《Encontrado Após Sete Anos: Meu Marido Tem Outra Mulher》Capítulo 21

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Luna levou um susto e correu para se esconder atrás de Bernardo. Dizem que as crianças conseguem ver coisas que os adultos não veem, e pelo visto, era verdade!

Bianca não deu muita importância, achando que era apenas um balbucio sem sentido da filha, mas Bernardo parecia subitamente distraído, com o pensamento longe.

Nesse momento, Bianca disse: — Bernardo, leve-me para ver a Irmã Luna. Eu ainda não tive a oportunidade de prestar minhas homenagens a ela.

Bernardo voltou a si e respondeu baixo: — Tudo bem.

Bianca levou um buquê de rosas para Luna e queimou muito papel-moeda em sua memória. Diante do túmulo, ela desabafou: — Irmã Luna, para falar a verdade, nós duas nunca chegamos a conversar de verdade.

— Nas poucas lembranças que tenho de você, seus olhos estavam sempre carregados de melancolia e tristeza. Naquela época eu não entendia o porquê, mas agora... eu preferia continuar sem entender.

— Há um "me perdoe" que eu nunca consegui dizer na sua frente. Agora, receio que seja tarde demais.

Luna sentiu o coração apertado e disse, comovida: — Você não tem motivo nenhum para me pedir perdão. — Afinal, a culpa nunca fora dela.

Bianca continuou, enquanto as lágrimas caíam: — No fim das contas, eu ocupei o seu lugar por sete anos, e não sei como te compensar por isso.

— Esta é a minha filha, a Aurora. Você me disse uma vez que também teve um filho e que gostava de crianças. Se não se importar... deixe que a Aurora te chame de "madrinha", pode ser?

Luna agachou-se e acariciou o rosto de Aurora, sorrindo com os olhos marejados: — É claro que sim.

Aurora olhava para Luna com curiosidade. Ela tentava tocá-la, mas percebia que sua mãozinha não encontrava nada, olhando para os próprios dedos com confusão. Luna sorriu e piscou para ela, fazendo a menina rir alegremente.

Ao saírem do cemitério, Bernardo convidou Bianca para jantar em um restaurante próximo. Durante a refeição, Bianca olhava fixamente para ele, hesitante.

Bernardo percebeu que ela queria dizer algo e perguntou: — O que foi?

Bianca baixou os olhos e disse suavemente: — Há algo que eu sempre quis te contar.

Bernardo ficou em silêncio, esperando. Até Luna notou a hesitação de Bianca e ficou curiosa. Como se estivesse tomando uma decisão difícil, Bianca respirou fundo e revelou:

— Isso foi algo que meu pai me contou há três anos, depois de muita insistência minha. No ano em que te encontrei... na verdade, houve gente procurando por você.

Luna e Bernardo olharam para Bianca em choque.

Com a voz embargada, ela continuou: — Meu pai te reconheceu. Ele sabia que você era o herdeiro do Grupo Fontes. Na época, o Grupo Lins estava disputando um grande projeto na Alemanha contra a sua empresa.

— Ele escondeu a sua identidade, deixou que o Grupo Fontes acreditasse na sua morte para que as ações despencassem e ele pudesse ganhar o contrato com facilidade. Ele também bloqueou qualquer notícia vinda do Brasil para que eu acreditasse que você estava sozinho no mundo e que ninguém te procurava...

As lágrimas de Bianca transbordaram: — Bernardo, meu pai errou muito com você, e errou ainda mais com a Irmã Luna...

A cabeça de Luna parecia que ia explodir. Ela ficou estática. Agora tudo fazia sentido... Ela passara meses vigiando aquela costa; a praia onde Bernardo desapareceu era tão próxima de onde Bianca o encontrou... Como ela nunca soube que alguém havia sido resgatado?

Então era por isso...

Luna não sabia se sentia ódio pela crueldade do pai de Bianca ou se lamentava o capricho do destino. Mas, no fim, tudo já era passado. Todos ali sentados eram vítimas da mesma trama, e não tinham o direito de cobrar uns aos outros.

Bianca olhou suplicante para o homem pálido à sua frente.

— Bernardo, eu sei que você deve ter vontade de matá-lo... mas ele é o meu pai. Sou a única filha dele, minha mãe morreu cedo e foi ele quem me criou. Por favor... perdoe-o, pode ser? Eu estou disposta a pagar pelos erros dele diante da Irmã Luna...

Bernardo disse calmamente: — Não precisa.

Bianca paralisou. Ele deu um sorriso amargo, com a voz rouca: — Esqueça. Deixe como está.

A essa altura, ele não tinha o direito de odiar ninguém, nem forças para isso. O único que ele odiaria para sempre era a si mesmo.

Eles não terminaram o jantar. Bernardo levantou-se, cambaleou por um instante e saiu dali, com a alma em frangalhos.

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