Dez minutos depois, os dois estavam sentados na cama, cada um agarrado ao seu próprio lençol, encarando-se mutuamente. O ar estava saturado de um constrangimento palpável.
Após a batalha frenética da noite anterior, as roupas estavam todas espalhadas aos pés da cama. Eles se escondiam sob os lençóis, protegendo corpos que não lhes pertenciam; ninguém se atrevia a descer para recolher as vestes.
Alice sentia, na base das coxas, aquela vitalidade matinal típica de qualquer homem saudável. Ela manteve as pernas fechadas o máximo que pôde, morrendo de vergonha a ponto de desejar cavar um buraco e se esconder.
Secretamente, ela abriu uma frestinha no lençol. Não viu sua "irmãzinha" de sempre; em vez disso, havia um "irmãozinho" ali, saudando-a. Conforme ela respirava, os músculos do abdômen se moviam ritmadamente.
Ela não resistiu e passou a mão de leve.
Caramba! Um tanquinho de seis gomos!
Enquanto isso, Arthur sentia o corpo todo dolorido, com uma expressão completamente vazia.
Será que ontem... tinha sido tão intenso assim?
Ele também não aguentou e espiou por baixo do lençol.
O "parceiro" que o saudava todas as manhãs tinha sumido. Em seu lugar, havia duas colinas firmes e delicadas, e em uma delas parecia haver uma leve marca de dentes.
Ele que tinha mordido.
Arthur cobriu-se bruscamente, com o rosto ainda mais catatônico.
Sua castidade de mais de vinte anos... tinha ido para o ralo. Tinha acabado. Sumido.
"Aquel... aquele..."
Alice foi a primeira a quebrar o silêncio. "Aquele... eu... você..."
Depois de duas palavras, ela perdeu o fio da meada. Era tudo muito delirante. Ela nunca tinha vivido algo tão surreal. Primeiro o acidente, depois ser drogada misteriosamente, ir para a cama com um estranho e, ao acordar, ter trocado de corpo?
O mais absurdo era que, apesar de se lembrar da batida, a "ela" sentada ao seu lado parecia intacta, sem um arranhão sequer.
Antes que pudesse organizar os pensamentos, o som de "ding-dong" em sua mente ficou ainda mais alto. Como se quisesse chamar sua atenção, a placa transparente que flutuava sobre sua cabeça desde que acordara ganhou uma borda vermelha brilhante. Ela olhou para cima e leu:
【Após uma noite de paixão, Dom Diogo olha para o lugar vazio ao seu lado na cama. Relembrando o sabor da noite anterior, um olhar composto por três partes de frieza, três partes de sarcasmo e quatro partes de indiferença cruza seus olhos profundos. Ele solta um sorriso sinistro e sedutor, e pula da cama.】
Alice: "???"
Que diabos era aquilo?
Ela acenou com a mão, mas seus dedos atravessaram a placa.
Ela apontou para o topo da própria cabeça e perguntou a Arthur: "Você consegue ver uma placa transparente com borda vermelha em cima de mim? Tem um texto escrito..."
Arthur olhou instintivamente para onde ela apontava. Não havia nada além de ar. Ele balançou a cabeça, confuso.
Alice ficou ainda mais perdida. O barulho em sua mente continuava, e ela notou que algumas linhas de texto na placa ficaram em negrito, enquanto uma nova instrução surgia:
【Incompatibilidade de cenário detectada! Execute imediatamente! Execute imediatamente!】
【...Dom Diogo olha para o lugar vazio ao lado na cama... um olhar com três partes de frieza, três partes de sarcasmo e quatro partes de indiferença... Ele solta um sorriso sinistro e pula da cama.】
Aquelas descrições familiares, aquele clichê clássico... Anos lendo webnovelas diziam a ela que as coisas não seriam tão simples.
【Detectada falha na execução! Ocupante não reagiu. Aplicando punição.】
【Contagem regressiva: Dez, nove, oito... quatro, três...】
Alice: "!!"
Espera aí!
Seus olhos se arregalaram e, no segundo seguinte, uma descarga elétrica percorreu sua cabeça até os pés.
Ela rolou na cama de dor, assustando Arthur, que instintivamente tentou segurá-la. O lençol escorregou dos ombros dele, revelando um ombro delicado e o contorno de um seio. Ele ficou vermelho de vergonha, tentando puxar o lençol com uma mão enquanto ainda tentava segurar Alice com a outra, numa pose extremamente desajeitada.
"O que você tem?!"
As letras na placa sobre Alice ficaram de um vermelho quase preto e gigantescas:
【DOM DIOGO OLHA PARA O LUGAR VAZIO AO LADO NA CAMA!!!】
Ela se apoiou nos braços, olhando para Arthur com dificuldade, e disse:
"Eu acho que... você precisa dar o fora daqui. Agora."
O Retorno
Arthur nem teve tempo de entender o que estava acontecendo antes de ser forçado a fugir do hotel no corpo de Alice.
O sol lá fora estava escaldante. Em pouco tempo parado na rua, ele já estava coberto de suor frio. Ele procurou a sombra de uma árvore e abriu a mão. Na palma daquela mão macia e branca, havia uma sequência de números escrita às pressas.
Em transe, ele ainda conseguia visualizar a cena de Alice à sua frente, usando o corpo dele de forma nada convencional e ignorando o próprio desconforto para anotar aquele telefone.
Ele não decorou o número, mas a imagem de Alice controlando seu corpo masculino causou um impacto psicológico imenso em Arthur.
Droga! Mas que loucura é essa!
Frustrado, ele tentou passar a mão pelo cabelo e acabou agarrando uma longa cabeleira sedosa. A franja, molhada de suor, grudava na testa. Ele simplesmente puxou tudo para trás, revelando olhos brilhantes.
Nesse momento, ele viu uma placa transparente flutuar à sua frente com algumas linhas de texto:
【Após a noite fatídica, Cristal olha para o homem adormecido ao seu lado e entra em pânico. Ela foge do hotel sem rumo.】
【Seus cabelos macios deslizam pelo rosto, tornando-se instantaneamente de um azul melancólico, refletindo seu estado de espírito.】
【Ela abraça os joelhos e se agacha no chão, chorando desamparadamente.】
Arthur: "..."
Que porcaria era aquela?
Ele se apoiou no tronco da árvore, encarando a placa flutuante com total confusão, questionando se sua visão tinha pifado de vez.
Então, sua atenção foi atraída para um telão gigante do outro lado da rua.
Ele viu a si mesmo na tela.
Era uma notícia. Dezenas de seguranças de terno preto e óculos escuros formavam duas fileiras ao lado de carros de luxo de edição limitada. Um mordomo abria a porta de forma elegante, revelando aquele rosto que ele conhecia tão bem.
O repórter segurava o microfone com entusiasmo: "Notícia de última hora! Nosso CEO, Dom Diogo, finalmente retornou ao país! Hoje, todo o aeroporto foi bloqueado apenas para recebê-lo. O homem que vive nas lendas finalmente revelou seu rosto misterioso para nós."
A câmera focou no homem que acabara de descer do carro.
O repórter continuou, empolgado: "Inigualável, Dom Diogo! O homem aclamado como o mais atraente do mundo. Ah! Olhem para aquele rosto esculpido, aquela mandíbula perfeita, aquele olhar profundo e cativante... Meu Deus! Como pode existir um homem tão bonito? Ele é a obra-prima do Criador!"
"E o detalhe: ele não é apenas bonito, é podre de rico. Tornou-se o herdeiro do maior império corporativo ainda muito jovem e, em apenas dois anos, transformou-se em um dos bilionários mais influentes do mundo."
"Agora, vamos tentar nos aproximar de Dom Diogo para uma entrevista."
O repórter tentou avançar, mas foi parado pelos seguranças em dois passos. Ele gritou: "Senhor Diogo, teria a honra de uma entrevista?"
O homem parado junto ao carro ouviu a voz e virou-se. Sua mandíbula afiada quase pareceu furar o tecido de seu terno preto exclusivo. Ele deu um sorriso frio, o olhar transbordando desprezo, e abriu os lábios finos:
"Humpf! Você acha que está no meu nível para falar com Dom Diogo?"
Arthur: "..."
Quem diabos era aquele? Por que alguém estava usando o rosto dele para fazer esse tipo de papelão?
O que ele fez para merecer testemunhar uma cena tão... "elegante"?
Arthur fechou os olhos com força, sentindo que só podia estar sonhando. Mas as pessoas ao redor começaram a se aglomerar, e os comentários não paravam de chegar aos seus ouvidos.
"Meu Deus, o CEO Diogo voltou!" "É ele mesmo? Aquele que dizem que sabia atirar com um ano de idade, resolvia cálculos avançados aos três, era o maior hacker do mundo aos dez e já tinha seu próprio império comercial aos quinze?" "Que rosto magnífico, que corpo sedutor, que personalidade indomável... Hoje será mais uma noite de insônia por causa de Dom Diogo."
Arthur: "..."
Devido à longa negligência, a placa transparente sobre sua cabeça começou a ganhar uma borda vermelha, e as letras ficaram mais escuras.
【Seus cabelos macios deslizam pelo rosto, tornando-se instantaneamente de um azul melancólico, refletindo seu estado de espírito.】
【Ela abraça os joelhos e se agacha no chão, chorando desamparadamente.】
Arthur, que recebera uma educação de elite a vida toda, obviamente nunca tinha lido novelas "Mary Sue" antigas.
Ele encarou a placa com seriedade e entendeu imediatamente o que a garota com quem trocou de corpo no hotel quis dizer.
Mas o que aquilo significava? O que queriam que ele fizesse agora?