《Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro》Capítulo 8

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— Dante... — O corpo abriu a boca, e a voz que saiu foi a de Beatriz. — Eu voltei...

Dante correu até ela e abraçou o "corpo".

— Bia...

A alma de Clarice flutuava no ar, fraca e rarefeita, até se refugiar nas sombras da sombrinha preta. Ela olhou uma última vez para o corpo que lhe pertencera; viu Dante limpando ternamente a sujeira do rosto "dela". Viu "ela" se aninhar no peito dele e, na direção onde Clarice estava, lançar um sorriso de vitória.

Dante, amparando Beatriz — que agora possuía o rosto de Clarice —, caminhou para dentro do pátio do mestre. Beatriz agarrava as lapelas do paletó dele com força.

— Mestre, — Dante dirigiu-se ao ancião sentado no tapete de oração — a alma dela ainda está na sombrinha. Existe alguma forma... de encontrar um novo corpo para ela?

O mestre abriu os olhos. Seu olhar percorreu a "Clarice" nos braços de Dante e depois pousou na sombrinha preta no chão.

— Existe. — O mestre falou lentamente. — Mas três condições precisam ser cumpridas.

— Diga.

— Primeiro: deve ser um corpo feminino. Segundo: o tempo de morte não pode ultrapassar vinte e quatro horas. Terceiro: a falecida deve ter partido por vontade própria; não se pode tomar um corpo à força.

Dante baixou o olhar para a sombrinha: — Vontade própria?

— Arrebatar o corpo de outra pessoa gera uma maldição terrível. — A voz do mestre era calma. — Mas, se a morta não tiver apego e renunciar voluntariamente à carne, a alma pode ser conduzida.

Beatriz puxou levemente a manga de Dante: — Dante... isso é realmente certo? A irmã...

— A Clarice não pode morrer. — Dante a interrompeu, com o olhar obstinado. — Eu já cometi erros demais.

Ele se ajoelhou, colocou a sombrinha cuidadosamente no chão e suavizou a voz:

— Clari, você está me ouvindo?

A estrutura da sombrinha tremeu levemente.

— Eu sei que você me odeia. — Dante passou os dedos pelo cabo do objeto. — Mas a Bia estava grávida, seriam duas vidas perdidas... Eu não podia simplesmente assistir.

— Me dê um pouco de tempo. — Sua voz soou rouca. — Em vinte e quatro horas, eu juro que encontrarei um corpo adequado para você. Eu prometo.

Beatriz também se agachou, tentando tocar o cabo da sombrinha:

— Irmã, obrigada... por me ceder seu corpo. Eu e o bebê seremos eternamente gratos pela sua bondade.

A sombrinha deu um solavanco brusco, escapando das mãos dela.

— Clari... — Dante quis dizer algo mais.

Mas ela não queria mais vê-los.

Dante encarou o objeto por um longo tempo antes de se levantar: — Mestre, vou começar a busca agora mesmo.

— Espere. — O ancião levantou a mão. — Deixe a sombrinha aqui.

Dante franziu a testa: — Por quê?

— Este pátio possui um arranjo de energia mística. — O mestre explicou. — A alma dela está extremamente fragilizada. No mundo exterior, temo que ela não resista por doze horas. Deixando-a comigo, talvez ela suporte por mais alguns dias.

Dante hesitou.

Beatriz enlaçou o braço dele suavemente: — Dante, o mestre tem razão. A irmã está tão fraca que, se algo acontecer lá fora...

Dante olhou para a sombrinha e finalmente assentiu: — Está bem.

Ele se inclinou e tocou o cabo uma última vez: — Clari, espere por mim.

Dito isso, ele abraçou Beatriz pela cintura e se virou para sair. Ao chegar ao portão do pátio, ele olhou para trás. A sombrinha preta jazia silenciosa no chão, sua superfície refletindo um brilho sombrio sob a luz do luar.

Ele desviou o olhar e partiu, sem olhar para trás novamente.

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