A expressão dele estava péssima.
Arthur percebeu que podia se mover novamente e, por puro reflexo, segurou a cadeira atrás de si.
A palma de sua mão pressionou a borda da madeira, e o pequeno corte de antes latejou com o contato.
O tempo parecia ter desacelerado. O que parecia um movimento simples era, na verdade, um confronto silencioso entre ele e as regras daquele mundo.
Arthur baixou o olhar, sentindo o coração bater freneticamente — não por nervosismo, mas pelo choque causado pelo retrocesso temporal.
Ele não sabia se aquele corpo tinha alguma doença congênita e não queria arriscar a vida de outra pessoa. Sua mão relaxou sobre a cadeira, sinalizando sua rendição às regras.
— Primeiro: meu nome não é "gatinha", eu sou um ser humano. Segundo: gatinhas não arranham por nada; se ela arranhou, é porque vocês a provocaram. Quem maltrata animais é um monstro!
— Heh! Interessante... — disse Enzo. — Então realmente existe alguém que acredita que gatinhas não arranham.
Arthur revirou os olhos e permaneceu em silêncio absoluto.
— Thiago... — uma garota de cabelos rosa entrelaçou o braço no do rapaz de cabelos pretos, encarando Arthur com um olhar hostil. — Quem é ela?
Thiago lançou um olhar rápido para Arthur e desviou em seguida, respondendo friamente: — Não conheço.
— Lorenzo, Enzo, Thiago, Bernardo... — continuou a garota. — Vocês vieram me procurar?
Arthur afundou na cadeira. Seu constrangimento era tanto que ele sentia que poderia construir um castelo inteiro apenas com os dedos dos pés.
De onde vinham esses nomes ridículos? O que ele fizera na vida passada para merecer esse castigo?
Infelizmente, ninguém respondeu. Preso pelas regras, ele não podia fugir, então fechou os olhos para ignorar a realidade. Mas as vozes continuavam invadindo seus ouvidos.
— Yasmin, viemos avisar que o banquete de boas-vindas de Dom Diogo é hoje à noite. Não se esqueça.
Dom Diogo...
O nome soou familiar. Arthur lembrou-se instantaneamente do rosto no telão e daquela descrição absurda sobre a mandíbula afiada que quase furou o terno.
Ele se empertigou na cadeira. Independentemente de o terno ter sido furado ou não, ele percebeu que aquele banquete era a chance perfeita para encontrar a garota que estava em seu corpo.
Lorenzo notou o movimento e, achando que ele estava interessado, comentou:
— O quê? Também quer conhecer o lendário Dom Diogo? Eu poderia te levar a qualquer lugar, mas Dom Diogo é o homem mais poderoso do mundo. O banquete dele é exclusivo para a elite corporativa, como nós. Quanto a você...
【O Príncipe Lorenzo pensou que Cristal estivesse interessada em Dom Diogo. Ele mal sabia o que havia acontecido entre os dois em segredo, ou como aquele homem poderoso fora selvagem com ela. De Dom Diogo, ela só queria distância.】
【Além disso, ela tinha coisas mais importantes a fazer.】
O rosto de Arthur escureceu ainda mais. Todos os seus planos eram sabotados por aquela maldita placa. Sentir-se controlado daquela forma era degradante.
— Se você realmente faz questão de ir, eu poderia tentar... — começou Lorenzo.
— Não precisa — interrompeu Arthur. — Eu tenho um trabalho de meio período hoje à noite.
Sim, mesmo tendo passado a noite com o homem mais rico do mundo, ele ainda era uma universitária "pobre" que morava em uma cobertura de duzentos metros quadrados e precisava fazer bicos. Havia tantos absurdos naquilo que ele nem sabia por onde começar a reclamar.
Enquanto Arthur surtava, o dia de Alice estava sendo maravilhoso.
Ela acordou em uma cama imensa, admirou sua beleza impecável no espelho, assinou contratos de milhões de dólares e passou a tarde no topo do edifício mais alto da cidade, observando seu império.
O assistente estava de pé atrás dela, suando frio: — Senhor... Senhor Diogo... não a encontramos.
Alice cruzou as pernas na cadeira de couro e balançou os pés alegremente onde o assistente não podia ver. Era normal não encontrar; em novelas, a busca costuma durar pelo menos uns trinta capítulos.
— Descobrimos que as câmeras do hotel estavam quebradas naquele dia — continuou o assistente. — Ninguém viu nada suspeito. Ela parece ter surgido e desaparecido como fumaça.
【Dom Diogo não acreditava que ele, o homem mais influente do planeta, não conseguia encontrar uma mulher. Se isso vazasse, onde ficaria sua honra?】
Alice pegou uma taça de vinho tinto, girou-a elegantemente e deu seu ultimato com voz sombria: — Dou a você mais um mês. Se não a encontrar, sua cabeça irá rolar. — Heh! — Alice soltou um riso sinistro. — Quantas mulheres não dariam tudo para estar na minha cama? Esse joguinho de se fazer de difícil é apenas para atrair minha atenção. Devo admitir, ela é habilidosa. Realmente me interessou.
Ela se levantou e olhou para a cidade através da janela, deixando sua voz profunda de barítono ecoar: — Procurem. Cavem até o centro da terra se for preciso, mas tragam essa mulher até mim!
Às vezes, a cooperação excessiva da protagonista também deixava a placa flutuante sem saber como reagir.
A noite chegou e o hotel de luxo estava resplandecente. Arthur, no corpo de Alice, estava com o rosto inexpressivo enquanto segurava uma bandeja.
As instruções do supervisor entravam por um ouvido e saíam pelo outro. Ele já estava irritado o suficiente sem precisar ouvir o quão ricos eram os convidados.
Ele foi enviado para servir bebidas. Ao olhar para o salão, sentiu que estava em uma convenção de cores: cabelos de todos os tons, pétalas de cerejeira e rosas flutuando magicamente pelo ar... Era um cenário explosivo de tão ridículo.
Arthur apertou um copo com tanta força que ele estraçalhou.
Agora sim, algo explodiu
, pensou ele.
Olhando para os cacos e para o novo corte em sua mão, ele pediu desculpas mentalmente à dona do corpo e agachou-se para limpar a sujeira.
— Ora, ora... o que temos aqui? — uma voz arrogante soou acima dele. Arthur olhou para cima e viu uma garota impecavelmente vestida. — Se não é a filha bastarda e abandonada da família Cristal.
【Cristal não esperava encontrar sua meia-irmã ali. Os olhares de desprezo ao redor feriam seu coração como flechas de gelo. Ela queria gritar que sua mãe fora enganada, que não era uma amante.】
【Mas ela sabia que ninguém acreditaria.】
【Ela não podia chorar. Ela era a garota mais forte do mundo. Como sua mãe dizia, ela era um girassol que sorria para a tempestade.】
— Tsc... — resmungou a "garota mais forte do mundo" em um sussurro inaudível.
A mulher se inclinou e sussurrou: — E então, gostou do presente que a maninha te deu? Escolhi a dedo: um velho de quase sessenta anos. Espero que tenha aguentado o tranco...
Arthur levantou o olhar bruscamente: — Foi você quem me drogou?
— Que droga? — a mulher sorriu. — Foi apenas um presente. — Ela virou a taça de vinho sobre a cabeça de Arthur.
Arthur sentiu seu corpo perder o controle novamente. Ele viu o líquido descendo, mas ficou paralisado.
Se pudesse, teria esmagado a bandeja na cara dela, mas, em vez disso, suas lágrimas começaram a rolar descontroladamente e ele foi forçado a correr, soluçando, em direção aos banheiros.
Ele viu seu corpo atravessar o salão luxuoso, virar no corredor e... entrar no banheiro masculino. Antes mesmo de processar que agora estava no corpo de uma mulher, ele já estava lá dentro.
E deu de cara com Alice (no corpo dele), que estava ocupada "esvaziando o tanque".
Arthur entrou em choque. Arthur entrou em colapso.
A primeira frase que ele disse no segundo encontro deles foi:
— QUEM TE ENSINOU A SEGURAR MEU IRMÃO DESSE JEITO?!