《Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido》CAPÍTULO 18

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Ao mesmo tempo, na mansão da família de Clara.

Dona Elena estava sentada no antigo quarto de Clara, abraçando apertado um casaco do uniforme escolar que a filha usara no ensino médio. 

A roupa estava desbotada de tanto lavar e gasta no colarinho, mas estava impecavelmente limpa e dobrada com capricho.

Ela encontrara o casaco naquela manhã, no fundo da gaveta. Só ao remexer ali foi que percebeu quão poucas coisas a filha possuía. 

O quarto de Letícia transbordava bolsas de marca, joias, acessórios e roupas da última estação. 

Já o armário de Clara continha apenas algumas peças de uso diário, livros grossos de medicina e alguns objetos antigos.

Clara sempre dizia: "Mãe, não precisa comprar nada para mim, o que eu tenho é suficiente."

Ela sempre deixava o melhor para Letícia.

Sempre dizia "está tudo bem" com um sorriso no rosto.

Os dedos de Dona Elena acariciaram o colarinho do uniforme, onde o nome de Clara estava bordado. 

O ponto era meio torto; fora ela mesma quem bordara. 

Naquele dia, Clara ficou radiante e se olhou repetidas vezes no espelho com o uniforme:

— A senhora bordou tão bem, mãe!

— Que nada, ficou todo tortinho.

— Ficou ótimo, sim! — Clara, aos dezesseis anos, a abraçou e lhe deu um beijo no rosto. 

— O bordado da minha mãe é o melhor do mundo!

As lágrimas de Dona Elena caíram uma a uma sobre o tecido.

— Clara, minha Clara...

Finalmente ela entendeu o que havia perdido. Perdera a própria filha biológica. 

Perdera aquela menina bondosa, compreensiva, que sempre a chamava de "mamãe" com um sorriso. 

Em troca, dera todo o seu amor a uma pessoa ingrata e cruel.

Lá embaixo, ouviu-se o som da sirene de uma ambulância. Uma empregada subiu correndo, em pânico:

— Patroa, o patrão desmaiou!

Dona Elena levantou-se mecanicamente, ainda abraçada ao uniforme, e desceu as escadas. 

Na sala, o Sr. Ricardo estava caído sobre o tapete, pálido, segurando com força um documento. 

Era o projeto que Clara escrevera ao fundar a Instituição de Caridade Clara. 

Na última página, havia sua assinatura e uma pequena anotação à mão:

"Que haja menos dor no mundo e mais acolhimento."

Quando o Sr. Ricardo foi levado pela ambulância, Dona Elena não o acompanhou. 

Ficou sentada no sofá da sala, abraçada ao velho uniforme escolar, chorando como se seu coração estivesse sendo estraçalhado.

O funeral de Clara foi organizado pessoalmente por Bernardo. Ele não escolheu um cemitério luxuoso, mas sim uma encosta voltada para o mar. 

A lápide era simples, gravada apenas com o nome dela e as datas de nascimento e falecimento.

No dia do funeral, muitas pessoas compareceram. Familiares de pacientes que, no navio, a chamaram de "mulher venenosa", agora seguravam flores brancas e se ajoelhavam diante do túmulo com os olhos vermelhos.

— Senhorita Clara, nos perdoe. Fomos enganados pela Letícia.

— Quando a senhora pagou pelo meu tratamento, eu nem sequer a conhecia pessoalmente, e mesmo assim falei aquelas coisas...

— Eu não presto, eu realmente não presto!

Os funcionários da instituição de caridade também vieram, trazendo pastas grossas com os registros de cada pessoa que Clara ajudara ao longo dos anos.

— A Senhorita Clara nunca aparecia; ela dizia que não queria que os beneficiados se sentissem em dívida.

— Todo esse dinheiro vinha das economias dela e do seu salário como médica.

— O último projeto dela era uma base de treinamento para resgate em alto-mar. Ela dizia que queria salvar mais pessoas que estivessem em perigo no oceano.

Bernardo estava parado diante da lápide, vestido de preto e tão magro que parecia outra pessoa. 

Ao observar o arrependimento daquelas pessoas e ouvir histórias que nunca imaginara, sentia que cada palavra era como uma lâmina cortando seu coração em pedaços.

Ele nunca soube que sua esposa fizera tanto silenciosamente.

Nunca soube quão bondosa ela era.

Ele só sabia reclamar que ela era "paranoica", culpá-la por ser "insensata" e proteger aquela Letícia que tinha uma cobra no lugar do coração.

— Perdão... — ele sussurrou para a lápide.

Mas a lápide não respondeu. Apenas o vento marinho soprava com um lamento, parecendo o som de um choro distante.

 

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