A noite caía e quase todos os convidados já haviam chegado.
Quando o mestre de cerimônias subiu ao palco com o microfone, todos souberam: o verdadeiro protagonista estava prestes a aparecer.
Após a introdução pomposa, Alice subiu ao palco vestindo seu terno sob medida.
Geralmente, ela era quem ficava na plateia ouvindo; esta era sua primeira vez sendo o centro das atenções. Mesmo sabendo que aquilo era uma novela, não conseguiu evitar o nervosismo.
No entanto, ao olhar para baixo do palco, seu canto da boca tremeu.
Diante daquele mar de cabelos coloridos e penteados exóticos, por um momento ela sentiu que não era o homem mais poderoso do mundo, mas sim o líder de uma gangue de batedores de carteira de quinta categoria.
O "líder da gangue", após fazer sua apresentação vestindo um terno caríssimo de peça única no mundo, aceitava a admiração dos convidados.
As mulheres estavam rendidas ao rosto de Dom Diogo, que parecia esculpido por deuses, enquanto os homens cobiçavam sua riqueza incalculável.
Independentemente do motivo, todos se acotovelavam para tentar trocar ao menos uma palavra com o lendário CEO.
Beatriz não era exceção. Ela acreditava que ninguém era mais adequada do que ela para ser o par de Dom Diogo na primeira dança. Sobre esse homem, ela estava decidida: ele seria dela.
Bernardo aproximou-se: — Beatriz, você também quer ser o par do Diogo? — E por que não? — Beatriz ergueu o queixo com elegância. — Um homem excelente como Dom Diogo merece alguém à altura como eu.
Bernardo gemeu em agonia: — Eu achei que você fosse diferente das outras mulheres, mas vejo que nem você escapa das garras desse homem.
Ao ver o sofrimento dele, um lampejo de hesitação passou pelos olhos de Beatriz. — Bernardo, eu sei que você sempre foi bom para mim, mas ninguém no mundo pode recusar Dom Diogo, nem mesmo eu. Admito que você é talentoso, mas comparado a ele, você ainda é muito imaturo.
— E então, Beatriz? — Bernardo segurou a cabeça e soltou um rugido de dor. — Você esqueceu nosso juramento? Você prometeu que ficaria comigo assim que eu me formasse e assumisse os negócios da família! Agora, além de maltratar sua irmã, você me abandona para correr para os braços de outro?
Ele recuou dois passos e olhou para o céu em um ângulo de 45 graus, uma pose melancólica para evitar que as lágrimas caíssem. — Você mudou, Beatriz. Você não é mais a Beatriz que eu amei. De hoje em diante, seguimos caminhos opostos. Meu amor... finalmente morreu esta noite!
Ele olhou para Beatriz e virou uma taça de vinho de uma vez: — Que este vinho sirva de oferenda ao meu amor falecido!
Após beber, ele estraçalhou a taça no chão. Os estilhaços voaram para todos os lados, quase atingindo Alice, que observava tudo logo atrás.
Ela recuou dois passos discretamente, tentando se distanciar daquela cena de término dramático.
Gente, será que dá para olhar em volta antes de terminar um namoro? O outro envolvido na história está a meio metro de distância de vocês!
Obviamente, em certas novelas, a visão periférica não existe. Mesmo com o movimento brusco de Alice para trás, os dois agiam como se ela fosse parte da mobília.
Beatriz declarou com determinação: — Bernardo, esta foi a estrada que escolhi e eu arcarei com as consequências. Eu SEREI o par de Dom Diogo hoje!
Ela se virou com a taça na mão e deu de cara com o olhar constrangido de Alice. Alice, que tentava fugir sem sucesso: "..."
Geralmente, em situações assim, quem passa vergonha são os envolvidos, mas Beatriz personificava o lema: "se eu não me envergonhar, a vergonha é dos outros". Ela exibiu um sorriso sedutor para Alice: — Senhor Diogo, é uma honra. Imagino que já conheça meu nome: Beatriz, herdeira da família Cristal. Pode me chamar de... Bia.
Alice não tinha o menor interesse em chamá-la de apelidinhos íntimos. Ficou ali parada, soltando uma risadinha sem graça, sem saber o que dizer. Felizmente, Beatriz não se importava com a resposta e foi direto ao ponto: — Ouvi dizer que o senhor escolheria seu par para a primeira dança entre as convidadas. Já tomou sua decisão?
Ding!
【Dom Diogo não esperava que a mulher que o barrou fizesse essa pergunta tão descaradamente. Ele olhou para o rosto refinado dela; por mais que ela tentasse esconder, a ambição em seus olhos não o enganava.】
【Heh! Dom Diogo soltou um riso frio. Mais uma mulher se atirando aos seus pés sem medo da morte. Ele exibiu um sorriso enigmático e começou a falar.】
【"O quê? Você está interessada?"】
Alice hesitou. Pela primeira vez, ela, que já estava craque em interpretar o CEO, travou diante da fala. Engoliu as palavras originais e soltou: — Eu já tenho um par. Pode desistir.
A placa de diálogo parou por alguns segundos, as bordas brilharam em várias cores e as letras cresceram, escurecendo o tom. Alice simplesmente fingiu que estava cega e fechou os olhos, esperando pela punição. Talvez por conta de sua cooperação exemplar ultimamente, a placa apenas piscou e silenciou.
Beatriz congelou, com uma expressão de total incredulidade: — Como assim? Quem além de mim teria a qualificação necessária para ser seu par?
Alice teve um tique nervoso e respondeu, sem paciência: — Apenas aceite, não será você. Em vez de gastar tempo tentando ser meu par, foque na sua carreira. Hoje em dia, nada é melhor do que depender de si mesma.
Dito isso, Alice fugiu antes que Beatriz pudesse reagir. Se ficasse mais um segundo, destruiria totalmente o personagem. No entanto, não demorou muito para ser barrada por Bernardo (o de cabelo azul). Ele tinha uma expressão de profunda humilhação.
— Por que você não deixa a Beatriz ser sua parceira? Ela me rejeitou por sua causa!
Essa lógica era nova para Alice. — Como é? Só porque ela te deu um fora eu sou obrigado a aceitá-la? Não acho que as leis da termodinâmica se apliquem a relacionamentos, rapaz.
Bernardo ficou confuso: — O que são leis da termodinâmica? Alice deu um tapinha solidário no ombro dele: — Rapaz, além de não ter estilo, você ainda faltou às aulas de física, hein?
Bernardo: "..."
Alice continuou, preguiçosa: — Você quer saber quem é o meu par? — Ela ergueu a mão e apontou para longe. — Ali... meu par.
Ela não falou alto, mas, milagrosamente, todos no salão ouviram. No instante em que suas palavras calaram, todos os olhares se voltaram para onde ela apontava.
Arthur, que acabara de sair da maquiagem e do figurino: "..."
O que aconteceu? Por que estão todos olhando para mim?
O que ele não sabia era que, parado na porta segurando a saia do vestido com um olhar confuso, ele parecia um elfo que caiu acidentalmente no mundo humano. Os cabelos longos sobre os ombros e os lábios rosados realçavam a delicadeza de seu rosto. A pele do pescoço e dos ombros brilhava sob as luzes. Arthur mordeu o lábio, desconfortável com a atenção, e baixou a cabeça, deixando apenas a nuca elegante à mostra.
Houve um suspiro coletivo no salão. Até Alice, ao vê-lo assim, sentiu o coração errar uma batida.
Caramba! Eu sou tão bonita assim?
Especialmente quando Arthur lançou um olhar de socorro em sua direção, Alice sentiu o rosto esquentar. Ela engoliu em seco, reprimindo aquela sensação estranha, e caminhou em direção a ele com passos largos e imponentes. Diante de todos, ela passou o braço pela cintura de Arthur e sorriu:
— Deixem-me apresentar... a parceira de Dom Diogo para a primeira dança... — Ela fez uma pausa. — Cristal.
"Cristal..." O salão entrou em polvorosa. Era a filha bastarda renegada pela família Cristal. Lorenzo ficou estático ao ver a cena. Aquela era a "gatinha" que ele encontrara? Quem diria que aquela garota comum, quando arrumada, ficaria tão... tão sedutora.
Alice não se importou com os outros. Curvou-se diante de Arthur e estendeu a mão com elegância: — Bela dama, daria-me a honra desta primeira dança? Arthur olhou para o próprio rosto na frente dele: — Eu posso recusar?
Alice não respondeu, apenas sorriu, com seus olhos de fênix transbordando charme. Arthur ficou hipnotizado por alguns segundos, mordeu o lábio e colocou a mão na dela. Alice fechou a mão sobre a dele e, com um toque atrevido, acariciou sua pele. — Nada mal... minhas mãos são realmente macias — sussurrou ela.
Arthur: "..."
Nesse exato momento, ele percebeu: destrocar de corpo era uma prioridade absoluta e urgente!
Quando foi puxado para a pista de dança, Arthur ainda pensava ingenuamente que seria apenas uma dança de alguns minutos e tudo acabaria. No entanto, a realidade foi outra. Ele estava no centro do salão, com o rosto fechado e uma veia saltando na testa.
— Alice! — ele explodiu em voz baixa. — Não faz nem três minutos e você já pisou no meu pé dez vezes! — Foi mal... — disse Alice. — Eu nunca dancei valsa na vida, não tenho prática, sabe como é...
Ela, uma funcionária explorada que vivia no regime de 9 às 6, onde aprenderia essas coisas de elite? Para o banquete de hoje, ela até tentou ver uns tutoriais na internet, mas o resultado... as marcas de sapato no vestido branco de Arthur eram a prova do fracasso.
— E você acha que eu aprendi? — Arthur estava prestes a colapsar. Mesmo tendo estudado dança, ele aprendera os passos masculinos, e agora era forçado a fazer os femininos!
Após ser pisado pela enésima vez, ele sentiu que aqueles pés não eram mais seus... bem, tecnicamente não eram mesmo. Ele sussurrou: — Não dê passos tão largos. Alice obedeceu e encurtou o passo. — Ai! — Mais uma pisada. Arthur, com o rosto sombrio: — Também não precisa ser tão curto. — Ele suspirou, derrotado: — Segure minha cintura e me siga.
Alice obedeceu e o abraçou pela cintura. Arthur: — Alice, se o seu plano é me estrangular aqui mesmo, é só falar.
Alice soltou um suspiro pesado: — Que saco... que dança idiota. — É... — pensou Arthur, com o rosto estático. — Que saco de dança.