Após ver Arthur desaparecer de sua vista, Alice tirou do bolso o pacote de lenços que ele mencionara. Era rosa, pequeno e tinha estampas de morango.
Ela olhou para si mesma no espelho. O homem era alto, com um contorno facial impecável; quando estava sério, parecia um herdeiro de linhagem nobre saído de um filme.
Mas agora, esse herdeiro elegante, vestindo uma camisa branca sob medida, segurava entre os dedos longos um pacotinho rosa de morangos.
O anel de prata em seu dedo estava posicionado exatamente sobre um morango gigante, brilhando sob a luz fria do banheiro.
— Cof!
Alice tossiu para disfarçar o constrangimento e guardou os lenços rapidamente. Ao sair do banheiro, deu de cara com vários seguranças que a esperavam. Por reflexo, ela recuou um passo.
Os seguranças, usando óculos escuros em plena noite e ternos impecáveis, curvaram-se em uníssono:
— Senhor, a Matriarca solicita sua presença.
O grito foi tão potente que ecoou pelo corredor. Alice teve um tique nervoso, pensando que ser um CEO não era para qualquer um.
Quando chegou, a lendária Matriarca estava na suíte presidencial apreciando a vista da cidade. Ao ver Alice, a senhora de cabelos brancos aproximou-se e segurou suas mãos.
— Meu querido Diogo...
Apenas essas palavras foram suficientes para destruir toda a postura que Alice tentara construir pelo caminho.
Que diabos de nome é esse?
, pensou ela.
Ding!
【Dom Diogo sabia por que sua avó o chamara. Enquanto outros CEOs de vinte e poucos anos já tinham filhos que protagonizavam romances como "Bebê Gênio: Mamãe não foge", ele continuava solteiro.】
【Uma sombra de dor cruzou os olhos de Dom Diogo. Ninguém conhecia seu segredo: além do toque de seus familiares, qualquer contato com o sexo oposto lhe causava alergias severas, às vezes insuportáveis. Exceto...】
【Um olhar de determinação surgiu em seus olhos. Exceto pela mulher daquela noite e a garçonete de hoje; até agora, eram as únicas que não ativavam sua alergia.】
A senhora continuou: — Esta noite, chamei todas as herdeiras de destaque da cidade. Veja se alguma lhe agrada.
Alice respondeu: — Vovó, não precisa se preocupar com meus assuntos.
— Como não? — A avó a repreendeu. — Você é o único herdeiro da família Diogo, eu quero segurar meus bisnetos! Além disso, pela nossa tradição, você deve escolher uma acompanhante entre as convidadas para a primeira dança da noite.
【Sim, esta era a tradição da família Diogo: no banquete de retorno ao país, o herdeiro solteiro deveria escolher uma dama para a primeira dança. Nem o homem mais poderoso do mundo poderia desobedecer a esse costume.】
【O olhar de Dom Diogo tornou-se profundo. Sua primeira reação foi pensar na garçonete desalinhada de minutos atrás.】
【Maldita mulher, como ousa ocupar seus pensamentos desse jeito, tendo se visto apenas uma vez!】
Alice não lembrava de mais nada do que a avó dissera; saiu da suíte sustentada apenas por sua força de vontade. Assim que chegou ao corredor, apoiou-se na parede e começou a rir alto.
Socorro! Essa "maldita mulher" quase me fez desmaiar de tanto rir. Eu realmente lia esse tipo de coisa quando era mais nova?
Quando o assistente se aproximou, encontrou o CEO com o rosto levemente corado e o olhar úmido.
Ver o poderoso Dom Diogo com aquela expressão fez o assistente desviar o olhar imediatamente, temendo ter presenciado um momento de vulnerabilidade excessiva.
— Senhor, me chamou?
Alice secou as lágrimas de tanto rir, recuperou o fôlego e, seguindo as instruções da placa, ordenou: — Leve-me ao mezanino do segundo andar.
Sim, ela ia espiar suas "pretendentes" secretamente. Mas, conforme sua experiência com romances, ela já sabia que a escolhida seria a tal "maldita mulher".
Os dois foram para o mezanino, escondendo-se atrás de um enorme biombo decorativo e um vaso de planta alta, que cobria o rosto de Dom Diogo nas sombras. Dali, ele podia ver tudo o que acontecia no salão abaixo.
Alice olhou para baixo e quase não acreditou. Era um mar de cores exóticas; cabelos de todos os tons possíveis e, em alguns pontos, até "chuvas de pétalas" artificiais aconteciam.
O assistente começou a apresentação: — Aquela de cabelo rosa é Yasmin, a famosa Princesa Yasmin.
Ela estuda na Academia Elite e é a favorita da sua avó.
Mas, como ainda é estudante, talvez não tenham muito assunto. — No canto, de vestido vermelho, está a primogênita da família Cristal. Dizem que ela é a quinta melhor assassina no ranking mundial e já rendeu bilhões para a família dela.
Alice: — O quê?! Assassina?!
— O senhor esqueceu? O senhor é o número um do ranking mundial, a Princesa Yasmin é a sexta. Mas dizem que surgiu alguém muito forte recentemente, de codinome "Sombra", que não entra em rankings, mas cujas lendas correm o mundo.
Alice: "..."
Socorro! Os livros que eu lia tinham ranking de assassinos?
Ela pensou.
Puta merda, pior que tinham mesmo. Tinha ranking de assassinos e de influência das famílias.
Ela observou os quatro rapazes de cabelos coloridos perto de Yasmin e entendeu que tipo de "espécie" eles eram.
O assistente perguntou: — Quer que eu os apresente? Alice, seguindo o princípio de que se ela não passasse vergonha, a vergonha seria dos outros, assentiu: — Prossiga.
O assistente assumiu um tom solene: —
Thiago (Noite)
.
Herdeiro do Clã Noite, líder da facção [Extermínio], segundo melhor assassino do mundo e o colírio número um da Academia Elite. Nasceu em 22/02, 1,81m, 21 anos. Especialista em Karatê. Personalidade: Frio, implacável, arrogante. Marca registrada: Cabelo preto bagunçado.
Alice: "..."
—
Bernardo (Chama)
. Herdeiro do Clã Chama, segundo em comando da [Extermínio], quarto melhor assassino do mundo. Nasceu em 06/06, 1,80m, 21 anos. Especialista em Judô. Personalidade: Solar, mas agressivo e imprudente.
—
Lorenzo (Gelo)...
— Espera! — interrompeu Alice. O assistente olhou confuso. Alice apertou a própria coxa: — Preciso ir ao banheiro primeiro.
Antes que ele terminasse, ela saiu em disparada. No banheiro vazio, a risada maníaca de Alice ecoou por dez minutos. Quando saiu, ainda sentia pontadas no abdômen de tanto rir.
O assistente esperava no mesmo lugar: — Deseja que eu continue? — Não, não... — Alice acenou. Se ouvisse mais, morreria de rir ali mesmo.
Enquanto ela estava fora, um tumulto começou lá embaixo. Alice se inclinou e, no meio daquela confusão de cores, encontrou Arthur.
Ele estava no meio da multidão, com a camisa branca limpa novamente encharcada de vinho tinto, de cabeça baixa e em silêncio absoluto. Lorenzo, o de cabelo branco, estava à frente dele.
Mesmo de longe, Alice conseguia ouvir tudo perfeitamente (vantagens do mundo da ficção):
Lorenzo: — Beatriz, não passe dos limites. A Cristal nunca te fez nada.
Beatriz (de vermelho): — Eu simplesmente não suporto a cara dela.
Arthur (Cristal): — Minha mãe e eu já saímos da casa da família. O que mais vocês querem?
Beatriz: — Heh! Não importa se saiu. Se ousar aparecer na minha frente, vou te encharcar de vinho todas as vezes.
Enzo (Azul): — Pelo que sei, foi o pai de vocês que mentiu sobre ser casado para seduzir a mãe da Cristal. Você está sendo injusta.
Beatriz: — Enzo, você também vai defendê-la?
Enzo: — Beatriz, a pessoa que eu conhecia era bondosa, esperava até as formigas passarem para caminhar. O que houve com você?
Beatriz: — Você não entende o que eu passei!
Enzo: — Tratando uma estudante da Academia Elite assim em público, onde fica a honra do Clã Noite?
Alice: "..." Arthur: "..."
Arthur sentiu que estava sendo observado e olhou para cima, vendo Alice no mezanino. Ela estava curvada, e aquele rosto que Arthur tanto prezava estava completamente contorcido enquanto ela tentava não rir alto; o corpo dela chegava a tremer.
Arthur viu, incrédulo, Alice arrancar um pedaço da casca de uma árvore ornamental de tanto rir.
Ao sentir o olhar dele, Alice jogou o pedaço de casca no vaso e limpou as mãos, sentindo um pingo de remorso por estar se divertindo com a desgraça alheia.
De repente, Lorenzo segurou a mão de Arthur: — Quem disse que ela não tem par? O par dela para esta noite sou eu!
Arthur: "?? O quê?!"
Beatriz surtou: — Lorenzo! Como pode? Ela é apenas uma garçonete! Lorenzo: — Ela também é uma Cristal. Se você pode estar aqui, ela também pode.
Arthur soltou a mão de Lorenzo bruscamente.
Beatriz lançou um olhar de puro ódio para ele: — Olhe para ela! Feia, sem corpo, nem sequer tem um vestido decente. Você vai deixá-la dançar com você usando esse uniforme de servente?
Ei!
— Alice pensou, arregaçando as mangas (em pensamento).
Você está mentindo descaradamente! Eu sou a mulher mais linda do mundo e meu corpo é impecável!
Ela disse ao assistente: — Está vendo aquela garçonete? Ela será meu par para a primeira dança hoje à noite! — Vá agora e traga os vestidos mais deslumbrantes que existirem.
Eu vou mostrar para vocês quem é a verdadeira estrela deste banquete!