《Sob o Sol Proibido: A Vingança do Espectro》Capítulo 1

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Todos em Jiangcheng sabiam que Dante Ferraz tratava Clarice Costa como se ela fosse uma rainha.

Um homem vindo do submundo, que se tornou o líder da maior organização da cidade, conhecido por seus métodos implacáveis, mas que era estranhamente terno com sua esposa.

Os companheiros zombavam dele, chamando-o de "louco por sua mulher", mas Dante não se irritava; apenas apertava com mais força o terço budista entre os dedos.

Naquele momento, no quarto principal do terceiro andar da mansão, Clarice jazia imóvel sobre a cama.

Sua pele era tão pálida que parecia quase transparente. Ela estava naquele estado há três anos, desde o acidente de carro que matou seus pais e deixou seu irmão em estado vegetativo.

Clarice quase não sobreviveu, mas Dante encontrou um mestre místico que realizou um ritual para prender sua alma ao corpo.

O mestre advertiu que sua alma não poderia ver a luz do sol, sob o risco de se dissipar para sempre, mas que ela poderia entrar e sair livremente do corpo, não estando tecnicamente morta.

"Aguarde três anos", dissera o mestre a Dante.

"Ore e recite os mantras todas as noites à meia-noite. No final do terceiro ano, o último ritual permitirá que ela viva novamente, sem medo da luz".

Dante guardou cada palavra por mais de mil dias e noites. Aquela era a última noite.

Perto da meia-noite, Dante ajoelhou-se ao lado da cama, segurando o terço gasto pelo uso constante enquanto entoava os mantras antigos.

A alma de Clarice flutuava no ar, observando-o. Ele estava mais magro, com um cansaço impossível de esconder no olhar, mas o coração dela se aquecia — que mulher não desejaria um marido assim? Alguém que lutou por ela e a guardou por três anos.

O relógio antigo na parede marcava oito da noite. Faltavam apenas três horas.

Clarice sentia vontade de sorrir; em breve, seria uma pessoa normal novamente, capaz de caminhar sob o sol.

De repente, o celular de Dante tocou. Ele olhou para a tela, franziu a testa e atendeu.

— Tem que ser agora? — sussurrou ele. — Certo, estou indo.

Dante desligou, levantou-se e olhou para Clarice na cama com um brilho complexo nos olhos. Ele se inclinou e depositou um beijo em sua testa.

— Clari, tenho uma urgência. Espere por mim; quando eu voltar, tudo isso terá acabado.

Ele trocou de roupa rapidamente e saiu do quarto sem olhar para trás. A alma de Clarice hesitou por alguns segundos e, por instinto, seguiu-o.

O carro de Dante voava pelas ruas, avançando sinais vermelhos em direção ao aeroporto.

Na área VIP, uma mulher jovem correu para os braços dele. Clarice nunca a vira antes — era linda, extravagante e vestia apenas marcas de luxo.

Uma dor aguda atravessou seu peito. Almas também sentiam dor?

Ela não sabia. Assistiu Dante abraçar a mulher e levá-la até o hotel mais caro da cidade, o Cloud Hotel. Eles entraram no elevador e apertaram o botão do 12º andar. Suíte 1208.

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Clarice lembrava-se daquele número; Dante dissera que, por ser a data do aniversário dela, ele sempre escolhia aquele quarto onde quer que fosse.

Risos femininos vinham de dentro do quarto, seguidos por sons abafados.

Clarice atravessou a porta e viu o movimento sob os lençóis da cama.

— Vá devagar... — a mulher riu baixinho. — Eu estou grávida.

O mundo de Clarice desabou. Ela não soube como conseguiu sair dali. Quando recobrou os sentidos, já estava de volta à mansão, encarando seu próprio corpo pálido na cama.

— Talvez... talvez seja algum mal-entendido — murmurou Clarice para o vazio, sua alma flutuando inquieta pelo quarto. — Eu vi como ele cuidou de mim nestes três anos...

Ela se lembrou de quando conheceu Dante.

Naquela época, o líder da organização era o pai dela, e ela era a princesa mais brilhante de Jiangcheng. Dante era apenas um "Double Red Flower Pole", o lutador mais habilidoso da gangue.

Durante uma festa, ele a viu no meio da multidão e nunca mais desviou o olhar. Ele começou a persegui-la loucamente.

Se alguém lhe enviava flores, no dia seguinte aparecia com a perna quebrada; se ela apertava a mão de um sócio, no dia seguinte a mão do homem era decepada. Ele eliminava todos ao redor dela da maneira mais selvagem possível.

Clarice finalmente confrontou-o:

"Não gosto de homens como você. Prefiro alguém culto, com humor e elegância, não alguém que resolve tudo com violência."

Dante não disse nada e partiu. Seis meses depois, ele ressurgiu em um sedã preto discreto e a convidou para o melhor restaurante francês da cidade.

Ele fez o pedido em um francês fluente, conversou com elegância e demonstrou profundo conhecimento sobre a história da arte europeia.

— Fui estudar por seis meses — disse Dante casualmente. — Aprendi três línguas, estudei história da arte e filosofia.

Ele tirou um anel do bolso e se ajoelhou:

"Você disse que queria alguém assim, então eu me tornei esse homem. Clarice Costa, case-se comigo".

Ela aceitou.

Após o casamento, ele a mimou sem limites.

Até seu pai dizia: "Esse rapaz valoriza você mais do que a própria vida."

Até o acidente.

Quando todos diziam que não havia esperança, apenas Dante se recusou a desistir.

Ele buscou especialistas e místicos por todo o mundo até encontrar aquela chance de salvação, orando por ela dia após dia, ano após ano. Como um homem assim poderia traí-la?

A alma de Clarice encolheu-se à cabeceira da cama, vigiando o relógio. Sim, se ele voltasse... se ele voltasse a tempo, ela acreditaria nele.

Onze horas, onze e meia, onze e quarenta e cinco...

A noite lá fora tornava-se cada vez mais densa. Onze e cinquenta. O tempo para o ritual estava expirando, e sua alma sentia ondas de fraqueza.

Se Dante não voltasse para completar a cerimônia final, três anos de sacrifício seriam em vão, e ela poderia desaparecer para sempre.

Faltando cinco minutos, ouviu-se o som da porta abrindo no andar de baixo.

A alma de Clarice estremeceu e voou escada abaixo.

— Dante, é você? Você voltou?

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