No primeiro ano após a morte de Luna, soube-se que Bianca dera à luz na Alemanha. Era uma menina, filha dela e de Bernardo.
Bernardo cogitou viajar até a Alemanha para visitá-la, mas Bianca recusou. Ela disse: — É melhor não nos vermos agora. Quando ela for um pouco maior, eu a levarei ao Brasil para você conhecê-la.
Ele não insistiu, mas Luna viu com os próprios olhos quando ele convocou um advogado e redigiu seu testamento. Ele deixou toda a sua herança pessoal para Bianca e a filha.
Em apenas um ano, ele envelheceu drasticamente. Luna, sentada ao lado dele, observava as finas rugas nos cantos de seus olhos e o cabelo que já estava em grande parte grisalho, soltando um longo suspiro.
Ele quase nunca mais mencionava o nome de Luna em público; ela havia se tornado um tabu entre as pessoas ao seu redor. Mas apenas Luna sabia que, no silêncio das madrugadas, aquele homem que parecia tão firme e frio diante dos outros precisava abraçar as roupas dela para conseguir pegar no sono.
Com o tempo, o perfume de Luna nas roupas foi desaparecendo, e as noites dele tornaram-se cada vez mais inquietas, restando-lhe apenas o auxílio de soníferos. A secretária, preocupada, sugeriu que ele procurasse um psicólogo.
Ele foi e contou toda a história ao profissional. O psicólogo, confrontado com uma situação tão atípica, não soube muito o que dizer, limitando-se a sugerir: — Sr. Fontes, o senhor já tentou... esquecer a Srta. Luna?
Ao ouvir aquilo, o coração de Luna deu um salto. No segundo seguinte, Bernardo levantou-se abruptamente, fazendo a cadeira arrastar-se com um ruído estridente.
Com o rosto sombrio, ele disse friamente: — Eu levei uma eternidade para me lembrar dela, e você quer que eu a esqueça de novo? Quer que eu a perca mais uma vez?
Na verdade, do ponto de vista clínico, o conselho do médico era o mais sensato para o momento. Não conseguir esquecer alguém que já partiu significa ficar estagnado no tempo junto com o morto; nenhum remédio faria efeito enquanto ele estivesse ali.
Bernardo saiu sem olhar para trás e nunca mais procurou ajuda psicológica. Mas sua insônia piorou. Ele começou a beber e a fumar excessivamente. No entanto, ao chegar em casa à noite, costumava hesitar à porta antes de entrar.
Quando a governanta perguntava por que ele não entrava, ele respondia: — A Luna não gosta do cheiro de cigarro e bebida em mim. Vou esperar o cheiro sair um pouco antes de entrar para ficar com ela.
A governanta ficou atônita, e Luna sentiu o peito arder. Ela o abraçou, soluçando e implorando baixinho: — Bernardo, por favor, reaja... Não se castigue desse jeito...
Aquele castigo parecia ricochetear em Luna, chicoteando sua própria alma. Se continuasse assim, ele destruiria a própria saúde em pouco tempo. Luna sentia-se impotente, angustiada por não poder fazer nada por ele.
Finalmente, o advogado do Grupo Fontes, que conhecia toda a situação e não aguentava mais ver o estado do patrão, entrou em contato com Bianca. Assim, no terceiro ano após a morte de Luna, Bianca retornou ao Brasil com a filha.
Ao ver Bernardo, os olhos de Bianca ficaram vermelhos instantaneamente. Ela disse com a voz embargada: — Bernardo, você envelheceu tanto.
Bernardo esboçou um sorriso triste e fixou o olhar na garotinha nos braços dela. Suspirou profundamente: — Você deve ter tido muito trabalho.
Bianca balançou a cabeça e disse: — O nome dela é Aurora. — Em seguida, falou para a menina: — Aurora, diga oi para o... titio.
Bernardo estancou por um momento, deu um sorriso amargo, mas não disse nada; apenas estendeu a mão para tocar o rosto da criança. Era a filha de Bianca, apenas dela, e não tinha ligação com Bernardo. Bianca estava, deliberadamente, cortando os laços afetivos de paternidade com ele.
Bianca era mais corajosa e forte que Luna; em apenas dois anos, já havia conseguido sair da sombra daquele relacionamento. Luna sentia-se feliz por ela.
Luna encantou-se por Aurora e estendeu a mão no ar, tentando acariciar o rosto da menina. Aurora, contudo, parecia enxergar Luna. Seus olhos grandes acompanharam o movimento do espírito e, de repente, ela estendeu a mãozinha em direção a Luna.
Com uma voz doce de criança, ela balbuciou: — Tia...