《Amor e Código: A Vingança do Gamer Traído》Capítulo 18

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A consciência de Pietro oscilava em um estado de semitorpor. Ele não sabia por quanto tempo Valentina o carregara, nem para onde o levara; lembrava-se apenas de terem trocado de meio de transporte várias vezes durante o trajeto.

Quando finalmente despertou por completo, percebeu que estava em uma pequena casa branca. O coração de Pietro afundou. Ele se levantou para procurar seu celular, mas a voz calma de Valentina ecoou da porta:

— Não precisa procurar. Eu guardei todos os seus aparelhos eletrônicos.

Pietro sentiu a respiração travar e, contendo a fúria, perguntou com voz sombria: — Valentina, o que diabos você quer afinal?

Valentina não respondeu. Ela girou a cadeira de rodas para entrar lentamente no quarto e olhou para ele. — Pietro, quer dar uma olhada lá fora? Esta será a nossa casa de agora em diante.

Sabendo que era impossível ter uma conversa racional com ela, Pietro resolveu não perder tempo. Ele saiu do quarto para explorar o local; precisava descobrir onde estava para planejar uma fuga.

Contudo, ao sair, Pietro percebeu que estava em uma ilha isolada, cercada por mar por todos os lados. Seu ânimo desmoronou completamente. Após um longo silêncio, ele perguntou: — Onde estamos?

Valentina, que o seguia, mencionou o nome de um país minúsculo e acrescentou: — Eu comprei esta ilha recentemente. Queria algo melhor, mas o dinheiro começou a acabar.

Só então Pietro compreendeu que Valentina não apenas o levara para longe de sua terra natal, como o transportara para fora do país. Ele não entendia como ela conseguira fugir ilegalmente, mas o que mais o intrigava era por que ela escolhera viver em uma ilha deserta em vez de uma cidade. Pelo que vira até agora, não havia mais ninguém ali além deles dois.

— Porque tenho medo que você fuja — explicou ela com franqueza. — Só aqui você não tem para onde ir e será obrigado a ficar comigo.

Mal ela terminou de falar, uma lâmina afiada foi pressionada contra seu pescoço. A voz fria de Pietro veio de cima: — Tire-me daqui.

Valentina tocou o suporte vazio da faca no braço de sua cadeira de rodas e disse calmamente: — Pietro, não há barcos na ilha. Uma vez aqui, não há como sair.

A lâmina pressionou um pouco mais a pele dela. Um fio de sangue escorreu pelo pescoço de Valentina, mas sua expressão não mudou. — Se não acredita, pode procurar você mesmo.

O confronto terminou com Pietro jogando a faca no chão, frustrado. Valentina tocou o corte no pescoço e sorriu: — Pietro, o que você quer comer? Eu vou cozinhar.

Pietro a ignorou e caminhou em direção ao outro lado da ilha. Mesmo que ela dissesse que não havia barcos, ele precisava ver com os próprios olhos. Após dar uma volta completa na ilha, ele foi forçado a aceitar a realidade: de fato, não havia nenhum meio de transporte.

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Olhando para a imensidão do mar, ele sentiu uma mistura de desânimo e confusão. Estaria mesmo condenado a morrer ali? Talvez, se fosse cruel o suficiente com Valentina, pudesse forçá-la a tirá-lo dali. Mas Pietro sabia que não possuía a mesma frieza dela; ele não conseguia torturar uma mulher em uma cadeira de rodas.

No fim, ele chutou a areia com força e voltou para a casa branca. Ao entrar, sentiu o aroma de comida. Valentina estava sentada à mesa e sorriu ao vê-lo: — Pietro, venha comer. Fiz os pratos que você gosta.

Pietro hesitou, mas aproximou-se da mesa e olhou para os quatro pratos e a sopa. Eram todos alimentos de sabor suave e leve. Na verdade, Pietro preferia sabores intensos, picantes e bem temperados. Naquela época, como Valentina só sabia cozinhar pratos leves, ele mentira dizendo que adorava apenas para agradá-la.

Agora, ele não se importava mais com os sentimentos dela. — Esses não são os pratos que eu gosto. São os pratos que o Iago gosta.

Só mais tarde Pietro entendera por que Valentina dizia ter aprendido a cozinhar especialmente para ele, mas só fazia comida leve. Ele fora apenas um "provador"; a pessoa que ela realmente queria cuidar sempre fora o Iago.

O sorriso de Valentina congelou. Após um tempo, ela recuperou a voz com dificuldade: — Pietro, eu já cuidei do Iago com rigor. Não fique mais zangado, por favor.

Pietro soltou uma risada de escárnio. — E o nome da equipe? Você disse que mudou para A.Y. por amor a mim. Mas aquele "Y" na verdade era de "Iago" (Yì), não era?

Valentina baixou o olhar e disse com a voz rouca: — Pietro, me perdoe.

— Não gaste essas palavras — Pietro levantou-se da mesa. — Eu nunca tive a intenção de te perdoar.

O jantar terminou em um clima hostil. Durante o resto do dia, Pietro não viu Valentina, até que, à noite, ela abriu a porta do quarto e entrou. Seus olhos se encontraram; Pietro notou o cabelo dela ainda úmido do banho e levantou-se para ir dormir em outro cômodo. Ele jamais dividiria o mesmo espaço com ela.

Entretanto, assim que tentou se levantar, ele caiu de volta na cama. Seus olhos dispararam para o copo de água na cabeceira. — O que você colocou na água? — perguntou ele, com a voz pesada.

Valentina não respondeu. Em vez disso, ela estendeu a mão para tocar o peito de Pietro e inclinou o corpo sobre ele. — Pietro, deixe-me ter um filho seu. Talvez, quando tivermos uma criança, você deixe de sentir tanto ódio de mim por causa dela.

O olhar de Pietro tornou-se gélido. — Valentina, saia de cima de mim agora!

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