Err...
Como dizer isso de uma forma delicada?
Alice recolheu a mão, sentindo-se culpada. Sob o olhar furioso de Arthur, ela instintivamente ia levar a mão ao nariz para coçá-lo, mas no último segundo lembrou-se do que aquela mão acabara de tocar e a deixou cair rapidamente.
— É que... eu não tenho prática, sabe? — ela tentou se justificar.
O quão "sem prática" ela estava? Alice sentia vergonha só de olhar de relance, que dirá usar a mão para dar o suporte necessário.
Embora a coisa em si não parecesse tão monstruosa quanto as lições de "educação sexual" que suas amigas compartilhavam por curiosidade, para Alice, não era exatamente algo bonito de se ver.
No fundo, ela sentia uma pontinha de nojo em ter que segurar aquilo.
O nível de seu "nojo" era tanto que ela usava apenas o polegar e o indicador para segurar as laterais, mantendo os outros três dedos esticados para cima, recusando-se terminantemente a encostar qualquer outra parte da pele.
Se qualquer pessoa passasse por ali, juraria que ela tinha acabado de voltar de um curso de etiqueta tailandesa.
Arthur estava com o rosto totalmente fechado, sem querer dar uma palavra.
O vinho tinto pingava de seu cabelo e, em pouco tempo, a camisa branca de Alice ficou encharcada, tornando o tecido semitransparente e revelando mais do que deveria.
Alice não conseguiu ficar calada: — Ei, o que você está fazendo? Está aparecendo tudo!
Arthur jogou o cabelo molhado para trás, seu rosto transbordando um sentimento de "desisto da vida".
— Acabei de levar um banho de vinho de uma idiota lá fora.
Inegavelmente, ele parecia em um estado deplorável. Pensando nos clichês de novelas sobre o sofrimento da protagonista e comparando com sua vida atual em uma mansão com dezenas de empregados, Alice sentiu o peso da consciência aumentar.
Afinal, tecnicamente, era ela quem deveria estar passando por aquilo.
Mas as necessidades biológicas falavam mais alto. Alice corou: — Você... você poderia sair um minutinho? Eu ainda não fiz o que vim fazer.
Ela tinha se esforçado tanto para despachar os seguranças e assistentes para conseguir um momento de privacidade no banheiro, e agora o dono original do corpo aparecia bem no meio da operação!
Arthur olhou para baixo e avisou: — Eu estou te avisando: não ouse segurar o meu "parceiro" com essa pose fresca de novo.
Se alguém o visse naquela situação, o que pensariam dele? Para Arthur, sua dignidade era inegociável.
Alice: "..."
A essa altura do campeonato, ele ainda está preocupado com a pose?
Mas, diante do olhar implacável dele, ela cedeu. — Está bem. Sai logo.
Arthur ainda não estava tranquilo. Ele torceu o excesso de vinho do cabelo e foi até a pia para lavar as manchas de vinho tinto das mãos.
— Eu vou te ensinar como se segura.
Alice: "..."
Vendo a mão dele se aproximar, ela recuou um passo por puro reflexo e fechou os olhos com força. — O que... o que você vai fazer?
Arthur parou, achando a pergunta a coisa mais óbvia do mundo. — Te ensinar a segurar, ué. Se a posição estiver errada, a mira entorta. Se respingar na calça, é uma sujeira só. Com essa sua pose de agora, além de parecer ridícula, você vai errar o alvo com certeza. Você não quer sair daqui com a calça toda molhada, quer?
Alice: "..."
Obrigada por nada.
Arthur continuou: — Se você tem vergonha ou nojo de tocar nisso, eu seguro para você e você só precisa fechar os olhos e fazer o serviço.
Afinal, era o companheiro dele de vinte anos; ele jamais teria nojo.
Alice: "..." Ela achava que seu coração já estava blindado para o absurdo, mas depois de encontrar o dono do corpo, percebeu que sempre dá para piorar. Ela nem sabia o que dizer.
Enquanto ela estava em transe, o "companheiro" que crescera em Arthur, mas que agora estava nela, foi devidamente posicionado. A voz dele soou fria e técnica ao seu ouvido:
— Pronto. Pode começar.
Começar? Começar o quê? O quê começar?
Desta vez, quem entrou em colapso foi Alice. Ela estava quase chorando: — Cara, não faz assim. Eu não consigo desse jeito!
Arthur franziu a testa: — Então presta atenção em como eu estou segurando. Isso envolve a dignidade de um homem, não pode ser feito de qualquer jeito.
Alice: "..."
Que pecado eu cometi na vida passada?
No primeiro encontro, foram para a cama sem saber o nome um do outro. No segundo encontro, estavam discutindo a dignidade masculina em um mictório.
Vendo que Arthur não pretendia desistir da aula prática, Alice se rendeu em desespero: — Eu aprendo! Eu aprendo!
Ela abriu uma frestinha do olho e viu... a "si mesma" com o rosto sério e solene, segurando o "irmãozinho" de outra pessoa. Aquele impacto visual foi comparável ao fim do mundo.
Um grito agudo e repentino assustou Arthur. Ao levantar os olhos, viu o próprio rosto (em Alice) transbordando horror.
Arthur: "..." Alice gritou: — Como você pode usar as MINHAS mãos para tocar nesse tipo de coisa?!
Arthur: "..."
Esse tipo de coisa?
Que coisa?
Isso é a minha dignidade!!
Ele soltou as mãos com o rosto amarrado. — Quer que eu use as minhas mãos, então?
Mas isso ainda seria EU segurando!
, pensou Alice, em colapso total.
Os dois ficaram se encarando no banheiro até que a vontade avassaladora de urinar venceu o que restava da sanidade de Alice.
— Sai daqui! — Não... — insistiu Arthur. — Eu preciso garantir que você aprendeu.
Alice largou a mão de qualquer jeito: — Assim está bom? Se você não sair agora, eu vou explodir!
Arthur abaixou o dedo mindinho que ela insistia em manter levantado por reflexo e deu um meio sorriso de satisfação. — Assim mesmo. Mantenha a posição.
Alice: "..."
Ele saiu, mas parou na porta para um último aviso: — Não ouse levantar o dedo mindinho de novo!
Alice: "..."
Vá para o inferno!
Dois minutos depois, um grito de agonia ecoou pelo banheiro. Arthur correu de volta e encontrou Alice curvada, ofegante de dor.
Ele a amparou: — O que houve? Alice estava pálida: — Prendeu... prendeu no zíper...
Arthur: "..." Ele olhou para baixo e viu que o zíper da calça realmente tinha prendido a pele. Mesmo com toda a sua educação de elite, ele não resistiu a lançar um olhar de reprovação: — Como você pode ser tão descuidada? E se tivesse estragado?
Alice soltou um gemido de dor que atingiu sua alma. Ao ouvir as palavras dele, ela revirou os olhos.
Heh! Homens!
Ele só se preocupava se o "irmãozinho" estava intacto, sem dar a mínima se ela estava morrendo de dor.
Arthur agachou-se na frente dela: — Não se mexa. Deixa que eu cuido disso.
A cena era surreal demais para Alice processar. Se alguém entrasse ali, aquele seria, sem dúvida, o maior mico de sua existência. Sem concorrência.
Ding!
【Dom Diogo não esperava que, enquanto estivesse no banheiro, uma mulher invadisse o local. Ela estava encharcada de vinho, parecendo deplorável, mas nem isso escondia seu rosto angelical e... o contorno provocante sob a roupa úmida.】
【Uma mulher com roupas desalinhadas correndo para o banheiro masculino bem na frente de Dom Diogo. Ele não sentiu o menor constrangimento em ser visto; em vez disso, lançou um sorriso perversamente sedutor para ela.】
— Ai! — gritou Alice. — Cuidado! Cuidado! Está puxando a pele! — Bem feito — retrucou Arthur.
Alice: "..."
Que irritante! Já disse que não tenho prática!
Obviamente, Arthur estava muito mais preocupado com seu "companheiro" preso do que com Alice. Ele estava ajoelhado, totalmente concentrado em destravar o zíper, sem gastar um milímetro de atenção com ela.
Alice avisou: — Acho que eu tenho uma fala para dizer agora.
Arthur sabia que a placa estava ativa novamente e respondeu sem dar importância: — Diga.
No segundo seguinte, o queixo dele foi erguido por uma mão.
Ele foi forçado a olhar para o próprio rosto.
Eu realmente sou bonito...
, pensou Arthur. Mesmo naquele ângulo desfavorável, ele continuava impecável.
Então, aquele rosto charmoso abriu um sorriso composto por três partes de rebeldia, três partes de indiferença e quatro partes de malícia.
— Garota, está satisfeita com o que está vendo?
Arthur: "????"