A expressão de Dante tornou-se sombria instantaneamente.
Ao seu lado, Nara sentiu uma pontada de alegria inicial ao notar o mal-estar dele, mas logo essa sensação foi substituída por uma amargura crescente ao ver o quanto ele fora afetado. Ela sentia que algo estava escapando de suas mãos, mas, como conhecia bem o temperamento de Dante, permaneceu em silêncio, agindo com docilidade.
— Estou indo agora mesmo — disse Dante ao telefone, antes de olhar para Nara.
Ela forçou um sorriso compreensivo, com a voz carregada de gentileza:
— Eu entendo. Pode ir.
Dante deu-lhe um beijo rápido no canto dos lábios e subiu para o quarto para trocar de roupa. Nara ficou para trás em choque; ele realmente ia vê-la! O que teria acontecido depois daquele dia? Por que a atitude de Dante mudara tanto? Ela precisava descobrir a verdade.
Quando Dante desceu, Nara mostrou-se prestativa:
— Você parece exausto. Quer que eu te leve ao hospital?
Dante a observou profundamente por um segundo e assentiu.
Logo chegaram ao hospital. Assim que desceu do carro, Dante correu para o quarto. Nara, vendo aquela pressa, não conseguiu esconder a irritação, mas o seguiu silenciosamente pelo elevador.
Ao abrir das portas, Dona Rosa, que estava plantada na frente do quarto, viu Dante como se visse uma tábua de salvação.
— Patrão, o Sr. Giovanni quer levar a Srta. Maya embora a todo custo... Ele disse que ela é a noiva dele.
Seguindo o olhar de Dona Rosa, Dante caminhou com o rosto gélido em direção a um Giovanni furioso. Desta vez, Giovanni o encarou de frente, sem recuar. Nara, ao notar a placa de "UTI - Unidade de Terapia Intensiva", sentiu um brilho de satisfação cruel nos olhos.
— Giovanni, por acaso sua família te deu permissão para fazer bagunça no meu território? — Dante rosnou, com os punhos cerrados revelando seu estado de nervos. — Desde quando ela é sua noiva?!
— Se não fosse pelas suas artimanhas, a Maya já estaria comigo há muito tempo! — retrucou Giovanni, com um ódio que não conseguia mais conter. — Você quase a matou, Dante. Ainda não vai deixá-la em paz?
— Acha que sua família aceitaria uma mulher como ela? — Dante rebateu com frieza. — Além disso, se eu não conseguir mantê-la viva, levá-la com você será apenas uma sentença de morte.
Giovanni soltou um riso sarcástico.
— Dante, você quer o melhor dos dois mundos, mas a época dos haréns já acabou faz tempo.
Giovanni sempre fora conhecido no círculo da elite por ser implacável e sombrio, e ele não poupou as palavras. Incomodado, Dante fixou o olhar nele:
— Eu não vou permitir que a leve. Isso é um assunto entre ela e eu.
Nara, que assistia ao impasse em silêncio, não aguentou mais. Ela segurou a mão de Dante com delicadeza, olhando para ele com uma expressão confusa. Diante do olhar dela, Dante sentiu uma irritação súbita.
— Assim que eu resolver as coisas aqui, te darei uma resposta satisfatória — disse ele a Nara.
Ela permaneceu ao lado dele, sem soltar sua mão. No fundo, estava em pânico; as coisas estavam fugindo do seu controle. Giovanni riu, encarando as mãos entrelaçadas do casal.
— Sr. Rocha, pouco importa se a Maya é minha noiva ou não. Mas, pelo que vejo, será impossível para o senhor cuidar de uma mulher em estado vegetativo com tranquilidade.
Para a surpresa de todos, Nara tomou a palavra. Sua voz era doce, mas cada sílaba soava com clareza:
— Sr. Giovanni, eu de fato não permitiria que meu noivo cuidasse de outra mulher... mas eu posso fazer isso.
Dante e Giovanni voltaram os olhares para Nara simultaneamente. Ela engoliu em seco e exibiu seu sorriso mais gentil.
— Sinto muito por tudo. A Maya acompanhou o Dante por tanto tempo que minha chegada acabou destruindo o sonho dela de ser a Sra. Rocha. Eu amo o Dante e não posso abrir mão dele, por isso sempre me senti culpada em relação a ela. Agora que essa tragédia aconteceu, quero compensá-la de alguma forma. Posso?
A última frase foi dirigida a Dante. Nara sabia que, com esse discurso, a admiração dele por ela só aumentaria. Em situações assim, a culpa de um homem tende a substituir o apego ao passado; uma mulher inteligente sabe aproveitar cada brecha.
Para Nara, uma mulher em estado vegetativo não era ameaça. Ela teria mil maneiras de garantir que Maya nunca mais acordasse! E Dante, diante de tamanha "generosidade", apenas se sentiria mais em dívida com ela.
O plano era perfeito, mas Giovanni soltou uma gargalhada gélida.
— Você quer é ajudar ela a morrer mais rápido, não é? Pare com esse teatrinho, é nojento.
O sorriso de Nara congelou. Ela olhou para Dante com os olhos marejados, fazendo-se de vítima. Como esperado, Dante reagiu:
— Giovanni!
Giovanni continuou, implacável:
— Dante, você é burro ou está fingindo? Por que o sobrinho da Maya caiu daquele prédio de repente? Não acredito que você nunca tenha suspeitado dela. E agora quer que eu aceite deixar a Maya sob os cuidados dessa mulher? Você pode querer se afogar nesse "mar de rosas", mas eu não sou idiota.
Nara apertou o braço de Dante, o coração disparado, mas permaneceu calada. Sabe que qualquer defesa agora soaria como desculpa; ela precisava apostar na confiança dele.
— Nara, a Maya será cuidada pela Dona Rosa — declarou Dante, após um momento de reflexão sombria. Então, voltou-se para Giovanni: — Espero que seja a última vez que te vejo aqui. Caso contrário, não me importarei em declarar guerra à sua família.
— Não me venha com ameaças. O que a Maya ainda tem a ver com você? — desafiou Giovanni. — Mesmo que eu não seja noivo dela agora, sou um amigo. E você? O que é dela?
Dante não respondeu. Apenas pegou o celular e fez uma ligação. Em poucos minutos, seguranças apareceram e cercaram Giovanni. Dante apontou para ele, a voz carregada de fúria contida:
— Decorem o rosto deste homem. Ele está proibido de colocar os pés aqui novamente.
— Sim, senhor! — responderam os seguranças em uníssono.
Giovanni ficou lívido, mas, diante da desvantagem numérica, decidiu recuar. Ele olhou para o quarto uma última vez, e um rastro de dor genuína cruzou seu rosto. Dante riu com desprezo.
— Giovanni, você sempre soube da minha relação com a Maya e fez de tudo para se aproximar dela apenas para me atingir. Acha que sou idiota? Agora que ela nunca mais subirá em um palco e não pode mais ser sua parceira de dança, pode parar com a atuação.
Giovanni encarou Dante com surpresa, que logo se transformou em um riso amargo.
— Dante, eu admito que me aproximei dela com segundas intenções no começo. Eu queria roubá-la de você. Mas é inegável que eu acabei me apaixonando de verdade. Infelizmente, um homem como você nunca entenderia o que é isso.
Dante sentiu uma pontada de raiva, mas ignorou Giovanni e pegou a mão de Nara.
— Vamos embora. Você está grávida, precisa descansar.
Nara assentiu, pronta para segui-lo, quando Giovanni soltou uma gargalhada estridente.
— Nara grávida? Dante, você só pode estar ficando louco!