《Amor e Código: A Vingança do Gamer Traído》Capítulo 14

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As palavras de Iago eram nítidas, mas Valentina não conseguia processar o significado delas — ou melhor, ela simplesmente não ousava entender. Cada frase era como uma lâmina em brasa cravada em seus pulmões, deixando-a tão sufocada que mal conseguia respirar.

Finalmente, ela sentia na pele a mesma agonia que Pietro deve ter sentido quando soube da verdade.

Valentina fechou os olhos por um instante e, ao reabri-los, suas pupilas estavam carregadas de um frio gélido e cortante. Ela deixou a casa em silêncio e discou um número: — "Investigue o Iago. Quero tudo, o mais detalhado possível."

Foi uma noite sem sono.

No dia seguinte, ao encontrar Valentina, Iago agiu como de costume. Ele se aproximou para abraçá-la, carinhoso: — "Querida, por que você não voltou para casa ontem à noite?"

O corpo de Valentina enrijeceu levemente: — "Ficou muito tarde, acabei dormindo na mansão da família."

Iago deu um beijo nela: — "Então vou preparar o café da manhã para você."

Após a refeição, os dois seguiram juntos para a base da equipe. No caminho, Valentina observava Iago discretamente. De vez em quando, ele se virava e sorria para ela. Antes, ela achava aquele sorriso encantador; agora, percebia o quão superficial ele era. Não havia amor naqueles olhos, apenas cálculo.

Valentina sentia o coração gelar. No momento em que estava prestes a exigir que ele parasse o carro para confrontá-lo, um caminhão descontrolado surgiu na direção oposta, vindo direto contra eles.

As pupilas de Valentina se contraíram bruscamente. Num piscar de olhos, ela viu Iago girar o volante com força para o lado, fazendo com que o lado do passageiro — onde ela estava — recebesse o impacto total do caminhão.

BANG!

Com o estrondo da colisão, o mundo de Valentina girou violentamente. No último segundo antes de perder a consciência, ela viu Iago abrir a porta do carro e abandoná-la sem hesitar.

Será que um homem assim realmente teria arriscado a vida para salvá-la no passado?

Ela não pôde deixar de pensar em Pietro, que uma vez levou uma facada por ela, e nas palavras que ele disse em seu momento de maior desespero: —

"Valentina, e se eu te dissesse que quem te salvou naquela época fui eu?"

Valentina arregalou os olhos, o corpo todo tremendo.

Será que...

Ela queria confirmar, mas o sangue começou a jorrar de sua boca. Parecia que ela não teria mais essa chance.

Não se sabe quanto tempo se passou até Valentina abrir os olhos. Ela percebeu que havia sido trazida de volta do limiar da morte, mas suas pernas, cobertas pelo lençol, não tinham o menor rastro de sensibilidade. Ao puxar a coberta, ela encarou o vazio abaixo de suas coxas: as calças estavam vazias.

No segundo seguinte, ela fechou os olhos com força.

Ao lado, ouviu-se um choro contido: — "Querida, me desculpe... eu queria chamar ajuda para você..."

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Valentina virou o rosto e encontrou os olhos culpados de Iago. Aquela cena era terrivelmente familiar. Algum tempo atrás, ela mesma estava ao lado da cama de Pietro com essa mesma expressão desprezível e hipócrita.

Isso deve ser o carma

, pensou ela.

Valentina começou a rir. Iago achou que ela tinha enlouquecido com o choque, mas logo ela recuperou a calma. — "Vá para casa. Há muita coisa para resolver na equipe."

Iago hesitou por um momento: — "Tudo bem, não fique triste, eu estarei sempre com você."

Assim que ele saiu, o brilho de riso nos olhos de Valentina desapareceu, restando apenas o gelo. O assistente, que esperava do lado de fora, entrou e entregou-lhe um envelope volumoso.

— "Chefe, aqui estão as informações sobre o Iago." — "O que descobriram?"

O assistente relatou: — "O pai do Sr. Iago era, na verdade, um assassino que espancou a esposa até a morte. Iago... foi cúmplice. Ele só não foi condenado na época por ser muito jovem."

Lembrando-se de algo, o assistente franziu a testa, visivelmente desconfortável: — "Também encontramos no computador dele uma grande quantidade de vídeos de tortura contra animais e pessoas. Aqueles vídeos foram reproduzidos muitas vezes. O Iago..."

O assistente não terminou a frase, mas Valentina entendeu. Iago não era apenas uma pessoa ruim; ele era um psicopata profundamente distorcido.

Então... como ele poderia tê-la salvado?

— "Ah, chefe," o assistente abriu o laptop e apertou o play, — "alguém enviou anonimamente uma gravação para a senhora."

Ao ver as imagens, as pupilas de Valentina se contraíram. Era o vídeo da câmera de segurança do acidente de anos atrás. Na tela, o carro dela colidia com um caminhão, e ela ficava presa nas ferragens. O tanque de combustível vazava, ameaçando explodir a qualquer momento. Ninguém se atrevia a chegar perto.

Até que, meio minuto depois, uma silhueta alta e magra correu em direção ao perigo. Ele forçou a porta retorcida e retirou Valentina, já inconsciente, carregando-a nos braços.

Valentina assistiu enquanto ele a colocava em um local seguro e começava a fazer massagem cardíaca enquanto discava para a emergência. Ela fixou os olhos na tela, esperando que o homem levantasse o rosto.

Finalmente, quando a situação dela pareceu estabilizar, o homem levantou a cabeça, aliviado, e limpou o suor da testa. Valentina finalmente viu quem era.

Era Pietro. Realmente era o Pietro!

Mesmo preparada para a verdade, Valentina perdeu totalmente a cor. Ela havia se enganado desde o início. Por causa de um mentiroso, ela torturou seu verdadeiro salvador até que ele perdesse tudo.

Valentina começou a tossir violentamente. Tomada por uma fúria autodestrutiva, ela cuspiu sangue e desmaiou ali mesmo.

O quarto de hospital virou um caos.

Quando acordou novamente, Valentina parecia uma flor murcha, sem qualquer energia vital. Ela permaneceu deitada, encarando o teto com olhos vazios, e ordenou ao assistente: — "Mande alguém vigiar o Iago. Não o deixe escapar."

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