Beatriz agiu como se tivesse enlouquecido. Mesmo presa à cadeira de rodas, ela se lançou com todas as suas forças contra Soraia.
Pega de surpresa, Soraia foi derrubada no chão. Com os olhos injetados de fúria, Beatriz apertou o pescoço da outra mulher com uma força desesperada.
— Enquanto o noivado não for cancelado, eu ainda sou a futura senhora Valente!
— Quero ver quem se atreverá a interromper o tratamento da minha mãe!
Soraia lutava para respirar, seu rosto alternando entre o pálido e o arroxeado, quando Henrique entrou na sala. Ao ver as duas caídas no chão, ele não hesitou por um segundo: avançou e empurrou Beatriz para longe com violência.
O impacto atingiu em cheio a perna já ferida. Beatriz sentiu uma dor tão aguda que mal conseguia puxar o ar, mas, como um pequeno animal acuado e feroz, gritou para o celular que ainda estava com a chamada ativa:
— Sem o meu consentimento, ninguém toca nos remédios da minha mãe!
Henrique, amparando Soraia que ainda tossia, estava com o rosto transfigurado pela raiva. Ele explodiu em um grito:
— E eu? As minhas ordens não valem nada?
— Façam exatamente o que a Soraia mandou!
Henrique nem sabia quais haviam sido as instruções exatas de Soraia; ele apenas sabia que sua "parceira" fora humilhada e quase estrangulada por Beatriz, e sentiu a urgência de defendê-la.
— Sr. Henrique, tem certeza? Mas a mãe da Sra. Beatriz... — a voz do outro lado da linha tentou intervir, mas foi brutalmente cortada pelo rugido de Henrique.
— Faça o que ela disse! Se eu tiver que repetir mais uma vez, você pode arrumar suas coisas e ir para o olho da rua!
Henrique atirou o celular no chão e o esmagou com o pé. Em todo o tempo em que se conheciam, Beatriz nunca o vira naquele estado histérico, perdendo completamente a compostura.
— Henrique! A Soraia quer cortar os remédios da minha mãe! Ela é um monstro!
Henrique acomodou Soraia delicadamente no sofá e caminhou lentamente em direção a Beatriz.
— Eu só não quero que você esbanje o patrimônio dos Valente — interrompeu Soraia, com voz cínica. — O dinheiro do Henrique não nasce em árvore. Se você, como esposa, não tem zelo por ele, eu, como amiga, tenho.
— Além disso, é apenas uma redução no padrão do tratamento, não dissemos que íamos deixá-la morrer. Precisava desse escândalo todo para tentar tirar a minha vida?
Henrique parou diante de Beatriz. Antes que ela pudesse reagir, ele agachou-se e apertou o pescoço dela com força.
— Bia, eu realmente gosto de você, mas você não pode desafiar os meus limites repetidamente.
— O que eu devo à Soraia, não conseguirei pagar nem em uma vida inteira. Por isso, eu tolero os erros dela.
— Você é a mulher com quem eu deveria passar o resto da vida. Se não consegue ser generosa, o que eu faço?
— Vá aprender. Quando aprender a ser uma esposa compreensiva e a conviver com a Soraia, eu voltarei a te tratar com o carinho de antes.
Henrique observou friamente Beatriz lutar por oxigênio. Quando o rosto dela estava vermelho pela asfixia, ele a soltou bruscamente. Olhou-a de cima para baixo enquanto ela tossia de forma incontrolável com a entrada súbita de ar nos pulmões.
— Henrique... a dívida é sua. Por que eu tenho que pagar com você? — Beatriz sorriu com escárnio, encarando-o com um olhar sombrio, como se fosse um espectro vindo do inferno. — Por acaso... fui eu quem a deixou aleijada?
Aquelas palavras tocaram o ponto mais sensível de Henrique.
— Bia... eu não queria te enviar para aquele lugar, mas você é muito desobediente.
— Não tem nem metade da classe da Soraia.
— Esperarei você sair de lá quando for uma "Senhora Valente" à altura do cargo.
Ao sinal de Henrique, Beatriz foi carregada para um carro como se fosse um objeto descartável.
Após uma viagem turbulenta, chegaram a uma "Instituição de Etiqueta". Beatriz já ouvira falar do lugar; era onde muitas socialites que sonhavam com a elite iam para aprender modos.
Por um momento, ela sentiu um alívio amargo, achando que Henrique não tinha sido tão cruel. Mas, assim que cruzou o portão, percebeu o erro.
As inspetoras da instituição não tiveram a menor consideração por sua perna ferida. Pelo contrário, viram em sua dificuldade de locomoção um alvo fácil. De propósito, jogaram água fervente em suas pernas.
Em apenas meio dia, Beatriz sofreu todo tipo de degradação: comida com odor de urina e uma cadeira de rodas sabotada.
Quando foi derrubada propositalmente no chão mais uma vez, alguém a puxou pelos cabelos por trás, batendo levemente em seu rosto com uma lâmina afiada.
— O que tem de tão especial em ser a noiva de um Valente? Agora você não passa de uma cadela rastejando aos meus pés.
— Quando sair, não nos culpe. Culpe a si mesma por ter ofendido a pessoa errada.
— Aquela pessoa disse que, se você morrer aqui, minha vida financeira estará garantida para sempre.
— Ela também mandou um recado: "Se o Henrique me defendeu uma vez, ele me defenderá outras mil. Você nunca chegará aos meus pés".
O brilho frio da lâmina refletia no rosto de Beatriz. Ela podia imaginar a pessoa atrás dela erguendo o metal, pronta para cravá-lo em seu pescoço.
O sangue quente mancharia as paredes, fluindo sem parar. Beatriz, arrastando sua perna que não cicatrizava, parecia não ter mais forças sequer para lutar.
A lâmina foi erguida no alto e desceu com fúria em direção ao seu pescoço.