— Quem são vocês? — perguntou Bernardo.
— Apenas pessoas pagas para fazer um serviço.
— O homem da cicatriz inclinou a cabeça.
— Alguém ofereceu um preço alto para que resolvêssemos algumas pendências neste navio.
— Quem?
O homem da cicatriz sorriu sem dizer uma palavra. Bernardo agachou-se, fixando o olhar nos olhos dele:
— Vocês não são atores que a Clara contratou de propósito?
— A Senhorita Clara... — O homem arrastou a pronúncia.
— Ela é realmente uma beldade, a pele é macia como seda. É uma pena, meus irmãos ainda não tinham se divertido o suficiente com ela!
Vuum.
Algo explodiu na mente de Bernardo.
— O que você disse?! — ele perguntou, pausadamente, cada palavra carregada de fúria.
O homem da cicatriz exibiu um sorriso sinistro.
— Na verdade, temos que te agradecer. Foi você quem a entregou de bandeja para a nossa diversão!
Bernardo levantou-se num salto, cambaleando. Não podia ser. Impossível!
— Capitão! — Um tripulante desceu correndo, em pânico.
— Problemas! Três lanchas rápidas surgiram no sudoeste e estão se aproximando rápido! Elas carregam a bandeira de caveira!
Antes que ele terminasse de falar...
Boom!
O casco do navio vibrou violentamente!
O som de uma explosão veio do convés superior, misturado aos gritos e clamores da multidão.
— Piratas! São piratas!
— Socorro!
Bernardo empalideceu e correu em direção ao convés.
O caos já havia se espalhado. Bandidos armados e vestidos de preto surgiam de todos os lados, atacando quem vissem pela frente; o som de tiros ecoava por toda parte.
O salão de baile transformara-se em um abatedouro.
A pirâmide de champanhe estava estraçalhada, e o sangue misturava-se ao vinho pelo chão.
Letícia, empurrada pela multidão para um canto, viu Bernardo e correu chorando em sua direção:
— Bernardo! Me salve! Estou com tanto medo!
Bernardo segurou-a pelos ombros:
— Não tenha medo, eu estou aqui!
Nesse instante, o navio deu um solavanco. Bernardo viu que a corda presa à popa parecia prestes a arrebentar!
Clara!
Ele soltou um rugido baixo, deixou Letícia de lado e correu desesperadamente em direção à popa.
O olhar de Letícia brilhou com rancor, mas instantaneamente ela mudou para uma expressão benevolente:
— Bernardo, salve a minha irmã primeiro! Eu ficarei bem!
Bernardo hesitou por um segundo, mas acabou correndo na direção de Clara.
No entanto, ao chegar à popa, percebeu que a corda havia se rompido. Clara havia desaparecido.
— Como isso aconteceu? Onde ela está?!
— O rosto dele ficou cadavérico.
Letícia aproximou-se, ofegante:
— Ela deve ter ficado com vergonha de nos encarar e fugiu primeiro!
A expressão de Bernardo suavizou-se levemente.
— Como ela pode ser tão egoísta! Eu pensei em salvá-la imediatamente, e ela nos abandona para fugir sozinha! Ele sequer parou para pensar: com todos os botes salva-vidas destruídos por ele mesmo, como Clara poderia fugir?
Nesse momento, um pirata avançou contra Bernardo com uma arma. Letícia jogou-se na frente com todas as suas forças, e o sangue tingiu seu peito.
— Você quer morrer?!
— Bernardo estava possesso de raiva! Ele chutou o pirata para fora do navio com violência.
— Letícia, por que você foi tão boba? Ele envolveu Letícia nos braços, transbordando culpa e piedade.
Letícia, com a voz fraca, sussurrou:
— Bernardo, eu sei que seu coração pertence apenas à minha irmã. Eu não quero nada, só quero que você fique bem.
Bernardo ficou profundamente comovido. Ele depositou um beijo carinhoso na testa de Letícia e virou-se para o mordomo, rangendo os dentes:
— Reúna os homens! Vamos expulsar esses piratas agora!