A sala mergulhou em silêncio por um breve instante. Letícia levantou a cabeça com uma surpresa radiante, mas logo baixou os olhos com falsa timidez:
— Bernardo, isso não é certo. A minha irmã ainda não foi encontrada, como podemos...?
— Só porque ela sumiu, temos que esperar para sempre?
— Bernardo a interrompeu.
— Se ela teve coragem de fazer o que fez, deve ter coragem de arcar com as consequências.
Os pais de Clara se entreolharam e sorrisos surgiram em seus rostos.
— Ótimo! Muito bem! — O pai de Clara assentiu repetidamente.
— Já era hora! Aquela ingrata nunca te mereceu!
A mãe de Clara segurou as mãos de Letícia:
— Letícia, minha querida, de agora em diante você será a Senhora Bernardo. Cuide bem dele. Letícia assentiu, o rosto corado de fingida modéstia.
Bernardo observava a cena, mas seu coração não estava tão feliz quanto imaginara. Ele pegou o celular e ligou para o assistente.
— Divulgue a notícia do meu noivado com a Letícia. Em todas as mídias, em todas as plataformas. Quero que o mundo inteiro saiba.
Ao desligar, ele olhou pela janela.
"Clara, você não era a pessoa que mais prezava as aparências? Você não era quem mais odiava me ver próximo de outra pessoa? Agora vou ficar noivo da sua querida irmã. Você ainda não vai aparecer?"
A festa de noivado foi marcada para o final do mês. Convites foram espalhados por toda a cidade.
Bernardo reservou um hotel inteiro em uma ilha particular; rosas foram espalhadas desde o cais até o salão de festas. Letícia experimentava vestidos de noiva até tarde da noite, enviando fotos de cada um para Bernardo.
— Bê, este ficou bonito?
— Se você gosta, eu gosto. Ele respondia rápido, em tom gentil. Mas só ele sabia que, cada vez que via aquelas fotos de vestidos brancos, outra face invadia sua mente.
Como Clara ficaria em um vestido de noiva? Ele já a tinha visto assim, na verdade.
Três anos atrás, quando a acompanhou para provar vestidos de madrinha, ela vestiu escondida um de noiva e colocou a cabeça para fora do provador, com os olhos sorridentes:
"Bernardo, estou bonita?"
Como ele respondera na época?
Ele dissera:
"Quando você se casar comigo, comprarei um ainda melhor."
Mais tarde, ele realmente comprou. Aquele vestido sob medida, que custou sete dígitos, ainda estava no armário da casa deles, sem nunca ter sido usado.
— Bernardo? — Letícia entrou no quarto, já de camisola.
— Por que ainda não dormiu? Ele guardou o celular: — Já vou dormir.
Letícia o abraçou por trás, encostando o rosto em suas costas:
— Bernardo, serei uma boa esposa. Eu vou te amar muito mais do que a minha irmã amou.
O corpo de Bernardo ficou rígido.
— Não mencione ela — ele disse.
— Tudo bem, não menciono mais — Letícia soltou-o docemente.
— Então descanse, amanhã temos que provar os trajes.
Depois que ela saiu, Bernardo foi até a varanda. A noite na ilha era silenciosa, apenas o som rítmico das ondas.
Ele abriu um álbum criptografado no celular. Estava cheio de fotos de Clara. Sorrindo, brincando, brava, dengosa.
A última era dela no convés, com aquele vestido branco, olhando para trás.
"Bernardo, estou tão ansiosa pela nossa viagem de casamento!"
— Clara — ele sussurrou para a brisa marinha.
— Onde você está? Será que agora que vou ficar noivo, você finalmente sentiu medo? Então volte. Volte e me peça perdão, e eu te desculparei.
O vento levou sua voz, sem trazer resposta.