Ao ouvir o tom de Beatriz, Henrique sentiu um aperto estranho no peito. No entanto, ao olhar para Soraia na cama do hospital, cujas pernas estavam com bolhas devido à água quente, ele respondeu com frieza:
— Bia, foi só para alegrar a Soraia. Não é o fim do mundo. Além disso, as notícias principais já foram retiradas do ar, não foram?
Beatriz respirou fundo, sentindo o último vestígio de esperança se dissipar.
— Henrique, no seu mundo, desde que a Soraia esteja feliz, não importa o quanto você me machuque ou me insulte, certo?
A pergunta era calma, desprovida de emoção aparente, mas atingiu Henrique com o peso de uma tonelada. Ele não soube o que dizer.
— Henrique, você está com ela agora, não está? Coloque no viva-voz.
Ele obedeceu. Após um momento de silêncio, a voz serena e resoluta de Beatriz ecoou no quarto do hospital:
— Soraia, se você acha que isso vai me destruir, está enganada.
— Meu corpo é apenas o meu corpo. Não importa o quanto você tente me degradar ou me derrubar.
— Eu continuarei de pé, encarando a sua maldade de frente.
Beatriz desligou. Ela ajeitou a mão da mãe sob o cobertor com ternura.
— Mamãe, eu cansei de me esconder aqui.
— Agora eu vou sair e ser a mulher forte que você me ensinou a ser. Durma bem, e por favor, apareça nos meus sonhos.
O assistente de Gabriel chegou rapidamente. Ele tentou levá-la pelo estacionamento subterrâneo para evitar o escândalo.
— Srta. Bia, por favor, não culpe o Sr. Gabriel. Ele tem trabalhado incansavelmente e não consegue cobrir todas as frentes...
Beatriz sabia que Gabriel, como um filho não reconhecido, estava lutando uma batalha árdua para derrubar a estrutura que Henrique levou décadas para construir.
— Não vamos pelo subsolo. Vamos pela porta principal.
O assistente empalideceu de preocupação:
— Srta. Bia, não! Os repórteres cercaram o hospital. O Sr. Henrique não moveu um dedo para te proteger. Se a senhora sair agora, eles vão te linchar!
Beatriz ergueu o queixo com determinação.
— Me leve para a entrada principal. Não posso viver nas sombras para sempre. Tudo isso precisa de um fim definitivo.
Sem conseguir convencê-la do contrário, o assistente a empurrou em sua cadeira de rodas. Assim que cruzaram a porta, foram atingidos por um clarão de flashes e microfones empurrados contra o rosto de Beatriz. Todos buscavam o furo de reportagem mais cruel.
— Srta. Beatriz, o que tem a dizer sobre o vídeo íntimo vazado?
— Esse escândalo vai cancelar o noivado com o Sr. Henrique?
— O homem no vídeo é mesmo o herdeiro dos Valente? Por que ele ainda não se pronunciou em sua defesa? Você foi descartada?
Beatriz olhou para aquela multidão de rostos ávidos por desgraça. Ela não vacilou. Sorriu e começou a falar:
— Primeiro: em todos os anos de relacionamento, eu nunca soube que o Henrique gravava nossa intimidade sem meu consentimento.
— Segundo: se o vídeo vazado expõe apenas o meu rosto enquanto o dele está protegido, qualquer pessoa com cérebro percebe que eu sou a única vítima aqui.
— Terceiro: vocês só aprenderam a apontar as câmeras para as vítimas? O que esperam ver me cercando assim? Querem me ver chorando de vergonha ou tirando a própria vida pela humilhação?
— Aquele corpo é meu e eu me orgulho dele. Debaixo dessa pele que vocês viram, existe uma alma resiliente.
— Suas palavras não podem me atingir. Pelo contrário, elas apenas revelam a ignorância e a covardia de quem me ataca.