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《O Cativeiro do Amor Tóxico》Capítulo 2

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A atmosfera estava pesada, carregada de uma tensão sufocante.

Clara Teixeira, percebendo o clima, retirou-se discretamente da sala de ensaio, fechando a porta com suavidade.

Nara sentou-se ao lado de Maya, com um tom de voz nada amigável.

— Você teve a chance de ficar ao lado dele por dez anos só porque chegou primeiro. Mas desde quando o amor segue ordem de chegada? Em uma relação, quem não é amada é que é a intrusa.

— Uma mulher velha como você deveria apenas pegar suas coisas e sumir. Pare de desejar o que não lhe pertence.

Maya não era de se entregar sem lutar. Só havia uma pessoa no mundo capaz de fazê-la baixar as armas.

— Mulher velha? — Ela soltou uma risada de escárnio, encarando Nara fixamente. — Nos últimos dez anos, era eu quem estava na cama dele.

Ao dizer isso, Maya propositalmente inclinou a cabeça, deixando à mostra as marcas arroxeadas em seu pescoço, vestígios da noite anterior.

— Eu aproveitei os melhores anos do vigor físico do Dante. No fim das contas, não saí no prejuízo.

O peito de Nara subia e descia violentamente de raiva. Sem aviso, ela desferiu um tapa no rosto de Maya.

— Vagabunda!

O impacto fez a cabeça de Maya virar para o lado, e uma mancha vermelha surgiu instantaneamente em sua pele alva.

Antes que Maya pudesse reagir, batidas urgentes e pesadas ecoaram na porta.

Uma voz familiar surgiu, tingida de ansiedade. Era Dante.

— Nara? Você está aí dentro?

A respiração de Maya travou por um segundo, e seus olhos começaram a arder, lutando contra as lágrimas.

Ignorando o sorriso vitorioso de Nara ao seu lado, Maya levantou-se e abriu a porta.

No momento em que a porta se abriu, o sorriso de Dante desapareceu, dando lugar a um olhar defensivo e frio.

— O que você está fazendo aqui?

Maya olhou para ele com um sorriso amargo e sem vida.

Aquela sala de ensaio havia sido cedida por ele especialmente para ela no passado. Ouvi-lo perguntar aquilo agora era um golpe cruel e inesperado.

— O senhor está surpreso em me ver na minha própria sala de ensaio, Sr. Rocha?

Nara aproveitou o momento para correr até ele, adotando um tom de voz inocente e doce:

— Dante, a Maya disse que era sua parceira e me obrigou a vir até aqui. Ela disse que eu sou a amante que destruiu o relacionamento de vocês...

O olhar de Dante tornou-se gélido instantaneamente, fixando-se em Maya como um aviso.

— Ela é só uma alpinista social que tentou me seduzir e falhou. Não temos intimidade, não precisa dar atenção a ela.

Ele segurou a mão de Nara e virou as costas, saindo sem dedicar um único olhar a Maya.

Eles se conheciam desde os três anos de idade. Foram vinte e cinco anos sem nunca se separarem...

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Na noite em que ela completou dezoito anos, Dante entrelaçou seus dedos aos dela e jurou que ela seria seu único amor para sempre.

O rosto de Maya queimava pela bofetada, mas era o seu coração que parecia estar sendo esmagado. Ela mordeu o lábio inferior com força, segurando as lágrimas que teimavam em cair.

Maya ensaiou o dia todo, até tarde da noite, castigando o corpo até a exaustão total antes de voltar para casa.

Assim que chegou ao seu pequeno apartamento alugado, o telefone tocou. Era do hospital.

A voz da enfermeira do outro lado da linha a fez sentir como se tivesse caído em um abismo de gelo.

— Srta. Maya, seu sobrinho sofreu uma queda acidental de um andar alto. O estado dele é grave, por favor, venha o mais rápido possível!

O coração de Maya disparou de pânico. Ela apertou o celular com força.

— Entendido... obrigada.

Após desligar, ela correu para pegar um táxi. No caminho, tentou ligar para Dante repetidamente.

A voz mecânica e fria informava que a chamada não podia ser completada. Ninguém atendia.

Maya insistiu, uma vez após a outra, movida pelo desespero. Finalmente, na décima tentativa, ele atendeu.

Mas a primeira coisa que Dante disse foi: — Quem fala?

As lágrimas de Maya transbordaram instantaneamente.

— Sou eu...

Ele tinha... deletado o número dela.

Ela limpou o rosto, tentando controlar o soluço na voz.

— Por que o Luan caiu? Você não disse que cuidaria bem dele?

Luan era o único parente que lhe restava no mundo, o único sangue de seu irmão que permanecia vivo. Dante sabia perfeitamente disso.

A voz de Dante veio gélida e indiferente, secando as esperanças de Maya.

— Quem mandou ele tentar enfrentar a Nara por sua causa?

Maya ficou em choque, as lágrimas caindo sem controle enquanto um calafrio a fazia tremer por inteiro.

— Dante, o que significaram esses dez anos para você?

Ele respondeu sem hesitar, curto e grosso:

— Apenas conveniência mútua.

Duas palavras. Foi o que bastou para ele resumir, de forma cruel e vazia, toda uma década de vida.

Ele sempre soube exatamente onde cravar a faca no coração dela. Maya sentiu uma pontada de asfixia.

— Meu irmão, naquela época, deu a vida por você...

Antes que ela pudesse terminar a frase, o som do sinal de linha cortada foi tudo o que restou em seu ouvido.

O coração de Maya parecia ter sido arrancado, deixando apenas um vácuo de dor.

A escuridão dentro do carro a engoliu, e o vento que entrava pela janela era o único a secar as lágrimas em seu rosto.

Quando Maya chegou ao hospital, Luan estava sendo retirado do centro cirúrgico.

— Os sinais vitais do paciente estão instáveis. Ele será transferido para a UTI e as visitas estão suspensas por enquanto.

Com a mão trêmula, Maya tentou tocar o rosto pálido do pequeno Luan, mas parou a centímetros de distância, sem coragem.

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— Entendo... obrigada, doutor.

Após pagar as taxas, ela encostou o rosto no vidro da UTI, observando o corpinho de Luan cercado por tubos e aparelhos. Cada bipe das máquinas era como uma agulhada em seu peito. Suas lágrimas pingavam no chão frio do hospital.

Em sua mente, vinha a imagem de seu irmão coberto de sangue. Na escola da vida, a lição sobre despedidas era a única em que ela sempre seria reprovada.

— Irmão, me desculpa... eu não cuidei bem do Luan...

Sua silhueta parecia solitária e frágil enquanto ela caminhava em direção à noite.

Ao passar por um bar, ela parou, hesitou por um segundo e entrou.

Ela precisava fugir da realidade, mesmo que fosse por um momento. O álcool era a única anestesia para sua alma ferida.

Maya bebeu copo após copo, misturando diferentes tipos de bebidas, perdendo a conta de quanto consumira.

Na manhã seguinte, ela acordou com uma dor de cabeça lancinante.

Ao perceber que vestia um roupão de hotel, Maya empalideceu. Sentou-se na cama rapidamente, aliviada ao notar que não sentia nenhum desconforto físico estranho.

Enquanto tentava reconhecer o quarto, o som do cartão abrindo a porta a assustou.

— Quem está aí?

Maya pegou o cinzeiro de cristal sobre o criado-mudo, apertando-o com força, os olhos fixos na porta em posição de defesa.

A porta se abriu, revelando um rosto familiar e sorridente.

A voz de Maya saiu rouca: — Giovanni?

Ele colocou uma bandeja sobre a mesa e lhe entregou um copo de água morna com mel.

— Fique tranquila, eu não sou o tipo de homem que se aproveita de uma mulher nessas condições.

Maya estava prestes a suspirar de alívio, quando Giovanni continuou:

— No entanto, fomos flagrados entrando juntos neste hotel. Os repórteres estão lá embaixo, esperando que a gente esclareça a situação.

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