《Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro》Capítulo 16

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Na semana seguinte, Dante não apareceu mais. Não houve flores, nem bentôs, nem o vulto vigiando na calçada. Ocasionalmente, Clarice olhava para o canto da cafeteria do outro lado da rua; o lugar estava vazio, restando apenas a neve acumulada.

— Ele desistiu — disse Paulo, entregando-lhe um chocolate quente. — É melhor assim. Clarice pegou a xícara e assentiu em silêncio.

No fim de semana, foi lançado o projeto de cooperação beneficente entre a

Qing’s International

e o orfanato no topo da colina. Como responsável pelo projeto, Clarice seguiu para o local acompanhada de Paulo. Encostada na janela do carro, ela subitamente se lembrou de muitos anos atrás, quando Dante a levara para fazer trabalho voluntário em um orfanato. Naquela época, ele tentava desajeitadamente fazer bolinhos para as crianças, ficando com o rosto sujo de farinha, mas sorrindo como um menino.

— Chegamos — a voz de Paulo interrompeu seus pensamentos.

O orfanato ficava em um platô no topo do monte. A diretora, uma senhora gentil, aguardava no portão com as crianças. As atividades seguiram o cronograma: distribuição de suprimentos, artesanato e preparo do almoço. Clarice agachou-se diante de uma menina loira, ensinando-a pacientemente a dobrar tsurus de papel. A luz do sol atravessava a janela, iluminando seu perfil.

Ela não percebeu que, na encosta além da grade do orfanato, um utilitário preto estava estacionado. Dante estava lá dentro, observando-a de longe através da neve por uma hora inteira. Somente quando o evento entrou em um intervalo, ele desceu do carro e caminhou sobre a neve em direção ao local.

— Clari.

Clarice estava ajudando uma criança a limpar as mãos. Ao ouvir a voz, seus movimentos estancaram, mas ela não se virou. Dante parou atrás dela, com a voz muito baixa: — Eu sei que cometi crimes imperdoáveis. Não peço seu perdão, peço apenas uma... oportunidade de compensar.

Clarice dobrou a toalha, levantou-se e virou-se para ele. — Sr. Ferraz, este é um evento de caridade — disse ela, com tom distante. — Se não veio para ajudar, por favor, retire-se.

— Eu vim para ajudar — Dante respondeu de imediato. — Posso fazer qualquer coisa. Clarice o avaliou por dois segundos e apontou para a cozinha: — Então vá ajudar o cozinheiro a descascar batatas.

Dante realmente foi. Ele dobrou as mangas, sentou-se em um banco pequeno no canto da cozinha e segurou o descascador de forma desajeitada. Nunca fizera aquele tipo de trabalho; as batatas ficavam cheias de cortes irregulares e ele chegou a ferir os dedos duas vezes. Mesmo assim, permaneceu ali até terminar um cesto inteiro.

Na hora do almoço, ele serviu as refeições voluntariamente; à tarde, brincou de guerra de neve com os meninos no pátio, terminando encharcado e sorrindo de forma rara. Clarice o via ocasionalmente, mas desviava o olhar com rapidez.

Paulo aproximou-se dela, sussurrando: — Ele está usando a tática da autopiedade. — Eu sei — Clarice baixou os olhos. — Deixe-o. Depois de hoje, não haverá mais contato entre nós.

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Ao entardecer, o evento chegava ao fim. No antigo auditório do orfanato, as crianças faziam uma apresentação. Clarice e Paulo ocupavam a primeira fila; Dante sentava-se sozinho na última.

Subitamente, um estalo agudo de madeira partiu da lateral do palco. A viga antiga que sustentava a cortina de fundo rompeu-se sem aviso! A pesada barra de suporte, junto com todo o veludo, despencou em direção à primeira fila.

— Cuidado!

Paulo e Dante correram simultaneamente. Paulo, por estar mais perto, empurrou Clarice para o lado, mas acabou tendo a perna atingida pela estrutura de madeira. Dante chegou um segundo depois, mas não hesitou: usou o próprio corpo como escudo para bloquear o suporte de iluminação que vinha logo atrás!

ESTRONDO!

Vidros quebraram, farpas de madeira voaram. As crianças começaram a gritar. Clarice levantou-se do chão e sua primeira reação foi correr para Paulo: — Paulo! Você está bem?

Paulo estava pálido, com sangue escorrendo da testa: — Minha perna... não consigo mover... — Não se mexa, vou chamar a ambulância! — Clarice discou o número com os dedos trêmulos, sua voz totalmente alterada pela preocupação.

Durante todo o tempo, ela não lançou um único olhar para Dante. Ele estava caído sob o suporte de luz, com um pedaço de vidro estilhaçado cravado no ombro. Dante a viu examinar ansiosamente os ferimentos de Paulo; viu seus dedos tremerem ao telefone; viu que ela sequer olhou em sua direção.

No lugar do coração, sentiu uma pontada aguda e real. Doía mais do que o vidro rasgando a pele. Ele abriu a boca para chamar o nome dela, mas o som não saiu. Sua visão começou a escurecer. A última imagem que viu foi Clarice ajudando a colocar Paulo na maca. Então, a escuridão o engoliu.

Ao acordar, estava no hospital. Teto branco, cheiro de desinfetante. Dante virou a cabeça com dificuldade, vendo o soro pingar lentamente. O quarto estava vazio. A enfermeira entrou: — O senhor acordou? Como se sente?

— Quem... me trouxe? — perguntou Dante, com a voz rouca. — Os bombeiros — a enfermeira respondeu enquanto anotava os dados. — O orfanato ligou pedindo socorro e a equipe de resgate o trouxe. O vidro foi removido do seu ombro; o corte não foi profundo, mas o senhor perdeu muito sangue e precisa de repouso.

Dante paralisou: — Não foi... ela quem me trouxe? — Ela? — a enfermeira estranhou. — Quem seria?

Dante não respondeu. Apenas fitou o teto por muito tempo e, lentamente, fechou os olhos. No fim das contas, até a última ponta de esperança era apenas uma ilusão.

Tarde daquela mesma noite, Dante arrancou o acesso do soro e saiu cambaleando do hospital. O ferimento no ombro ainda sangrava, manchando a bandagem de vermelho, mas ele não sentia dor. Ou melhor, a dor no coração já superava tudo.

Ele entrou em um bar que ainda estava aberto e pediu uma garrafa inteira de uísque. O álcool forte queimava da garganta até as extremidades do corpo. Debruçado no balcão, encarava o líquido oscilante na taça, mas só via o rosto dela.

— Ela não te ama mais — disse para si mesmo. — Não... — virou mais um copo. — Ela ama... ela só está sendo enganada pelo Paulo... Com certeza é o Paulo... ele usou algum truque, ele a enganou...

Dante ergueu a cabeça bruscamente, com os olhos injetados de sangue. Pegou o celular e discou um número internacional.

— Chefe? — atendeu o assistente. — Sou eu — a voz de Dante era fria como gelo. — Inicie o "Plano Falcão".

Houve um silêncio de dois segundos: — O senhor tem certeza? Isso vai mobilizar todo o nosso fluxo de capital no exterior e, uma vez iniciado, perderemos ao menos—

— Não me importa — Dante o interrompeu, pausadamente. — Eu quero que a

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declare falência em um mês. — Chefe... — Vá fazer o que eu mandei.

A ligação foi encerrada.

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