Henrique não disse mais nada a ela. Como se estivesse agarrando sua última tábua de salvação, ele caminhou de joelhos até Beatriz e segurou a mão dela.
— Bia, eu errei! Eu juro que agora eu sei!
— De todo mundo, você foi a única que me amou de verdade, sem segundas intenções. Eu fui um animal!
— Me perdoa, por favor! Vamos esquecer tudo e recomeçar?
Beatriz olhou para ele e balançou a cabeça devagar, desvencilhando-se do toque dele.
— Henrique, eu te dei chances infinitas. Tantas que eu mesma senti nojo do quanto me rebaixei por esse amor. Mas você nunca segurou a minha mão quando eu precisei.
— Vamos terminar isso com o mínimo de dignidade. Não me faça te odiar ainda mais.
No momento em que Beatriz ia fechar a porta, o assistente de Gabriel chegou correndo, com o rosto transtornado e a testa sangrando.
— Senhora! O patrão sofreu um acidente grave!
Beatriz sentiu o mundo girar. Suas pernas fraquejaram e ela só não caiu porque o assistente a amparou.
— O que aconteceu com o Gabriel?
— Um carro preto começou a nos seguir assim que saímos. Depois, ele bateu propositalmente contra o carro do Sr. Gabriel. Ele perdeu muito sangue e está na sala de cirurgia agora.
A visão de Beatriz escureceu. Mas Henrique, que antes estava ajoelhado, levantou-se calmamente. Ele se aproximou e sussurrou no ouvido dela:
— Bia, meu irmão é esperto, admito. Tomou minhas ações em tempo recorde. Mas, quando um homem morre, tudo o que ele conquistou se perde com o vento.
Beatriz, com os olhos injetados de sangue, encarou Henrique e rosnou:
— Foi você. Você fez isso.
Henrique não negou. Ele estendeu a mão para tocar o rosto dela em tom de ameaça.
— Vá ao hospital. Meu irmão tem problemas de coagulação e um tipo sanguíneo raríssimo...
Beatriz estava desesperada e não queria mais jogos.
— Henrique! O que você quer?!
Henrique olhou para o rosto dela e sentiu uma pontada de fúria. Ele cerrou os dentes antes de falar:
— Afinal, somos filhos do mesmo pai. Temos o mesmo sangue correndo nas veias.
— Mas, para eu salvar a vida dele, eu tenho uma condição.
Beatriz perguntou, entre dentes, o que ele queria.
— Quero que você se divorcie dele e volte para mim.
— Se você assinar, eu entro naquela sala e salvo a vida dele.
Ao chegar ao hospital, a luz da emergência continuava acesa. Médicos entravam e saíam, trazendo um termo de consentimento após o outro para Beatriz assinar. Henrique estava encostado na parede, observando o desespero dela, como um predador.
— Bia, por que a hesitação?
— Se você assinar o divórcio, eu salvo o Gabriel.
— O que vale mais: um papel de casamento ou a vida dele?
Beatriz sabia a resposta. A culpa a corroía; se ela não tivesse ligado para Gabriel, se não o tivesse envolvido em sua vingança, nada disso teria acontecido.
Ela olhou para a folha do acordo de divórcio. Sua mão tremia tanto que ela mal conseguia segurar a caneta. Henrique, vendo a dúvida, posicionou-se atrás dela, segurou sua mão e a guiou, traçando cada letra do nome dela no papel.
— Assim que o Gabriel acordar, eu farei com que ele assine também.
— Bia... finalmente, você é minha de novo.