《Renascida das Profundezas: A Vingança de Um Coração Partido》CAPÍTULO 10

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No instante em que Bernardo soltou as correntes, seu coração se contraiu violentamente.

Foi como se algo tivesse sido arrancado à força de dentro de seu peito.

Ele observou o vulto de Clara despencando; aquela barra branca do vestido se abriu como uma flor sobre a superfície do mar e afundou rapidamente.

Ele sentiu um impulso súbito de esticar a mão para agarrá-la, mas sua mão parou no ar e ele a recolheu de forma rígida.

— Bê? O que foi? — Letícia segurou o braço dele, com uma voz de uma doçura enjoativa.

Bernardo não a ouviu. Ele só conseguia escutar o som do próprio coração batendo freneticamente, como um tambor; cada batida era mais pesada que a anterior, fazendo seus tímpanos doerem.

— Nada — ele forçou um sorriso, com a voz seca.

— O baile já deve começar.

No salão, as luzes eram deslumbrantes.

A banda tocava uma melodia alegre e a pirâmide de taças de champanhe brilhava sob os holofotes. Todos se aproximaram, erguendo brindes em celebração.

— O Senhor Bernardo e a Senhorita Letícia formam realmente um par perfeito!

— Meus parabéns!

Letícia se aninhou nos braços dele, sorrindo como uma flor em pleno desabrochar.

Bernardo erguia a taça e sorria mecanicamente, mas seus olhos, de forma involuntária, desviavam-se o tempo todo para a janela. Para aquele mar escuro como breu.

O último olhar que Clara lhe deu foi de uma serenidade aterradora.

Não havia ódio, não havia súplica, não havia sequer uma ondulação de emoção. Era como se ela tivesse desistido completamente.

— Bernardo? Bernardo! — Letícia deu um beliscão nele e sussurrou:

— Todos estão olhando para você.

Bernardo despertou do transe abruptamente e percebeu que sua taça estava inclinada; o champanhe havia derramado por toda a sua roupa.

Murmúrios começaram a surgir ao redor. Embaraçado, ele pousou a taça, inventou uma desculpa para se retirar e caminhou sozinho até o convés.

A brisa marinha estava gelada.

O frio o ajudou a clarear um pouco a mente, mas também tornou a dor latejante e o vazio em seu coração ainda mais nítidos.

— O que diabos eu estou fazendo? — ele murmurou para si mesmo.

Incontrolavelmente, o rosto de Clara invadiu seus pensamentos.

Sete anos atrás, ela usava um uniforme escolar desbotado, mas se colocava à frente dele como um pequeno sol, enfrentando aquele grupo de garotos ricos que o intimidavam:

"De agora em diante, ele está comigo. Quem tocar nele de novo, eu quebro as pernas!"

Três anos atrás, quando ele fracassou em seu primeiro negócio e se afundou em dívidas, querendo morrer naquele quartinho alugado, Clara abriu a porta e jogou todas as suas economias sobre ele:

"Bernardo, levante-se agora! Dinheiro a gente ganha de novo, mas se eu perder você, o que vai ser de mim?"

Um ano atrás, com os olhos vermelhos, ela entregou a ele os documentos de propriedade deste transatlântico:

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"Você não disse que amava o mar? É seu. Bernardo, eu te dei tudo o que eu podia..."

Sim. Ela deu tudo o que podia. Mas e ele?

Bernardo cobriu o rosto com as mãos.

"Eu tinha medo de que um dia você descobrisse que eu, Bernardo, sou apenas um garoto pobre que não merece a grande herdeira da família de vocês."

"Tinha medo de que sua bondade fosse apenas pena."

"Tinha medo de que, cedo ou tarde, você fosse embora."

Por isso, ele a ignorava deliberadamente, aproximando-se de Letícia de propósito.

Ele queria que Clara sentisse ciúmes, queria vê-la ansiosa, queria que ela agisse como uma mulher comum, implorando pela atenção dele, questionando-o, sendo incapaz de viver sem ele.

O que Letícia significava?

Apenas um brinquedo.

Alguém que chorava, fazia manha e o bajulava, alimentando aquela sua autoestima miserável.

Mas em seu íntimo, ele sabia: assim que esta viagem terminasse, ele se livraria de Letícia, daria uma quantia em dinheiro a ela e cortaria todos os laços.

Então, ele pediria perdão a Clara sinceramente e diria:

"Eu sempre amei apenas você"

.

Ele passaria o resto da vida compensando-a.

— Clara, aguente só mais um pouco... — ele sussurrou para o mar.

— Assim que eu resolver tudo isso, vamos começar do zero...

— Capitão. — A voz do mordomo surgiu subitamente atrás dele.

Bernardo recompôs sua expressão instantaneamente.

Ao se virar, exibia novamente aquele semblante calmo e indiferente.

— O que foi?

— Há pessoas a mais no navio — o mordomo baixou o tom de voz.

— Não estão na lista de convidados. Alguns tripulantes os viram circulando pelo porão em atitude suspeita.

Bernardo franziu a testa:

— Quantos?

— Pelo menos uns doze. — O mordomo hesitou.

— E eles têm tatuagens; não parecem pessoas comuns.

Um pressentimento sinistro tomou conta de Bernardo. Ele se lembrou imediatamente do que Clara gritava repetidamente:

"Os piratas estão vindo!"

Naquele momento, ele achou que era apenas um drama dela.

— Leve-me até lá — ele disse em tom grave.

O porão estava escuro e úmido. Alguns homens corpulentos estavam imobilizados pelos seguranças no chão, com a boca amordaçada com panos, emitindo sons abafados. Bernardo se aproximou e apontou a lanterna.

Ao reconhecer aquela cicatriz medonha no rosto de um deles, o sangue em suas veias congelou no mesmo instante.

Aquele homem.

Ele o tinha visto.

Algumas horas atrás, no canto da cabine, em cima de Clara!

— Solte-o — a voz de Bernardo soou gélida.

O pano foi retirado da boca do homem da cicatriz. Ele cuspiu um rastro de sangue, abriu um sorriso sarcástico e disse:

— Capitão Bernardo, nos encontramos de novo, hein?

— Quem são vocês? — exigiu Bernardo.

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