《Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido》CAPÍTULO 19

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Meio mês depois, na Ilha do Luar.

Ricardo entregou um tablet a Clara. Na tela, passava o vídeo de um funeral. 

Clara vestia uma camiseta branca simples e calça jeans; seu cabelo estava curto, preso de forma prática atrás da cabeça. 

Os ferimentos em seu rosto já haviam cicatrizado quase completamente, restando apenas uma cicatriz clara e fina na têmpora.

Ela pegou o tablet e assistiu em silêncio. 

Viu Bernardo ajoelhado diante da lápide, chorando amargamente. Viu os rostos exaustos e arrependidos de seus pais. 

Viu as pessoas que antes a insultavam agora derramando lágrimas por ela.

— Como se sente? — Ricardo sentou-se ao lado dela e entregou-lhe um copo de água morna. — Qual é a sensação de assistir ao próprio funeral?

Clara terminou de ver o último segmento, desligou o vídeo e colocou o tablet de lado. Ela olhou pela janela. O céu da Ilha do Luar era muito azul, o mar era cristalino e, ao longe, gaivotas sobrevoavam as águas.

— É bom estar morta — disse ela.

Sua voz era suave, mas muito nítida.

Ricardo a observou. Clara virou o rosto e esboçou um pequeno sorriso para ele. 

Foi a primeira vez, desde o renascimento, que ele viu nela um sorriso tão leve e genuíno.

— É sério — continuou ela. — A antiga Clara morreu. Eu, agora, sou uma pessoa totalmente nova.

Ela se levantou, foi até a janela, abriu os braços e respirou profundamente a brisa do mar.

— Ricardo, quero me juntar à Equipe de Resgate Céu Azul.

Ricardo ficou surpreso por um momento:

— Tem certeza? É um trabalho árduo e muito perigoso.

— Absoluta — Clara olhou para ele, com um brilho nos olhos. — Minha vida foi salva por vocês. Quero usar esta vida para salvar mais pessoas. E também... — Ela fez uma pausa. — Sou médica. Em resgate marítimo, minha profissão se encaixa perfeitamente.

Ricardo a encarou por um longo tempo e, finalmente, sorriu.

— Certo. Bem-vinda à equipe.

Três anos depois.

Em algum ponto do Mar Mediterrâneo, no acampamento temporário da Equipe de Resgate Céu Azul.

Clara acabara de descer de um helicóptero de resgate, vestindo seu uniforme profissional, com o rosto cansado, mas exibindo um sorriso de satisfação. 

Havia acabado de concluir uma busca e salvamento marítimo que durou doze horas, resgatando com sucesso sete tripulantes em perigo.

— Doutora Clara, você foi incrível! — Um jovem membro da equipe aproximou-se. — Aquela punção torácica foi rápida e precisa! O médico do navio disse que, se não fosse por você, aquele homem não teria chegado vivo ao hospital.

Clara sorriu:

— Apenas o básico.

Ela tirou o uniforme de resgate, caminhou até a borda do acampamento e observou a linha do horizonte. Três anos se passaram. Ela seguira a equipe de Ricardo pelos mares mais perigosos do mundo. 

Salvara pescadores atingidos por tsunamis, passageiros de cruzeiros naufragados e refugiados à deriva. Cada vez que arrancava uma vida das mãos da morte, sentia que ela própria vivia um pouco mais.

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— Clara — Ricardo aproximou-se com duas latas de café e entregou uma a ela. — Cansada?

— Estou bem — ela aceitou o café e abriu a lata. — Muito melhor do que na minha primeira missão.

Ela se lembrava da primeira vez que participou de um resgate, no Atlântico Norte. 

O mar estava agitado e ela mareou terrivelmente, mas persistiu até completar os primeiros socorros. Ao final, Ricardo dissera a ela: "Clara, você nasceu para fazer isso."

— Tem algo que eu queria te dizer — Ricardo tomou um gole de café, olhando para o mar.

— Hum?

— No mês que vem, serei transferido de volta para a sede. Vou cuidar da coordenação de resgates da região Ásia-Pacífico.

Os movimentos de Clara estancaram. Por três anos, ela e Ricardo foram quase inseparáveis. 

Ele a ensinara técnicas de resgate; ela o ensinara primeiros socorros avançados. 

Lutaram lado a lado contra as ondas, conversaram sob o céu estrelado e apoiaram-se mutuamente após cada situação de vida ou morte. 

Certos sentimentos não precisam ser ditos para criarem raízes.

— E você? — Ricardo virou-se para ela. — Aceita voltar comigo? Claro... não como um membro da equipe. — Ele hesitou e tirou uma pequena caixa do bolso. Ao abri-la, revelou um anel de diamante simples. — Mas como minha noiva.

A brisa do mar era suave. Clara olhou para o anel e depois para os olhos sérios de Ricardo. Três anos depois, ela finalmente podia encarar o passado com serenidade e caminhar com coragem em direção ao futuro.

Ela estendeu a mão.

— Sim.

No instante em que o anel deslizou pelo seu anelar, o sol se punha lentamente no horizonte. 

A luz dourada e avermelhada inundou o mar e envolveu os dois. Parecia uma despedida, mas também um renascimento.

Clara apertou a mão de Ricardo e disse baixinho:

— Vamos para casa.

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