Ding!
【Dom Diogo segurava Cristal pela cintura; a cintura da mulher era tão fina que parecia que ele poderia envolvê-la com apenas uma das mãos. Do seu ângulo, as curvas delicadas estavam completamente à vista. Ele não esperava que a Cristal, que parecia tão comum, pudesse deixá-lo tão atordoado quando se arrumava de verdade.】
Alice encarou o vazio por alguns segundos e começou a rir sem aviso.
Ela segurou a cintura de Arthur com firmeza, acompanhando seus passos na dança, e deu um leve puxão para trazê-lo mais para perto. — Garota, não achei que você fosse tão magrinha, mas tivesse tantas "curvas".
Arthur: "..."
Pisa.
Alice levou outro pisão no pé.
Arthur já estava imune àquelas falas insuportáveis. Ele apenas levantou as pálpebras friamente, olhou para Alice e lembrou, sem expressão: — Vinte e três.
Alice travou: — Vinte e três o quê? — Do começo da dança até agora, você já pisou no meu pé vinte e três vezes.
Alice: "..."
S... sorry?
—
Quando a dança finalmente terminou, Arthur estava na porta do hotel tentando chamar um táxi, sentindo-se exausto física e mentalmente. Mas, claro, alguém não ia deixá-lo em paz.
Beatriz caminhou até Arthur em seus saltos agulha altíssimos, furiosa, e levantou a mão para esbofeteá-lo.
Desta vez, porém, Arthur não estava sob controle do roteiro; ele segurou o pulso dela no ar. Beatriz recuou um passo, assustada com o olhar gélido dele. Então, lembrando-se da cena que vira no salão, gritou:
— O quê? Agora que seduziu Dom Diogo você acha que pode tudo? Acha que pode me enfrentar?
Arthur só queria ir para casa dormir e não tinha paciência para discussões. — Se você gosta dele, conquiste-o. Quem ele escolhe é liberdade dele. Eu não posso mudar isso, nem você. Se não fosse eu, seria outra pessoa. Em vez de gastar seu tempo discutindo comigo, tente se tornar uma pessoa melhor. Se você for excelente, ele naturalmente notará você.
Ele fez uma pausa e continuou: — E, claro, se ele não te notar, não significa que você não seja boa. Significa apenas que ele não tem bom gosto.
Beatriz ficou estática, lembrando-se das palavras que Alice (como Diogo) dissera mais cedo.
Ela percebeu que aqueles dois eram muito parecidos em certos aspectos. Ela achou que Cristal a humilharia ou zombaria dela após ser escolhida pelo CEO. Em vez disso, a garota estava ali dizendo que o problema não era ela, mas sim a falta de visão de um certo homem.
Arthur levantou a saia do vestido para checar os pés. Ótimo. Graças à Alice, eles estavam em um estado deplorável.
O táxi chegou e ele aproveitou o choque de Beatriz para entrar no carro, querendo apenas fugir daquele caos.
O que ele não sabia era que, após sua partida, uma sombra saiu de um canto escuro do hotel, observando o táxi se afastar. O misterioso
Lucas (Noite)
sorriu de canto: — Heh! Interessante.
—
Quando Alice finalmente terminou de se limpar e se deitou em sua cama de cem metros quadrados, já passava da uma da manhã.
Ela segurava o celular com as pálpebras pesadas, mas insistia em ficar acordada. Finalmente, vinte minutos depois, recebeu uma solicitação de amizade no WhatsApp.
Ela aceitou imediatamente. No segundo seguinte, uma chamada de vídeo apareceu.
Alice hesitou por um instante e atendeu. A imagem de seu próprio rosto apareceu na tela do celular.
Arthur parecia ter acabado de sair do banho; seu cabelo ainda estava úmido. Ele secava os fios com uma toalha e explicou: — Eu tomei banho usando uma máscara de dormir.
Ele não viu nada. Quanto a sentir as coisas... bem, isso ele não podia controlar. Como eles já tinham ido para a cama antes, Alice já não se importava mais com quem via ou tocava o quê.
Após tantos dias de confusão, era a primeira vez que se olhavam claramente através da tela, sem a interferência da placa.
Por um momento, Alice não soube o que dizer. Arthur foi o primeiro a falar, segurando um papel: — Alice, certo? Eu pensei um pouco enquanto tomava banho. Aquele Volkswagen que bateu no meu carro... era você dirigindo, não era?
Alice ficou paralisada com a pergunta repentina. — Acho... que... sim?
Arthur franziu a testa: — É ou não é? Como assim "acho que sim"? Eram cerca de 8h40 da manhã, na Avenida Paulista. Meu carro estava fazendo a curva e você bateu em mim sem motivo. Se não me falha a memória, a frente do meu carro ficou destruída. Quanto ao resto, só saberemos quando sairmos daqui e levarmos para a oficina.
— Se acionarmos o seguro, e assumindo que o seu seja de cobertura total, dada a categoria do meu carro, além do que a seguradora pagar, você teria que me indenizar com este valor...
Ele mostrou o papel na tela. Os números fizeram Alice pular da cama. — O quê? Você está me assaltando? Esse valor compra o meu carro inteiro!
Arthur respondeu calmamente: — Esse é o valor mínimo. Se houver danos estruturais, será muito mais.
Alice tentou se explicar: — Olha, eu estava dirigindo direitinho, mas um cachorro brotou do nada no meio da rua! Eu tive que virar o volante!
— Mas não só meu carro quebrou; por causa do seu erro, eu vim parar neste lugar bizarro com você. Como vamos resolver isso? — perguntou Arthur.
Alice ficou em silêncio por um tempo. — Posso perguntar... que carro era o seu?
Arthur disse o nome do modelo. — Zero quilômetro. Tinha acabado de tirar da concessionária. Estava dirigindo há menos de dez minutos quando você bateu.
O rosto de Alice empalideceu. Ela já tinha visto aquele carro em vídeos de recomendações de luxo; era um preço que ela provavelmente não conseguiria pagar nem em uma vida inteira de trabalho.
Ela se lembrou de ter guardado cupons de desconto de 5 reais no aplicativo apenas para sofrer cada vez que olhava para o preço real do veículo.
E agora, ela tinha batido nele. O valor que Arthur estava pedindo era, na verdade, muito generoso.
Qualquer outra pessoa a deixaria na miséria. Alice sabia que a responsabilidade era dela. Quem diria que Dom Diogo, o homem mais poderoso do mundo, quase choraria de pobreza no meio da noite?
Ela olhou para sua cama gigante e sentiu uma tristeza profunda. — Escuta... eu posso te pagar aqui dentro?
Arthur apenas a observou em silêncio. Vendo a expressão desolada de Alice, ele suspirou: — Eu só estou te avisando para você se preparar psicologicamente. Teremos que seguir os trâmites legais, mas como agora temos uma "parceria de sobrevivência", não vou exigir o dinheiro imediatamente.
Lembrando-se do estado do carro dela, ele imaginou por que ela estava tão preocupada. — Se a gente nunca conseguir sair daqui, você nem precisa se preocupar com a dívida — brincou ele.
— Nem brinca com isso... — Alice bagunçou o cabelo. Ela estava vivendo no luxo, mas no vídeo, seu próprio corpo parecia muito mais magro. Sabendo o que aconteceu no banquete, ela imaginou o que Arthur estava passando.
— Primeiro, o mais importante é destrocar — disse Alice. Arthur sentou-se ereto: — Para isso, precisamos entender como trocamos.
— Er... — Alice hesitou. — Naquela noite, a gente... talvez... provavelmente... não fez mais nada diferente, certo?
Arthur: "..." Ambos se encararam através da tela. O ar ficou carregado de constrangimento. Eles sabiam exatamente o que tinham feito.
Alice pensou com tristeza:
Eu "usei" a mim mesma... Eu não consigo lidar com essa informação!
Arthur também ficou em silêncio:
Eu fui "usado" por mim mesmo...
Ele tossiu, sem jeito: — Vamos deixar esse assunto de lado por enquanto e procurar outros métodos.
Alice sugeriu: — A placa disse que poderíamos voltar quando terminássemos de atuar. Talvez possamos esperar o fim da história para voltar aos nossos corpos originais? Não é possível que a gente saia daqui e continue trocado.
Arthur pensou naqueles cabelos coloridos da faculdade e sentiu uma dor de cabeça: — E quanto tempo ainda temos que atuar? — Acho que está acabando...
—
Alice achou que seria rápido, mas não imaginou que seria
tão
rápido. Já no dia seguinte, ela foi levada por um grupo de seguranças para uma mansão imponente.
Dezenas de homens de terno e óculos escuros faziam guarda. No sol forte da manhã, Alice sentiu-se em um filme de máfia.
— Bom dia, senhor! — gritaram em uníssono. Alice levou um susto. Antes que pudesse reagir, eles se viraram para a direita e fizeram outra reverência de 90 graus. — Bom dia, senhor Patriarca!
Toc! Toc!
O som de uma bengala batendo no chão de madeira ecoou. Um senhor de cabelos brancos estava sentado em uma poltrona, com uma voz potente: — Você ainda tem coragem de aparecer na minha frente?
Alice estava perdida.
Não foi você que mandou me sequestrarem de manhã cedo?
Mas o velho não quis ouvir. Pegou uma xícara de chá e a arremessou nela. Alice esquivou-se com uma agilidade que, embora atrapalhada, ainda parecia "galante" no corpo de Dom Diogo.
【Dom Diogo nunca imaginou que enfrentaria um casamento forçado. Como um homem tão belo e independente poderia ser acorrentado pelo matrimônio? Não! Ele não aceitaria!】
O avô declarou: — Não esqueça que eu ainda detenho 15% das ações da empresa. Se eu não conhecer minha neta postiça este mês, eu prefiro jogar essas ações na rua do que dá-las a você!
Alice arregalou os olhos. Não diziam que ela era o homem mais poderoso do mundo? Como poderia ser intimidada por meros 15% de ações?
No entanto, a placa explicou em texto:
Mesmo o homem mais poderoso do mundo não pode se dar ao luxo de perder esses 15%.
E assim, em uma bela manhã ensolarada... Alice teve que começar a procurar uma esposa.