《Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido》CAPÍTULO 23

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A equipe de resgate de Ricardo estabeleceu uma subsede na pequena cidade. 

Durante o dia, Clara atendia no hospital e, ao entardecer, ia para a base treinar os novos recrutas em técnicas de primeiros socorros.

A vida era calma como uma tarde sem vento sobre o oceano.

Ela pensou que aquele confronto no corredor teria sido a última loucura de Bernardo. 

Ela estava enganada. 

Aquilo fora apenas o prelúdio do colapso de um homem obsessivo.

Na tarde de quarta-feira, Clara saiu do hospital preparada para ir ao supermercado comprar alguns ingredientes. 

Ricardo lideraria um treinamento no mar naquela noite, e ela queria preparar um lanche para quando ele voltasse. 

Ao chegar na esquina do estacionamento, um sedã preto avançou bruscamente, freando de repente diante dela.

A porta se abriu e dois homens robustos de óculos escuros saltaram, tapando a boca dela com agilidade e arrastando-a para dentro do veículo. 

Todo o processo durou menos de dez segundos. Clara lutou desesperadamente, cravando as unhas no braço de um deles, mas recebeu um golpe na nuca. Tudo escureceu.

Ao acordar, sentiu um cheiro familiar: uma mistura de ferrugem com o odor fétido da água do mar. 

Sua visão ficou borrada por alguns segundos antes de ganhar nitidez. 

Ela estava deitada no chão gélido, sob uma cúpula conhecida, cercada por decorações em ruínas. Era o salão de festas que outrora fora luxuoso. Aquele navio.

Bernardo estava parado diante dela, de costas para uma imensa janela panorâmica. 

Do lado de fora, o mar profundo e a penumbra do crepúsculo transformavam sua silhueta em um contorno de puro desespero.

— Acordou? — Ele se virou, com uma calma que beirava o delírio. — Nossa viagem de núpcias ainda não terminou.

Clara se apoiou para levantar, sentindo o corpo frio:

— Bernardo, você enlouqueceu.

— Sim, eu enlouqueci. — Ele se agachou, tentando tocar o rosto dela. Clara desviou a cabeça e os dedos dele pararam no ar, tremendo levemente. — Desde o dia em que você "morreu", eu perdi o juízo.

Ele recolheu a mão, com o olhar vazio:

— Três anos. Mais de mil dias e noites me arrependendo a cada segundo. Clara, me dê uma chance, vamos recomeçar. Exatamente aqui, vamos concluir aquela viagem.

— Impossível — Clara disse de forma categórica. — Eu já me casei.

— Com o Ricardo? — Bernardo riu, um som rouco. 

— Ele te salvou, te acompanhou por três anos, e por isso você acha que ele é melhor do que eu? Mas Clara, há quantos anos nós nos conhecemos? Desde que você tinha dezesseis até os vinte e seis! Dez anos! Quantas décadas uma pessoa tem na vida?!

Ele agarrou os ombros dela subitamente, com tanta força que os ossos dela doeram:

— Com que direito você decide que não me quer mais, assim do nada? Com que direito?!

Clara olhou nos olhos injetados dele e, de repente, sentiu uma profunda tristeza.

— Bernardo, você ainda não entendeu. — Ela falou cada palavra pausadamente: — Não fui eu quem decidiu não te querer; foi você quem me descartou primeiro.

— Vez após vez, você escolheu a Letícia, escolheu o seu orgulho, escolheu todo mundo, menos a mim. — Ela respirou fundo, contendo o nó na garganta. — Você não quis nem mesmo o nosso filho.

As mãos de Bernardo afrouxaram.

— Filho?

— Sim, filho. — Clara sorriu, mas as lágrimas caíram. — Eu estava grávida. No navio, antes de ser arrastada e jogada ao mar por você, eu carregava um filho seu.

Ela viu a expressão de Bernardo se despedaçar centímetro por centímetro.

— Eu sabia que você era estéril. Por isso escondi de você, com medo de que ficasse triste. Mas, por ironia do destino, eu engravidei. O médico disse que era um milagre, um presente dos céus para nós.

Sua voz tremia:

— Eu planejava te contar assim que a viagem terminasse. Eu queria ver sua cara de surpresa, queria ver você me abraçando e dizendo "vou ser pai". Mas Bernardo... — Ela levantou a mão, limpando as lágrimas com força. — Foi você quem o matou com as próprias mãos. Quando você me jogou no mar, ele estava chorando no meu ventre, sabia? Eu conseguia sentir ele desaparecendo.

— Suas mãos estão sujas com o sangue do seu próprio filho!

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