《Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido》CAPÍTULO 20

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O dia em que Ricardo levou Clara para sua cidade natal foi um dia de sol suave. 

A família dele morava em um bairro antigo de uma pequena cidade litorânea, em uma casa de dois andares com um pequeno quintal repleto de flores, plantas e uma antiga mangueira.

Assim que o carro parou, Dona Marisa saiu correndo de casa com o avental amarrado à cintura e um sorriso radiante no rosto:

— Chegaram, chegaram! O Ricardo avisou por telefone que vocês chegariam ao meio-dia, comecei a preparar o ensopado logo cedo!

O Sr. Walter vinha logo atrás, ainda segurando o jornal, com os óculos apoiados na testa e um sorriso bondoso:

— Entrem logo, o vento está forte lá fora.

Clara, um pouco sem jeito, segurava os presentes enquanto Ricardo passava o braço suavemente por seus ombros.

— Pai, mãe, esta é a Clara.

Dona Marisa segurou as mãos de Clara, observando-a de cima a baixo, e seus olhos subitamente ficaram marejados:

— Minha querida, você sofreu tanto...

Clara ficou paralisada por um instante. Ricardo disse baixinho:

— Eu contei aos meus pais sobre o que aconteceu, eles ficaram com o coração partido por você.

— Por que está falando disso agora! — O Sr. Walter deu uma bronca leve no filho e virou-se para Clara com doçura: — Clara, de agora em diante, esta é a sua casa. Sinta-se à vontade, sim?

O almoço foi farto, com todos os pratos especiais de Dona Marisa. A comida no prato de Clara parecia uma pequena montanha, e Dona Marisa não parava de servir mais:

— Coma bastante, veja como você está magrinha. Volte sempre, a "mãe" vai cuidar de você.

A palavra "mãe" fez o nariz de Clara arder. Fazia muito tempo que ela não ouvia esse tratamento com tanto afeto.

Após a refeição, Dona Marisa levou Clara para tomar sol no quintal e mostrou álbuns de fotos de Ricardo quando criança.

— Veja esta aqui, aos cinco anos. Ele caiu no mar, e quando foi resgatado nem teve medo; disse que um dia também salvaria pessoas.

— E esta, aos dezessete, no seu primeiro treinamento de resgate. Estava queimado de sol como um carvão.

Dona Marisa tagarelava alegremente quando, de repente, segurou a mão de Clara:

— Clara, o Ricardo me contou tudo. Aquelas coisas ficaram no passado. Agora você tem a nós e ao Ricardo para te proteger. Ninguém nunca mais vai te maltratar.

As lágrimas de Clara caíram sem aviso. Dona Marisa a abraçou gentilmente, dando tapinhas em suas costas como se acalmasse uma criança:

— Pode chorar, faz bem colocar para fora. Daqui para frente, vamos viver uma vida boa juntos.

Naquela noite, Clara dormiu no antigo quarto de Ricardo. Os lençóis tinham cheiro de sol. 

A luz da lua brilhava intensamente pela janela, e era possível ouvir o som distante das ondas. 

Deitada naquela cama desconhecida, ela sentiu uma paz que nunca experimentara antes.

O casamento foi marcado para um mês depois. Clara não queria uma grande celebração, e Ricardo respeitou seu desejo. 

Organizaram apenas cerca de dez mesas no gramado de um hotel à beira-mar na pequena cidade. 

Não havia muitos convidados: apenas os parentes de Ricardo, os colegas da Equipe de Resgate e alguns amigos que Clara fizera na corporação.

O vestido de noiva foi escolhido com a ajuda de Dona Marisa: um modelo de cetim simples, sem muitos ornamentos.

— Está linda — disse Dona Marisa, ajustando o véu enquanto as lágrimas voltavam a cair. — Minha filha está maravilhosa.

A cerimônia foi simples. Na hora de trocar as alianças, as mãos de Ricardo tremiam.

— Clara, você aceita Ricardo como seu esposo, para amá-lo, respeitá-lo e acompanhá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até o fim de suas vidas?

Clara olhou nos olhos de Ricardo; neles, viu uma ternura e uma determinação que nunca encontrara em outro lugar.

— Aceito.

Sua voz não foi alta, mas foi muito nítida.

Ricardo respirou fundo, colocou o anel no dedo dela e a abraçou apertado, sussurrando em seu ouvido:

— Clara, eu vou cuidar de você com todo o meu amor pelo resto da vida.

Os aplausos ecoaram e as gaivotas sobrevoaram o local. 

Clara aninhou-se no peito dele, sentindo, pela primeira vez, que a felicidade podia ser algo real e tangível.

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