《Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido》CAPÍTULO 12

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O som dos disparos cessou completamente antes do amanhecer. Bernardo estava de pé no convés, cercado pelos corpos dos bandidos espalhados por todo lado.

— Fale. — Ele pressionou o peito do homem da cicatriz com o pé.

— Quem mandou vocês?

O homem cuspiu um gole de sangue, mas seus olhos desviaram-se para trás de Bernardo. Letícia, enrolada em um cobertor, estava encostada na amurada, parecendo fragilizada. Ela piscou quase imperceptivelmente.

O homem da cicatriz abriu um sorriso sarcástico:

— Foi a Senhorita Clara.

Um silêncio mortal tomou conta do convés.

— Mentira! — Bernardo colocou mais força no pé; o som de costelas quebrando foi nítido.

— É a verdade — o homem contorcia-se de dor.

— Ela nos deu um milhão e disse para destruirmos este navio e acabarmos com a festa de aniversário da Senhorita Letícia. Ela disse que, se não pudesse ter o que queria, ninguém mais teria.

— Diga isso de novo se for homem! — Bernardo o agarrou pelo colarinho.

— Bernardo, não faça isso.

— Letícia aproximou-se cambaleante e segurou o braço dele.

— A minha irmã não faria isso, ela te ama tanto, como poderia...?

— Me ama? — Bernardo riu com escárnio.

— Se ela me amasse, deveria me entender! E não usar métodos tão baixos e sujos!

— Mas... — As lágrimas de Letícia caíram.

— Talvez a Clarinha estivesse apenas confusa por um momento.

— Confusa? — Bernardo soltou o homem, que caiu pesadamente no chão.

— Ela quase matou todos neste navio! Quase matou você!

Ele se virou para encarar o mar. No horizonte, o céu começava a clarear, e aquela corda rompida balançava ao vento.

Clara havia desaparecido. Junto com aquele seu último olhar, de uma calma aterrorizante, ela havia afundado naquelas águas profundas.

— Vamos voltar — a voz de Bernardo estava rouca. — Quando chegarmos, quero perguntar pessoalmente o quanto ela me odeia.

Quando o navio atracou, o cais estava repleto de jornalistas e familiares. Bernardo desceu a passarela carregando Letícia, que fingia estar em estado de choque, sob o brilho intenso dos flashes.

— Senhor Bernardo, ouvimos dizer que o ataque dos piratas foi planejado por alguém?

— Como está o estado de saúde da Senhorita Letícia?

— Onde está a Senhorita Clara? Há rumores de que ela se aliou aos bandidos.

Bernardo parou bruscamente. Ele encarou o repórter que fez a pergunta com um olhar sombrio:

— Clara e eu não temos mais nenhuma relação. Quanto à aliança com bandidos, eu irei apurar os fatos.

Dito isso, ele entrou no carro sem olhar para trás. Letícia aninhou-se em seu peito e, num ângulo onde ninguém pudesse ver, esboçou um sorriso de vitória.

O carro seguiu direto para a mansão da família de Clara. Os pais dela já esperavam na sala. Ao verem Bernardo entrando com Letícia nos braços, a mãe de Clara imediatamente começou a chorar:

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— Minha Letícia! O que aconteceu com você?

— Mãe, eu estou bem — Letícia balançou a cabeça com fraqueza. — É que a minha irmã...

— Não mencione aquela ingrata!

— O pai de Clara bateu na mesa com força.

— Eu já deixei claro: a família não reconhece uma filha que se alia a bandidos para assassinar a própria irmã!

Bernardo acomodou Letícia no sofá e virou-se para o sogro:

— A Clara voltou para cá?

— Voltar? — O pai de Clara riu com desdém.

— Ela teria coragem? Depois de uma abjeção dessas, ela jogou o nome da nossa família na lama!

A mãe de Clara limpava as lágrimas:

— Bernardo, fomos nós que não soubemos educá-la direito. Felizmente temos a Letícia; ela sim é quem te ama de verdade.

Bernardo ficou parado no centro da sala, sentindo subitamente que aquela mansão, onde ele estivera inúmeras vezes, parecia vazia de uma forma inquietante.

Antigamente, sempre que ele chegava, Clara descia as escadas correndo, com os olhos brilhando, e o chamava:

"Bernardo, você chegou!"

Mas agora, não havia a voz dela. Não havia a sombra dela.

Até os vestígios de sua existência pareciam ter sido apagados deliberadamente.

— Mandei gente procurar — disse Bernardo, ouvindo a própria voz soar estranha.

— Não há registros dela no porto, na rodoviária ou no aeroporto. Para onde ela poderia ter ido?

O pai de Clara acenou com a mão, impaciente:

— Com certeza está escondida porque não tem cara para aparecer! Quando o dinheiro dela acabar, ela voltará rastejando para implorar perdão de joelhos!

Ajoelhar-se para pedir perdão. Bernardo tentou imaginar a cena. Uma mulher orgulhosa como Clara se ajoelharia?

De repente, ele sentiu uma irritação profunda.

— Eu não vou esperar por ela — disse ele. — No mês que vem, eu e Letícia vamos ficar noivos.

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