Nos dias seguintes, Dante vagou como um fantasma nos arredores da empresa. Todo dia, às nove da manhã, quando Clarice entrava no prédio, já havia um buquê de rosas brancas na recepção — suas flores favoritas. O cartão continha sempre as mesmas duas palavras: "Me perdoe".
Clarice nem olhava. Entregava diretamente à assistente: — Distribua para as meninas do administrativo.
Ao meio-dia, um entregador trazia bentôs japoneses sofisticados, com pratos que ela adorava no passado. Ela os passava para o estagiário da mesa ao lado, que acabara de fazer hora extra. Na hora do chá, o Earl Grey fumegante com macarons aparecia pontualmente em sua mesa. Ela abria a janela e jogava a caixa inteira na lixeira lá embaixo.
Dante observava tudo da cafeteria do outro lado da rua, através do vidro. Ele não se aproximava, nem ligava; apenas vigiava em silêncio o vulto dela entrando e saindo do edifício.
Até o entardecer do quinto dia. Clarice trabalhou até as oito e, ao sair, o carro de Paulo já a esperava na porta.
— Cansada? — Paulo desceu do carro, pegou a pasta dela com naturalidade e envolveu os ombros dela com o outro braço. — Tem sopa quente em casa para você se recuperar.
Clarice sorriu e sentou-se no banco do passageiro. Dante, parado nas sombras da esquina, viu o sedã preto partir. Ele ergueu a mão e parou um táxi: — Siga aquele carro, mas não chegue muito perto.
O veículo atravessou a paisagem noturna de Oslo e parou diante de um prédio de apartamentos silencioso. Dante pagou a corrida, desceu e ficou do outro lado da rua, vendo Paulo e Clarice entrarem juntos. As luzes do elevador subiram andar por andar até pararem no décimo segundo.
Ele ergueu a cabeça e contou até a décima segunda janela. A luz acendeu. As cortinas não estavam fechadas. Ele conseguia ver vagamente dois vultos se movendo na sala; Paulo a ajudou a tirar o casaco.
A luz apagou.
Dante ficou parado no mesmo lugar, imóvel. A neve caía cada vez mais forte, acumulando uma fina camada sobre seus ombros. O tempo passava minuto a minuto. A janela do décimo segundo andar permanecia na escuridão. Paulo não saiu.
A respiração de Dante começou a ficar pesada. Ele encarava aquela janela com os olhos assustadoramente vermelhos. Então, ele se moveu. Como uma fera enfurecida, correu para dentro do prédio e apertou freneticamente o botão do elevador.
No décimo segundo andar, ele correu até a porta e esmurrou-a.
Toc, toc, toc!
As batidas ecoaram pelo corredor deserto.
— Clarice! — ele gritou. — Abra a porta! Eu sei que você está aí dentro!
Não houve resposta.
— Eu errei! Eu realmente errei! — Ele encostou a testa na porta, com a voz rouca. — Eu não deveria ter acreditado na Beatriz, não deveria ter deixado você sofrer... Abra a porta, vamos conversar direito, por favor!
O interior continuava em silêncio. Dante escorregou até sentar no chão. Através da porta, ele ouviu. Eram sons leves, abafados, mas reais — respirações contidas e... gemidos.
Dante cobriu as orelhas, mas os sons penetravam. Ele se lembrou de muitos anos atrás, da primeira vez dele com Clarice. Ela era exatamente assim, mordia os lábios sem ousar fazer barulho, e só soltava soluços baixos quando ele a acalmava. Naquela época, ele dissera: "Não tenha medo, eu cuidarei sempre de você".
E agora? Agora ela estava nos braços de outro, emitindo os mesmos sons. Dante encolheu-se diante da porta e não se moveu a noite inteira.
Sete da manhã do dia seguinte. A porta se abriu. Clarice, vestindo roupas confortáveis de casa e com o cabelo levemente bagunçado, preparava-se para levar o lixo para fora. Então, ela viu Dante sentado na soleira.
Ele levantou a cabeça. Os olhos estavam injetados de sangue, o queixo coberto por uma barba por fazer e o terno estava completamente amarrotado. Seus olhares se cruzaram. A expressão de Clarice gelou instantaneamente:
— O que você ainda está fazendo aqui?
— Eu... — Dante tentou se levantar, mas as pernas estavam tão dormentes que ele cambaleou.
Nesse momento, Paulo saiu do apartamento e pegou o saco de lixo da mão dela com naturalidade: — O que houve—?
Ele parou de falar ao ver Dante. No segundo seguinte, Dante avançou bruscamente, desferindo um soco contra Paulo!
— Pare! — Clarice, sem hesitar, atravessou-se na frente de Paulo.
O punho de Dante parou no ar, a poucos centímetros do rosto dela. — Você o protege? — A voz de Dante tremia violentamente. — Clarice Costa, você o protege?
— Meu nome é Anna. — Clarice olhou diretamente nos olhos dele. — Sr. Ferraz, por favor, vá embora.
— Eu não vou! — Dante agarrou o pulso dela. — Você é minha esposa! Nós nos casamos em Jiangcheng, todo mundo sabe—
— Aquela Clarice Costa morreu. — Ela soltou a mão dele com força; sua voz era de uma calma aterrorizante. — Ela morreu no momento em que você, por causa da Beatriz, me chicoteou com sangue de cão preto; quando você me deixou queimar sob o sol; quando você concordou que o mestre arrancasse minha alma do meu corpo. Naquele momento, ela morreu.
Dante recuou um passo.
— A pessoa que está diante de você agora é Anna Coleman — continuou Clarice, pausadamente. — Ela não te conhece e não te ama. Se você ainda sente a mínima ponta de remorso pela Clarice do passado... — Ela fez uma pausa. — Então, eu te peço: nunca mais apareça na minha frente.
Dante abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ele olhou para Clarice, olhou para Paulo logo atrás dela e viu a postura dos dois juntos — tão natural, tão íntima.
— Vamos. — Clarice virou-se e pegou a mão de Paulo. — Vamos nos atrasar para o trabalho.
Os dois passaram por ele. Paulo parou diante do elevador e olhou uma última vez para Dante. Naquele olhar não havia a arrogância de um vencedor, apenas uma pálida e complexa piedade.
A porta do elevador fechou-se. O silêncio voltou ao corredor. Dante ficou ali, parado, por muito, muito tempo. Então, ele lentamente se agachou e escondeu o rosto nas palmas das mãos. Seus ombros começaram a tremer, mas nenhum som foi emitido.