《Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido》CAPÍTULO 22

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Ela se virou para partir.

Subitamente, Bernardo a abraçou por trás, com os braços apertando-a com uma força desesperada, enquanto lágrimas quentes caíam no pescoço dela:

— Clara, eu errei, eu realmente errei. Por favor, me perdoe, me dê uma chance, apenas uma. Eu não posso viver sem você. Nesses três anos, minha vida tem sido um inferno, eu me arrependo todos os dias...

— Solte-a.

A voz de Ricardo ecoou do outro lado do corredor.

Clara levantou o olhar e viu Ricardo aproximando-se a passos largos, com o rosto sombrio, seguido por alguns companheiros da equipe de resgate.

Bernardo não a soltou; pelo contrário, apertou-a ainda mais:

— Ela é minha esposa!

— Ex-esposa. — Ricardo parou diante dele, com uma voz calma, mas carregada de uma pressão indiscutível.

— E, além disso, é a ex-esposa que você abandonou, feriu e quase matou com as próprias mãos.

Ele estendeu a mão, segurou o pulso de Bernardo e o afastou centímetro por centímetro.

A força era tamanha que Bernardo, sentindo dor, foi obrigado a soltá-la. Ricardo protegeu Clara atrás de si, posicionando-se como uma muralha entre ela e Bernardo.

— Senhor Bernardo, hoje é o meu casamento com a Clara. Você não é bem-vindo aqui. — Ricardo o encarava com um olhar afiado. — Por favor, retire-se.

Bernardo olhou para ele, depois para Clara atrás dele, e de repente riu:

— Quem você pensa que é? Você a conhece? Sabe quantos anos de história nós temos? Há quanto tempo você a conhece? Com que direito você se intromete?

— Com o direito de ser o marido dela — Ricardo o interrompeu, pausadamente.

— Com o direito de tê-la salvo quando ela estava no auge do desespero. Com o direito de tê-la acompanhado durante esses três anos para superar a dor. Com o direito de ela ter aceitado se casar comigo e de ter acabado de dizer, com as próprias palavras, que agora vive muito bem.

Ele deu um passo à frente, e sua estatura superior obrigou Bernardo a olhar para cima:

— E você, Bernardo? Além de feri-la, o que mais você já fez por ela?

Bernardo empalideceu, seus lábios tremiam, mas as palavras não saíam.

— Em respeito ao dia mais feliz da nossa vida, não vou erguer a mão contra você — disse Ricardo com a voz gélida.

— Mas se você voltar a importunar minha esposa, não me importarei em mostrar a você a "hospitalidade" da nossa equipe de resgate.

Atrás dele, os companheiros robustos deram um passo à frente com olhares hostis. Bernardo olhou para Clara, protegida pelas costas de Ricardo.

Ela segurava firmemente a barra da roupa de Ricardo, e o olhar que dirigia a ele continha apenas aversão e indiferença. Não havia um pingo de saudade.

Naquele momento, Bernardo finalmente entendeu. Ele a perdera completamente. Não foi no dia em que ela caiu no mar.

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Foi muito antes, quando ele escolheu a Letícia vez após vez, quando ignorou os sentimentos dela vez após vez, quando a empurrou para o abismo vez após vez.

Ele já a havia perdido há muito tempo, mas fora tolo o suficiente para acreditar que ela estaria sempre no mesmo lugar esperando por ele.

— Clara... — ele chamou uma última vez, com a voz quebrada.

Clara desviou o rosto, sem olhar para ele. Ricardo envolveu os ombros dela e virou-se para sair.

— Escoltem o Senhor Bernardo até a saída.

Os companheiros da equipe cercaram Bernardo, "convidando-o" a sair de forma educada, porém firme.

O corredor recuperou o silêncio. Ricardo levou Clara para um terraço deserto; a brisa do mar soprava, trazendo o aroma salino da água.

— Você está bem? — ele perguntou suavemente.

Clara balançou a cabeça e aninhou-se no peito dele:

— Desculpe por estragar o casamento.

— Bobagem — Ricardo a abraçou apertado. — Quem deveria pedir desculpas é ele.

Após um momento de silêncio, Clara disse baixinho:

— Eu pensei que nunca mais o veria nesta vida.

— Não verá mais — Ricardo beijou o topo da cabeça dela. — Enquanto eu estiver aqui, ninguém mais poderá te ferir.

Clara olhou para ele. Sob o luar, o olhar dele era firme e terno. Ela sentiu, subitamente, que o passado realmente havia ficado para trás. Como um pesadelo que acaba quando o dia amanhece.

— Ricardo.

— Sim?

— Obrigada.

— Não precisa agradecer, você é minha esposa.

Clara sorriu, ficou na ponta dos pés e beijou os lábios dele:

— Vamos voltar, os convidados estão esperando.

Os dois voltaram de mãos dadas para o salão de festas. A música continuava, os risos permaneciam. Era como se aquele interlúdio desagradável nunca tivesse acontecido.

Enquanto isso, do lado de fora do hotel, Bernardo estava sentado no carro, olhando para a janela iluminada por uma luz quente.

Ele viu Clara e Ricardo dançando abraçados, viu o sorriso radiante dela e como ela encostava o rosto no ombro de Ricardo com total dependência e paz.

Aquilo era algo que ele nunca dera a ela. Talvez, ele nunca tivesse sido digno de possuir.

No terraço, Clara e Ricardo estavam lado a lado, observando as luzes de um carro se afastando.

— Ele voltará? — perguntou Ricardo.

— Não importa mais — Clara encostou a cabeça no ombro dele e disse suavemente:

—Agora eu tenho você.

O som das ondas era constante e o luar banhava a superfície do mar. E também banhava as mãos deles, firmemente unidas.

O anel brilhava sob a lua com uma luz suave e serena.

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