《Amor e Código: A Vingança do Gamer Traído》Capítulo 16

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— ...Eu quero pedir desculpas. Sinto muito. Eu fiz tantas coisas imperdoáveis contra você todos esses anos, a culpa foi toda minha. Se for possível, volte para o meu lado, me deixe compensar você, por favor?

— Compensar?

Pietro soltou uma risada sarcástica, como se tivesse ouvido a piada mais absurda do mundo. — Valentina, você se lembra do que fez comigo? Como você pretende compensar isso?

Valentina estancou. Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu.

— Você não consegue dizer? Então eu digo — Pietro declarou com a voz gélida. — Para colocar o Iago na equipe, você destruiu deliberadamente minha reputação e quebrou minhas mãos, garantindo que eu nunca mais pudesse competir.

— Para garantir que o Iago vencesse o campeonato mundial, você mandou alguém me atropelar de propósito, me deixando entre a vida e a morte; eu quase não saí vivo daquela mesa de cirurgia.

— O Iago disse que eu queria afogá-lo, e você me fez provar cada segundo da agonia do sufocamento.

— O Iago disse que eu queria inutilizá-lo e, ignorando minhas lesões antigas, você mandou quebrarem cada osso dos meus dedos, um por um, e ainda me injetou drogas que causam esquizofrenia.

— Cada uma dessas atrocidades — Pietro fixou o olhar em Valentina, pronunciando cada palavra com precisão cortante — você pretende compensar com o quê?

A cada frase de Pietro, o rosto de Valentina perdia mais a cor. No fim, ela não conseguia sequer sustentar o olhar dele.

— Sinto muito...

ESTALO!

Antes que ela pudesse continuar, um tapa violento de Beatriz silenciou Valentina. Beatriz a encarava de cima, com os olhos transbordando fúria. — Valentina, como você tem a audácia de vir procurar o Pietro? Se eu fosse você, já teria me matado para pagar pelos meus pecados e desapareceria para sempre da frente dele!

Valentina sentiu-se humilhada pelas palavras de Beatriz. Diante dos olhares de desprezo e raiva de todos ao redor, sua vontade era fugir. Mas ela sabia que, se recuasse agora, dificilmente teria outra chance de ver Pietro.

— Pietro, eu sei que nada vai apagar o dano que te causei, mas peço que me dê uma chance. Volte para mim, por favor — implorou ela, com os olhos vermelhos. — Eu demorei demais para acordar. Só agora percebi que quem eu sempre amei foi você. Eu te amo, Pietro. Não me deixe, eu te imploro.

Antes que Pietro pudesse falar, Beatriz interveio novamente, sem paciência. — Já chega, Valentina! Onde estava esse amor antes? Agora quer se fazer de coitada para quem ver?

Um brilho de hostilidade surgiu no olhar de Valentina. — Isso é um assunto entre o Pietro e eu. Que autoridade você tem para se meter?

Beatriz ia retrucar, mas Pietro a impediu com um gesto e olhou fixamente para Valentina.

— Já que você diz que é um assunto entre nós dois, eu, como o principal interessado, vou te dar a resposta.

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— Valentina — Pietro disse pausadamente, como se cada palavra fosse uma lâmina cortando o que restava do coração dela. — O seu "amor" é algo que eu não suporto e nem desejo. Eu nunca vou te perdoar, e não preciso da sua compensação. Entre nós, a única coisa que existe é o ódio.

Dito isso, Pietro ignorou a figura trêmula e devastada de Valentina. Ele a contornou e seguiu em frente com passos firmes. Os membros da Z.M. o seguiram imediatamente.

Mesmo após caminhar uma longa distância, Pietro ainda pôde ouvir o choro rouco de Valentina ecoando no vento. Ele não olhou para trás nem uma única vez.

No entanto, por causa daquela declaração de amor, uma pequena onda de lembranças surgiu em sua mente. Ele se lembrou de quando entrou no mundo dos e-sports aos dezesseis anos, conheceu Valentina aos dezessete e juntou-se à equipe dela aos dezenove. No seu aniversário de vinte anos, Valentina disse que queria namorá-lo. Ela era linda, generosa e tinha uma personalidade que todos admiravam. Seis meses depois, ele aceitou.

O momento em que Pietro sentiu o amor mais intenso por ela foi há dois anos, quando foi injustamente acusado de doping e sua carreira parecia arruinada. Na época, com todas as "provas" contra ele, ninguém acreditava em sua inocência, exceto Valentina, que ficou ao seu lado com determinação. Quando todos exigiam seu banimento, foi ela quem enfrentou a pressão para torná-lo treinador principal. Ela foi sua salvação.

Naquele momento, Pietro acreditou que Valentina seria a mulher da sua vida. Só mais tarde ele descobriu que foi ela quem o jogou no inferno primeiro, apenas para depois posar de salvadora. E que ela só se aproximou dele porque seu "amor de infância", Iago, tinha começado a namorar outra pessoa; ela o usou apenas como um curativo para suas feridas. Ela nunca esqueceu o Iago.

Assim que Iago a procurou querendo entrar na equipe, ela não hesitou em destruir tudo o que Pietro tinha.

Pietro soltou um riso amargo. Que ironia. Depois de arruinar tudo o que ele era, ela vinha dizer que o amava. Ele limpou um rastro de lágrima no canto do olho; ele não tinha interesse em um amor tão barato.

Ao seu lado, Beatriz notou o gesto e franziu a testa, confusa. — Não me diga que ainda sente falta dela?

Pietro balançou a cabeça. Ele não chorava por saudade ou sentimento. Chorava apenas pelo lamento de ter desperdiçado quatro anos de sua vida com uma pessoa assim.

Beatriz suspirou aliviada. — Ufa! Por um segundo achei que você ia começar a soluçar e eu não saberia como te consolar.

Pietro deu uma leve risada. Após um momento de silêncio, Beatriz explicou brevemente o motivo da amputação das pernas de Valentina. — Ela está completamente acabada agora.

— A propósito, eu me lembro que você pretendia processá-la por lesão corporal grave. No estado em que ela está, você pensa em dar uma trégua?

Pietro permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder: — As pessoas devem pagar pelo que fazem. Eu não vou amolecer o coração.

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