (no corpo de Dom Diogo) pressionavam os ombros dele sem qualquer cerimônia. Seus olhos de fênix estavam marejados e turvos, e a respiração que escapava contra o ouvido dele era apressada e quente.

— Garota, você se vestiu... vestiu assim... se isso não é me seduzir, o que é? Hein? — Se esse era o seu objetivo, eu admito: você conseguiu.

Alice segurou o rosto dele e deu uma risadinha boba: — Hoje... hoje eu vou te colocar na linha agora mesmo!

Arthur: “...” Ele ergueu as mãos para segurar o rosto que se inclinava em sua direção e tentou empurrá-lo, sem sucesso. O corpo robusto do homem o pressionava, tirando-lhe o fôlego.

Na luta, o pijama largo dele se soltou ainda mais, revelando um ombro branco e delicado; a cena era de um caos absoluto.

— Alice! — ele gritou o nome dela, tentando trazer de volta qualquer resquício de lucidez que ela tivesse perdido. Mas o efeito daquele "chá de bolhas" batizado era forte demais. Por mais que Arthur chamasse, Alice não reagia; em vez disso, por falta de força física, ela acabou desabando sobre ele.

Os dois caíram juntos, peito com peito, pernas entrelaçadas. O rosto de Alice ficou enterrado na curva do pescoço de Arthur. A respiração quente dela sobre sua pele o fez ter arrepios por todo o corpo. O calor abrasador atravessava a fina camada de tecido, fazendo o rosto de Arthur arder como se estivesse coberto por brasas.

Arthur não sabia como as coisas tinham chegado àquele ponto. Ele segurou as mãos inquietas de Alice e, tirando forças de onde não sabia que tinha, conseguiu empurrá-la, rolando para o lado e levantando-se às pressas. Enquanto ajeitava as roupas bagunçadas, finalmente teve tempo de olhar para a placa.

【Cristal não esperava que, ao sair do banho, encontraria Dom Diogo bêbado em seu quarto. O homem estava visivelmente embriagado e, em vez de sair, achou que ela o estava seduzindo, tentando forçar uma situação imprópria.】

【As memórias daquela primeira noite invadiram a mente de Cristal. Tomada pelo pânico e pelo medo, em meio à confusão, ela pegou o abajur ao lado e golpeou a cabeça do homem.】

【Dom Diogo desmaiou.】

Arthur olhou para Alice, que ainda se remexia no chão, e sua mão instintivamente alcançou o abajur sobre o criado-mudo. Ele pesou o objeto; era um modelo retrô, maciço e bastante pesado. Arthur temeu que, se desse aquele golpe, Alice acordaria no dia seguinte com o cérebro danificado.

A pessoa no chão, sem que ele percebesse, sentou-se aos pés de Arthur e puxou sua roupa: — Minha... minha linda, dá um beijinho aqui no papai. Ela terminou a frase com um arroto alto; definitivamente, Alice não era uma bêbada elegante.

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Arthur largou o abajur e olhou para ela de cima: — Quem te deu bebida? Alice olhou para ele com cara de paisagem, tentando processar a pergunta. Depois de um tempo, piscou inocentemente. — Eu... eu não bebi. Eu tomei... tomei chá de bolhas.

Chá de bolhas deixa alguém nesse estado?

Alice continuou puxando a roupa dele, insistente: — Por que você não me deixa te beijar? Arthur quase riu de nervosismo: — E por que eu deixaria você me beijar? — A placa... — Alice apontou para o teto. — A placa na minha cabeça disse que eu tenho que te beijar.

Arthur inclinou-se e segurou os ombros da bêbada: — Olha bem para este rosto. Você tem certeza de que quer beijar esse rosto? Alice levantou o olhar e analisou seriamente a face à sua frente. O vapor do banho ainda não tinha dissipado completamente; o rosto estava alvo com um tom rosado, as sobrancelhas como arcos perfeitos e os olhos brilhantes. Era um rosto de traços suaves, mas como o dono vivia de cara fechada, ele emanava uma frieza quase inalcançável.

— Por que não? — Alice olhou para ele e disse: — Você é lindo. Eu tenho certeza de que quero te beijar.

Arthur: “...” Ele acabou soltando uma risada curta diante daquela declaração: — Quem diria que você seria tão narcisista. Alice estalou a língua, sem entender o que ele quis dizer. Franziu a testa e perguntou: — O quê? Você não quer? — Mas... — continuou ela — ...está escrito na placa. Eu tenho que te beijar... Se não beijar... se não beijar, tem punição. Dói muito.

Arthur não respondeu. Com cuidado, ele soltou as mãos dela de suas roupas e a levou até a beira da cama. Colocou um travesseiro para apoiar as costas dela, para que ela não ficasse tão desconfortável. Alice dobrou suas pernas longas com dificuldade; o paletó já tinha sido jogado em algum canto, e ela estava apenas de camisa branca, com os primeiros botões abertos, revelando o pomo de adão e a clavícula bem definida.

Ela virou o rosto para ver Arthur pegando um copo de água no bebedouro ao lado e insistiu: — Por que você não me deixa te beijar, hein? A mão de Arthur parou por um instante antes de fechar a porta do bebedouro. Ele caminhou até ela com o copo e soltou um suspiro de cansaço. — Porque eu não quero, ok? De onde você tira tantas perguntas? Ele entregou o copo para Alice: — Beba um pouco de água para ver se você acorda.

Nesse ponto, Alice foi estranhamente obediente. Pegou o copo e bebeu a água com seriedade. Arthur ficou parado ao lado dela, observando-a. Era o seu próprio rosto, mas agora que havia outra alma ali dentro, aquele rosto parecia não pertencer mais a ele. Ele sabia bem que, se fosse ele naquele corpo, jamais faria aquelas expressões. Ele não sorriria até os olhos se tornarem arcos, nem falaria com aquele tom levemente ascendente no final das frases... E, certamente, não ficaria bêbado com um copo de chá, deitaria no chão perdendo a postura e perguntaria se podia beijar alguém.

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Na metade do copo, Alice desistiu de beber. Segurou a taça e, de repente, olhou para Arthur: — Então, você pode me beijar?

O que eu faço? Além de suspirar, agora eu quero bater em alguém.

Arthur pegou o copo da mão dela, colocou-o de lado e agachou-se à sua frente: — Por que tem que ser um beijo? Alice pensou devagar: — Por causa da missão. — Ela apontou para a cabeça. — Se não completar, tem punição... dói...

O cabelo longo e sedoso de Arthur caiu sobre os ombros conforme ele se movia, moldando seu rosto. Ele estendeu a mão para afastar os fios, colocando-os atrás da orelha dela. Ao virar levemente o rosto, viu seu próprio reflexo no espelho da penteadeira próxima. No segundo seguinte, o rosto de Alice apareceu no espelho; ela deu uma risadinha, com os olhos de fênix tão apertados que eram apenas frestas.

Arthur olhou para o sorriso de Alice no espelho e depois para o seu próprio rosto (no corpo dela). Naquele instante, o sorriso no rosto de Alice parecia ter se transferido magicamente de um rosto para o outro. De repente, aquela face antes austera e sem graça tornou-se radiante.

Ele desviou o olhar como se tivesse se queimado. — Pode ser? — foi a última coisa que ouviu Alice perguntar.

Um suspiro leve escapou de seus lábios, representando uma rendição voluntária. A janela do segundo andar estava aberta. O vento da noite de verão trouxe um frescor que dissipou o cheiro de álcool, tornando o aroma do incenso ainda mais forte. Arthur sentou-se na beira da cama com os lábios cerrados; o vento soprava seu cabelo comprido e fazia as cortinas dançarem. Subindo e descendo lentamente. Como os pensamentos inquietos de um jovem rapaz soprados pelo vento.

A noite estava fresca como água. O toque rápido entre os lábios levemente frios e a testa dela também foi frio. E foi leve, tão leve que pareceu apenas o rastro de uma ilusão assustada.

Quando Alice acordou, o dia estava radiante e o sol brilhava. Ela sentou-se na cama com uma dor de cabeça latejante, encarando sua camisa amassada em silêncio.

O que eu fiz ontem? Por que parece que saí na porrada com alguém?

O problema era que ela não conseguia se lembrar de absolutamente nada. Alice ficou sentada pensando por dois minutos, mas como as memórias não voltavam, ela desistiu e levantou-se.

Lá embaixo, Arthur já estava de pé há muito tempo, sentado à mesa de jantar saboreando o café de forma elegante. Sua expressão estava estranhamente séria, o rosto tenso, e o rabo de cavalo feito pela manhã já estava frouxo, com alguns fios caindo sobre a testa.

Assim que Alice desceu, o olhar dele cravou-se nela. Ele não disse nada, apenas a observava com uma tensão difícil de notar. Alice assustou-se com a reação, tocou o próprio rosto e, ao ver que estava tudo certo, perguntou confusa: — Por que está me olhando desse jeito?

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O rosto de Arthur "murchou" instantaneamente.

Ué...

Alice hesitou antes de sentar-se à frente dele. Pegou um pãozinho e deu uma mordida: — O que aconteceu? Arthur percorreu o rosto dela com o olhar: — Ontem... — ele começou, mas parou. — O que teve ontem? Eu acordei de roupa na cama com uma dor de cabeça infernal, mas não lembro de nada. — Ela encarou Arthur: — O que eu fiz ontem?

Sob o olhar sincero dela, Arthur abriu a boca lentamente e disse: — Heh! Alice: “...”

Arthur baixou a cabeça e começou a cortar o sanduíche no prato com uma ferocidade que fez Alice sentir um calafrio na espinha. — Você... — Alice hesitou — ...está bem? — Estou ótimo! — disse Arthur. Ele estava "ótimo", só não tinha dormido a noite toda e acordado cedo. Ele estava "ótimo", só tinha ficado esperando por Alice no restaurante por duas horas inteiras. Ele estava "ótimo", só tinha perdido a "primeira noite" (em tese) e agora tinha perdido o "primeiro beijo" também. Ele estava "ótimo"...

Arthur jogou os talheres na mesa com força.

Ótimo o cacete!

Com certeza ele tinha sido enfeitiçado ontem à noite! Do contrário, por que teria dado ouvidos às bobagens de uma bêbada e a beijado sem pensar? Ele nem sabia explicar por que fizera aquilo. Talvez o cheiro de álcool dela o tivesse contagiado, deixando-o bêbado também; do contrário, por que ao vê-la sorrir daquele jeito, ele realmente cedeu?

Um jovem puro, perturbado por um beijo entre lábios e testa a ponto de não conseguir pregar o olho, pensando em como explicar o ocorrido pela manhã... para depois de esperar ansioso, deparar-se com uma Alice que não lembrava de nada. Naquele momento, Arthur não sabia o que sentir.

Tecnicamente, ele deveria estar feliz por ela não lembrar — afinal, beijar a si mesmo é algo bem bizarro.

Mas, ao olhar para aqueles olhos inocentes, ele sentia uma raiva crescente.

Por que só eu tenho que carregar esse turbilhão de emoções chatas sozinho?

Alice o via ranger os dentes, e ele não parecia nem um pouco "ótimo". Ela coçou a cabeça, sentindo-se culpada mesmo sem saber o motivo.

— Você... Antes que ela terminasse, Arthur levantou-se da cadeira num solavanco.

— Onde você vai? — ela mudou a pergunta.

Arthur pegou os livros que estavam ao lado e, com a cara fechada, declarou: — Vou para a aula! Ele saiu com passos largos, chegando rapidamente à porta da cozinha. No instante em que ia sair, por um impulso inexplicável, olhou para trás uma última vez. Vendo a expressão de total confusão de Alice, não resistiu e soltou um bufido frio:

— Heh! Mulheres!

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