— Bia, para onde você pensa que vai?
— Eu sei que foi errado te deixar no altar hoje, mas eu tive os meus motivos, tive dificuldades que você não entende.
Beatriz olhou para o homem diante dela sem qualquer resquício de emoção. Ela apenas pousou a mala no chão e falou com uma voz gélida:
— Henrique, você contou quantas vezes me abandonou e quantas humilhações me fez passar desde o dia em que a Soraia voltou?
— Eu te avisei no meio da cerimônia: se você me deixasse sozinha hoje por causa dela, eu não escolheria mais você.
Beatriz pegou o celular e mostrou a notícia do noivado dela com Gabriel para Henrique.
— Eu disse, Henrique. Mesmo que você saísse, a festa não seria cancelada.
— Apenas o noivo mudou.
— De agora em diante, cada um segue o seu caminho. Não me procure mais.
Henrique apertou o celular com força. Após um silêncio sufocante, ele explodiu, estraçalhando o aparelho de Beatriz no chão e agarrando os ombros dela com violência.
— Impossível, Bia! Você me ama! Como teria coragem de me deixar?
Antes que Beatriz pudesse responder, Soraia, ainda cambaleando pela embriaguez, levantou-se e jogou o próprio celular no colo de Henrique.
— Henrique, olha bem. Que tipo de portal publicou essa manchete?
— É um site de fofocas mentiroso, conhecido por inventar tudo. Você vai mesmo acreditar em uma notícia deles?
Henrique pareceu se acalmar um pouco. Amparando Soraia com um braço, ele pegou o celular e analisou a página por um longo tempo. Finalmente, soltou uma risada de puro alívio.
— Bia, eu sei que você está com raiva, mas não pode ser tão inconsequente a ponto de contratar uma mídia de quinta categoria para me enganar!
— Você tem noção do impacto negativo que essa sua encenação para chamar minha atenção pode causar à minha imagem e à empresa?
— Vão pensar que sou um canalha infiel! Se os contratos da corporação forem prejudicados por isso, você acha que consegue arcar com a responsabilidade?
Beatriz sentiu uma exaustão profunda. Sem disposição para explicar o óbvio, ela se virou para sair, mas Henrique segurou seu pulso com força bruta.
— Beatriz, até quando vai esse teatro? Se você sair agora, só vai confirmar os boatos de que estamos em crise!
— Você sabe o quanto estou sob pressão por causa de uma grande negociação internacional!
Beatriz soltou uma risada de escárnio, encarando os olhos dele:
— Se a negociação te deixa sob pressão, eu não sei. Mas a Soraia certamente te deixa bem ocupado.
— Solte-me, Henrique. Não deixe as coisas ficarem ainda mais feias entre nós.
Nesse momento, Soraia decidiu entrar em cena. Com um olhar sombrio, ela quebrou um copo de vidro sobre a mesa e encostou um estilhaço pontiagudo no próprio pescoço.
— Beatriz! No fim das contas, você continua achando que eu e o Henrique temos algo sujo?
— Nós somos apenas parceiros, desde sempre! Mas você insiste em dizer que eu o estou seduzindo!
— Eu também sou mulher! Você pensou em mim ao jogar toda essa lama no meu nome?
— Já que você quer forçar o Henrique a romper comigo inventando notícias falsas, então eu só posso provar minha inocência com a morte!
Soraia foi astuta: com poucas palavras, convenceu Henrique de que a notícia era uma fraude inventada por Beatriz para separá-los.