《Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro》Capítulo 14

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Os dedos de Clarice apertaram com força a pasta de arquivos.

— Diretora Anna? — a voz do supervisor de RH veio de trás. — Conhece o novo colega?

Clarice respirou fundo e, ao se virar, seu rosto já havia recuperado a serenidade: — Não conheço. Apenas achei que... o inglês dele é muito bom.

— É verdade, o Sr. Ferraz é muito competente — o supervisor sorriu. — Temos sorte de tê-lo contratado.

Clarice assentiu e caminhou apressadamente para seu escritório. Ao fechar a porta, encostou as costas na madeira, com a respiração descompassada.

Como ele pode estar aqui?

Ele me reconheceu? Não, impossível.

Agora, ela tinha um rosto que até ela mesma estranhava às vezes.

Calma. Preciso ter calma.

Ela foi até a mesa e discou o ramal interno: — O Sr. Paulo está? — Sim, deseja que eu transfira a ligação? — Não precisa, eu vou até lá.

No escritório da presidência, na cobertura, Paulo franziu o cenho ao ouvir o relato: — Ele entrou por um processo de entrevista? — Sim. Apresentou-se hoje. — Vou mandar o RH demiti-lo agora mesmo.

— Não — Clarice balançou a cabeça. — Isso só causaria mais suspeitas. Se ele se atreveu a vir, com certeza se preparou. Uma demissão repentina só confirmaria que eu estou aqui.

Paulo a encarou: — Então, o que pretende fazer? — Agir como se não soubesse de nada. — Clarice foi até a janela, observando os pedestres minúsculos lá embaixo. — Ele ficará alguns dias, não descobrirá nada e acabará indo embora. — É arriscado demais. — O lugar mais perigoso é o lugar mais seguro — Clarice virou-se, com o olhar agora totalmente frio. — Estando debaixo do nariz dele, ele terá menos motivos para desconfiar.

Paulo silenciou por um longo tempo e finalmente assentiu: — Está bem. Mas ao menor sinal de anormalidade, me avise imediatamente.

Um mês se passou. Dante, de fato, não demonstrou nenhuma anormalidade. Ele trabalhava com afinco, demonstrava uma capacidade excepcional e rapidamente se estabeleceu no departamento de marketing. Ocasionalmente, ao encontrá-la no elevador ou nos corredores, ele apenas acenava educadamente: "Diretora Anna". Como se realmente não a conhecesse.

Mas Clarice podia sentir — o olhar dele, sempre que ela não percebia, pousava sobre ela. Um olhar de escrutínio, de investigação, carregado de uma obsessão silenciosa.

Festa de aniversário do Paulo.

A empresa reservou um restaurante sofisticado. Clarice usava o vestido que Paulo lhe dera — um longo prateado que realçava ainda mais seu cabelo loiro. Ela segurava o braço dele, recebendo os cumprimentos dos colegas.

— Sr. Paulo, Diretora Anna, vocês formam um belo casal! — Quando teremos a festa de casamento?

Paulo sorriu, brindando, e sussurrou no ouvido dela: — Eles têm razão. Clarice hesitou por um segundo. No momento seguinte, Paulo soltou a mão dela e caminhou até o centro do restaurante. A música parou. Todos os olhares se voltaram para ele.

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Paulo tirou uma pequena caixa do bolso e a abriu: era um anel de diamantes. — Anna — ele disse, com a voz clara o suficiente para ser ouvida em todo o recinto. — Nestes últimos seis meses, você me ensinou o que significa estar realmente vivo. Você aceita... ser minha namorada?

Silêncio. E então, os gritos e aplausos dos colegas: "Aceita! Aceita!"

Clarice ficou parada, olhando para Paulo, para o anel e para a expectativa nos olhos dele. Lembrou-se de tudo o que ele fizera por ela — salvá-la, dar-lhe uma nova identidade, acompanhá-la na adaptação a este mundo... Ela caminhou lentamente até ele. Pegou o anel.

— Eu aceito.

Os aplausos atingiram o auge. Paulo a abraçou e baixou o rosto, aproximando-se lentamente de seus lábios. Clarice fechou os olhos.

No instante em que seus lábios estavam prestes a se tocar— Uma mão agarrou o pulso dela com violência e a puxou!

Clarice cambaleou para trás, caindo em um abraço familiar. Ela levantou a cabeça e deu de cara com os olhos injetados de sangue de Dante Ferraz.

— Clari — ele disse com a voz rouca. — Volte comigo.

O restaurante mergulhou em um silêncio mortal. Todos os observavam. Clarice lutou para soltar a mão dele: — Você enlouqueceu? Quem é Clari? Eu sou Anna Coleman!

— Clarice Costa — Dante a encarava, cada palavra pesada como chumbo. — Você toma café com dose dupla de expresso, aperta a base do polegar esquerdo quando está nervosa e morde o lábio inferior sem perceber quando está pensando... Eu nunca esqueci nenhum desses seus hábitos!

O rosto de Clarice empalideceu gradualmente. — E tem mais — Dante deu um passo à frente. — O seu jeito de caminhar...

— Chega! — Paulo avançou, colocando-se entre Clarice e Dante. — Dante Ferraz, você está demitido. Agora, saia da minha empresa imediatamente!

Dante nem sequer olhou para ele; seus olhos permaneciam fixos no rosto de Clarice. — Eu sei que errei — sua voz suavizou-se de repente, carregada de um súplica quase desesperada. — Clari, me dê mais uma chance... eu te imploro...

Clarice olhou para ele. Olhou para o homem que um dia amara com todas as forças e que, depois, a fizera odiá-lo até a alma. Então, ela falou calmamente:

— Segurança.

Quatro guarda-costas vestidos de preto aproximaram-se imediatamente. — Por favor, retirem este senhor — a voz de Clarice era fria como gelo. — Ele está proibido de colocar os pés neste prédio de agora em diante.

Os seguranças agarraram os braços de Dante. Ele não ofereceu resistência; apenas continuou a fitá-la fixamente até ser arrastado para fora do restaurante, sem desviar o olhar por um segundo sequer.

A porta se fechou. O restaurante estava mudo. Paulo envolveu os ombros de Clarice: — Já passou.

Clarice assentiu, forçando um sorriso: — Vamos continuar, não deixem que isso estrague a noite.

A música recomeçou. Todos fingiam que nada havia acontecido, evitando cuidadosamente o assunto. Clarice pegou uma taça de champanhe e foi até a janela. Lá embaixo, na rua, Dante era empurrado pelos seguranças para longe do prédio. Ele ficou parado na neve por um longo tempo, com a cabeça erguida, olhando para a janela onde ela estava.

Depois, virou-se e desapareceu na escuridão da noite.

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