《Amor e Código: A Vingança do Gamer Traído》Capítulo 19

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A aparência de Pietro naquele momento era a de um tigre de papel, cuja bravura escondia uma profunda vulnerabilidade. Mesmo com o olhar gélido como o gelo, ele não conseguia impedir as intenções de Valentina.

Ele fechou os olhos por um instante e, ao reabri-los, soltou uma risada de puro escárnio.

— Valentina, preciso te lembrar que suas pernas estão destruídas? Olhando para você desse jeito, que tipo de interesse você acha que eu teria em tocar em você?

As palavras dele foram como um botão de pausa imediato. Valentina ergueu a cabeça, o rosto pálido e a voz tremendo incontrolavelmente.

— Pietro... você tem nojo de mim?

O olhar de Pietro caiu sobre as pernas dela, escondidas sob a camisola. Ele sabia que suas palavras eram cruéis, mas se ela o estava forçando ao limite, não podia culpá-lo por revidar.

— Ninguém gosta de uma inválida. Pelo menos eu, olhando para você, não sinto desejo nenhum.

O corpo de Valentina estremeceu violentamente. Por fim, ela praticamente fugiu do quarto, batendo a porta atrás de si.

Talvez o golpe tenha sido duro demais. No dia seguinte, Pietro notou que Valentina passara a cobrir as pernas com uma manta grossa, ocultando as calças vazias. Ele pressionou os lábios, mas não disse nada.

Nos dias que se seguiram, Valentina não entrou mais no quarto dele e raramente aparecia em sua frente. Eles viveram um período de trégua silenciosa. Pietro começou a se adaptar à vida sem dispositivos eletrônicos e aproveitou para mapear cada centímetro da ilha.

Ele descobriu que, embora não houvesse barcos para fuga, a cada cinco dias um pequeno navio de suprimentos atracava para entregar mantimentos. Na primeira vez em que viu outras pessoas além de Valentina, o coração de Pietro disparou. Ele caminhou em direção aos entregadores.

— Eles são meus homens. Mesmo que você fale com eles, não entendem o seu idioma e não vão te responder — disse Valentina, surgindo do nada atrás dele.

Pietro não parou. Ele aproximou-se dos homens e tentou se comunicar, mas, como ela avisara, eles nem sequer o olharam nos olhos. No entanto, ele não se deixou abater. Se havia uma ponte com o mundo exterior, ele daria um jeito de cruzá-la.

A partir de então, sempre que os mantimentos chegavam, Pietro observava os entregadores à distância. Após algumas visitas, ele escolheu o homem mais jovem do grupo e, silenciosamente, deslizou um papel com um número de telefone no bolso dele.

Pietro não era mais aquele homem solitário de quem ninguém sentiria falta. Ele tinha amigos, tinha fãs. Ele sabia que Beatriz e os outros estariam fazendo o impossível para encontrá-lo. Se aquele homem fizesse apenas uma ligação, ele estaria salvo.

Os dias de espera tornaram-se mais longos e tortuosos que o normal. Nesse intervalo, ele e Valentina tiveram outro atrito. Ela o levou até a praia e apontou para um campo de girassóis que começavam a florescer.

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— Pietro, lembro que você gostava destes. Que tal se plantarmos girassóis por toda a ilha?

Pietro olhou para as flores por apenas um segundo antes de desviar o olhar, sem qualquer sinal de alegria.

— Valentina, o clima daqui não é adequado para girassóis. Forçá-los a crescer neste solo só vai matá-los — disse ele, com um tom de duplo sentido.

Como se para confirmar suas palavras, em menos de meia hora, as flores que pareciam radiantes começaram a murchar sob o sol escaldante e o vento salino. Uma rajada mais forte derrubou grande parte delas. Valentina olhou para as flores mortas, sentindo uma dor no peito que dificultava a respiração.

— Pietro, você ainda não quer me perdoar? — Lágrimas escorreram de seus olhos. — O que eu preciso fazer para você me perdoar?

Pietro suspirou profundamente. — Deixe-me ir embora e entregue-se à polícia.

Valentina ficou em silêncio por um longo tempo. Quando Pietro sentiu uma ponta de esperança, ela balançou a cabeça. — Eu não consigo. Eu quero você comigo, Pietro. Só nos separaremos quando eu morrer.

Pietro sentiu-se um idiota por ter esperado qualquer humanidade dela. Ele fechou o rosto e saiu andando. Na visita seguinte dos entregadores, ao ver que apenas os mesmos homens desciam do barco, seu humor atingiu o fundo do poço. Mesmo assim, ele manteve a disciplina e colocou outro bilhete no bolso do jovem. O homem não o denunciou, o que já era uma forma de esperança.

Na segunda e terceira visitas, ninguém apareceu para resgatá-lo.

Um mês depois, na quinta visita, o ronco de helicópteros subitamente rasgou o céu da ilha. Simultaneamente, dezenas de lanchas da guarda costeira cercaram a costa. Valentina olhou horrorizada para Pietro. Ele, com um brilho intenso nos olhos, correu em direção à saída.

— Pietro!

Ele parou e olhou para trás. Por um instante que pareceu durar uma eternidade, seus olhos se encontraram com os dela. Sem dizer uma palavra, ele se virou e correu para a praia com toda a força de suas pernas.

Ao chegar à areia, Pietro viu Beatriz correndo em sua direção, acompanhada pela polícia marítima. Segundos depois, ela se jogou nos braços dele, soluçando:

— Eu finalmente te encontrei!

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