Ao voltar para casa, Valentina se trancou em seu quarto por dois dias e duas noites sem sair. No terceiro dia, ela deixou de lado a aparência abatida e entregou um papel ao assistente.
— Prepare um local para um pedido de desculpas seguindo estas instruções. Depois, compre os direitos de transmissão de todos os telões das praças da cidade para amanhã. Quero admitir meus erros e pedir perdão ao Pietro publicamente.
— Além disso, o Pietro gosta de colecionar antiguidades. Haverá um leilão hoje na zona sul; arremate tudo o que estiver lá. Quero dar a ele como um presente de desculpas.
— E prepare uma adaga para mim. Tem que ser afiada. Vou cortar minha própria carne diante dele; só vou parar quando ele me perdoar.
Diante do olhar aterrorizado do assistente, Valentina sorriu: — O Pietro tem o coração mole, ele com certeza vai me perdoar.
Mas, antes que esses planos pudessem ser executados, a polícia bateu à sua porta. — Senhora Valentina, você é suspeita de vários casos de lesão corporal grave. Por favor, acompanhe-nos à delegacia para prestar depoimento.
Os lábios de Valentina se tornaram uma linha fina. Após um longo silêncio, ela baixou o olhar e disse: — Vamos.
Vinte e quatro horas depois, Valentina saía da delegacia quando deu de cara com Pietro, que chegava para prestar depoimento. Seus olhos se cruzaram em um silêncio absoluto. Quando estavam prestes a passar um pelo outro, ela disse com a voz rouca: — Pietro... você me odeia tanto assim?
Odeia a ponto de querer colocá-la na prisão com as próprias mãos? A pergunta não obteve resposta; a única coisa que restou foi a leve brisa deixada por Pietro ao passar por ela. Valentina mordeu o lábio e permaneceu imóvel por um longo tempo.
— Chefe, ainda precisamos preparar o local do pedido de desculpas? — perguntou o assistente com cautela.
As pálpebras de Valentina tremeram. Após um instante, ela balançou a cabeça. Pietro a odiava tanto que queria vê-la presa; como ele poderia perdoá-la?
Mas... eu realmente não consigo desistir de você
, pensou ela.
Ela se virou para olhar para Pietro mais uma vez. Naquele momento, ele subia as escadas e se virou para olhar na direção dela. No breve contato visual, Valentina sorriu tristemente e girou sua輪 (cadeira de rodas) para se retirar lentamente.
Pietro observou friamente enquanto ela se afastava acompanhada por advogados e assistentes, e perguntou ao policial ao seu lado: — Ela não confessou nada?
— Não. Desde o momento em que entrou na delegacia, Valentina permaneceu em silêncio até a chegada dos advogados. — O jovem policial ajustou os óculos. — Senhor Pietro, as evidências que você nos forneceu, por terem sido gravadas de forma ilegal, não servem como prova direta, apenas como auxílio. Para fazê-la confessar, temo que será uma batalha de longo prazo.
Pietro estreitou os olhos. Ele já esperava por isso. — Tudo bem. Eu posso esperar.
Enquanto estivesse vivo, ele encontraria uma maneira de colocá-la na prisão. No entanto, ao lembrar do último olhar de Valentina, Pietro sentiu uma inquietação inexplicável.
Felizmente, nos dias seguintes, nada aconteceu. Valentina não apareceu mais em sua frente. Durante esse tempo, a equipe Z.M. avançou com força total e chegou às semifinais. Tudo parecia estar indo bem.
O humor de Pietro começou a relaxar, mas toda a tranquilidade terminou abruptamente na noite da grande final. Uma hora antes de partirem para o local da competição, quando todos os membros da Z.M. estavam prontos para conquistar o título da temporada de verão, Pietro recebeu um vídeo de um número desconhecido.
No vídeo, Beatriz estava amarrada a uma cadeira, com uma mensagem anexa:
"Venha me encontrar neste endereço. Não chame a polícia, ou eu a mato."
Pietro empalideceu. — Onde está a Beatriz? — gritou ele.
Só então todos perceberam que a dona da equipe, que deveria acompanhá-los, ainda não havia aparecido. Pietro estava furioso. Ele largou seus equipamentos e deu uma ordem rápida: — Usem o reserva esta noite.
Ele dirigiu em alta velocidade para o local indicado no vídeo. No caminho, ele acionou a polícia discretamente e pisou fundo no acelerador. Uma hora depois, chegou a uma fábrica abandonada no subúrbio. Ao descer do carro, viu Valentina esperando não muito longe.
— Onde está a Beatriz? — perguntou ele com voz sombria.
Valentina curvou os lábios. — Parece que você não está nem um pouco surpreso por eu tê-la sequestrado.
— Porque ninguém é tão desprezível quanto você — respondeu Pietro friamente.
Valentina mordeu o lábio com força, mas logo voltou a sorrir. — Não importa. Se for para ter você, não me importo de ser desprezível.
Pietro realmente não conseguia entendê-la. Ela não valorizava quando tinha, mas usava qualquer meio inescrupuloso para recuperar o que perdeu. — Valentina, ainda dá tempo de parar com isso.
Ela balançou a cabeça sorrindo e fez um sinal com a mão. Um homem aproximou-se de Pietro segurando uma seringa com um líquido transparente.
— Eu sei que você tem intolerância a muitos medicamentos — disse Valentina. — Este foi desenvolvido especialmente para você.
As pupilas de Pietro se contraíram. Ele tentou resistir, mas assim que levantou a mão, Beatriz foi trazida para fora, inconsciente, e um homem cravou uma faca em seu braço sem hesitar.
— Pare!
— Seja um bom menino, Pietro. Eu sei que você chamou a polícia, então não tenho tempo a perder. Ou você toma a injeção, ou eu acabo com ela. — A adaga ensanguentada foi pressionada contra o peito de Beatriz.
Pietro rangeu os dentes e, por fim, permitiu que o líquido transparente fosse injetado em sua veia. Segundos depois, ele caiu no chão, perdendo completamente a consciência.
Ao acordar, Pietro percebeu que estava deitado em um barco em movimento. Valentina estava sentada ao seu lado. Quando seus olhares se cruzaram, ela o abraçou sorrindo: — Pietro, finalmente você é meu.