《Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro》Capítulo 17

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Clarice e Paulo acabavam de sair de uma galeria de arte — ela começara a estudar pintura a óleo recentemente, e Paulo a acompanhara para escolher materiais.

— O que quer jantar? — Paulo pegou a sacola de papel das mãos dela. — Ouvi dizer que aquele novo restaurante francês é excelente.

Clarice estava prestes a responder quando o celular de Paulo tocou. Ele olhou para o identificador de chamadas, franziu levemente a testa e afastou-se para atender: — Alô?

Clarice não deu importância e baixou a cabeça para examinar as amostras de tinta que acabara de comprar. Contudo, aos poucos, ela percebeu que algo estava errado. A voz de Paulo era baixa, sua fala tornava-se cada vez mais rápida e seu tom exibia uma tensão nunca vista antes. Ele estava de costas para ela, com a linha dos ombros rígida como pedra.

A ligação durou menos de três minutos. Após desligar, Paulo permaneceu imóvel por um longo tempo.

— Paulo? — Clarice aproximou-se. — O que aconteceu?

Paulo virou-se, com o rosto já recuperando a calma: — Nada demais, apenas um pequeno problema na empresa. Vou te levar para casa primeiro, preciso resolver isso.

— Pequeno problema? — Clarice o encarou. — Você parece péssimo.

— É sério, não é nada. — Paulo forçou um sorriso e tentou envolver os ombros dela.

Nesse exato momento, o celular de Clarice também tocou. Era um número desconhecido. Ela hesitou por um segundo antes de atender: — Alô?

Houve um silêncio de dois segundos do outro lado da linha. Então, surgiu aquela voz que ela jamais esqueceria.

— Clari. — A voz de Dante era de uma calma aterrorizante. — As ações da

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caíram quinze por cento esta manhã. Até o fechamento, devem cair mais de trinta por cento.

Os dedos de Clarice apertaram o aparelho com força: — Foi você?

— Fui eu — Dante admitiu prontamente. — Se você não quer vê-lo falir, volte. Volte para o meu lado.

— Você enlouqueceu—

Paulo subitamente tomou o celular da mão dela, com a voz gélida: — Dante Ferraz, assuntos comerciais resolva comigo. Você acha que com esse tipo de tática vai conseguir forçá-la a ceder?

Uma risada baixa veio do outro lado da linha.

— Clari, eu originalmente não queria ser tão drástico — disse Dante pausadamente. — Mas parece que você se esqueceu... o jazigo dos seus pais fica no cemitério "Jardim da Paz Eterna", que pertence ao meu grupo, não é?

O rosto de Paulo mudou instantaneamente. Clarice também ouviu. Ela pegou o celular de volta, com a voz trêmula: — Dante, o que você quer fazer?

— Nada demais. — O tom de Dante era casual, como se falasse do tempo. — Só me ocorreu de repente que, se você não voltar, as cinzas dos seus pais talvez precisem ser removidas. — Ele fez uma pausa. — É claro, se a equipe de obras acidentalmente cavar no lugar errado, seria uma pena ainda maior.

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— Você não se atreveria! — Clarice quase gritou.

— Se eu me atrevo ou não, depende de você. — A voz de Dante esfriou. — Amanhã, às três da tarde, aeroporto de Jiangcheng. Se você não aparecer, darei ordens para iniciarem as obras.

A ligação caiu. O sinal de ocupado ecoava agudo em seu ouvido. Clarice segurava o celular, tremendo por inteiro. Paulo agarrou seu braço: — Clari, não dê ouvidos a ele. Vou cuidar do assunto do cemitério, vou contatar os advogados agora mesmo—

— Não adianta. — Clarice ergueu a cabeça, com os olhos marejados, mas com uma lucidez incomum. — Se ele teve coragem de dizer, é porque tem garantias. O Dante... ele não desiste até atingir seu objetivo.

— Então eu volto com você — disse Paulo. — Eu te acompanho para enfrentá-lo.

— Não. — Clarice balançou a cabeça. — Ele não deixará você entrar no país tranquilamente. Mesmo que você chegue a Jiangcheng, ele terá mil maneiras de impedir que você me veja. — Ela respirou fundo, forçando-se a se acalmar. — Eu volto sozinha. Isso é entre mim e ele, eu preciso resolver.

Paulo quis protestar, mas o olhar de Clarice o fez engolir as palavras.

Naquela mesma noite, Clarice reservou o voo mais próximo para Jiangcheng. Paulo a levou ao aeroporto. Diante do portão de embarque, ele a abraçou apertado: — Me prometa que, aconteça o que acontecer, você vai se proteger.

— Eu prometo — Clarice retribuiu o abraço, com a voz suave. — Espere por mim.

Ela não levou muita bagagem, apenas uma bolsa de mão. Passou pela segurança, embarcou e decolou. Durante as doze horas de voo, ela mal fechou os olhos. Através da janela, as nuvens rolavam como seus pensamentos caóticos.

Quando o avião pousou no aeroporto de Jiangcheng, eram duas e quarenta e cinco da tarde, hora local. Clarice seguiu o fluxo de pessoas até a saída do desembarque. Três anos se passaram, e Jiangcheng parecia não ter mudado nada. Ela puxava sua mala com passos pesados.

Então, ela o viu.

Dante Ferraz estava parado bem à frente da multidão que aguardava, vestindo um terno preto. Ele não segurava placas nem flores, apenas estava lá, como uma estátua silenciosa. Seus olhares se cruzaram. O tempo pareceu estacar por alguns segundos.

Então, Dante lentamente curvou os lábios em um sorriso. Ele deu um passo à frente e, com naturalidade, pegou a mala das mãos dela.

— Bem-vinda ao lar, Clari.

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