Bernardo permaneceu agachado diante daquele canteiro ressecado e negligenciado, perdido em seus pensamentos. Luna viu uma ou duas lágrimas cristalinas deslizarem de seus olhos e sumirem na terra árida.
Ele se levantou cambaleante e abriu a porta principal da mansão dos Fontes. Como Luna sempre mantinha funcionários para a limpeza regular, a casa estava impecável. Tudo permanecia exatamente como no dia em que ela partira — e a decoração ainda era a mesma de quando Bernardo saíra de casa, sete anos atrás. Até a cor das cortinas e as capas dos sofás não haviam sido trocadas.
Luna era apegada às lembranças; ela não queria que, no dia em que ele voltasse, encontrasse qualquer detalhe estranho ou desconhecido no lar.
Há sete anos, quando Bernardo saiu por aquela porta, Luna se despediu dele com alegria, recomendando: "Volte logo, está bem?". Mal sabiam que aquela despedida duraria sete anos. E o vovô Fontes, infelizmente, nunca mais retornou.
As decisões tomadas no passado tornaram-se agora facas cravadas em seu peito. No entanto, enquanto essa ferida se abria nele agora, em Luna ela já havia cicatrizado e se transformado em uma doença incurável e silenciosa.
...
— Bernardo, venha aqui.
Bernardo teve a impressão de ver o avô sentado no sofá, com as sobrancelhas franzidas e um ar de autoridade, fazendo um sinal para que ele se aproximasse. Aos 23 anos, ele obedeceu e sentou-se ao lado do velho.
O vovô Fontes dispensou a governanta e o mordomo antes de perguntar: — Ouvi dizer que você pretende pedir a Luna em casamento assim que se formar?
Bernardo assentiu: — Exatamente.
O idoso sorriu satisfeito, mas logo ponderou: — Que bom. É que já estou com uma idade avançada... não sei se terei tempo de ver vocês casados.
Bernardo imediatamente franziu a testa e disse com firmeza: — Vovô, não diga isso. Se a Luna ouvir, com certeza vai chorar.
O avô suspirou: — Não tenho medo de mais nada, só temo pelo que será de você e da Luna quando eu realmente partir.
— Nós ficaremos juntos e cuidaremos um do outro — afirmou Bernardo. — O senhor não precisa se preocupar tanto.
— Quando envelhecemos, não conseguimos evitar esses receios... — disse o velho, fixando o olhar em Bernardo. — Bernardo, em meu coração, a Luna já é minha neta legítima. No casamento, as mulheres são sempre as que mais se sacrificam. Quero que prometa ao seu avô que você só amará a Luna por toda a vida e que nunca falhará com ela!
O pai e a mãe de Bernardo também foram namorados de infância, indo da escola direto para o altar. Contudo, o pai de Bernardo fora um canalha; menos de cinco anos após o casamento, ele já tinha um filho fora do matrimônio com outra mulher, e a mãe de Bernardo morreu de tristeza profunda. Quando o pai se preparava para assumir a amante publicamente, sofreu um acidente de carro fatal, no qual morreram os três, incluindo o filho ilegítimo.
Esse trauma era uma cicatriz no coração do avô e de Bernardo, algo que nunca mencionavam em público. O avô, ao questioná-lo com tanta seriedade, estava avisando Bernardo para não seguir o caminho tortuoso do pai.
Naquela juventude, Bernardo fizera um juramento solene ao avô: — Eu amo a Luna. Ela será a única em minha vida. Jamais permitirei que ela sofra ou seja ferida. Se eu quebrar este juramento, que eu seja condenado ao inferno eterno!
Aquelas promessas de juventude ecoavam agora em seus ouvidos, vibrantes e dolorosas. E então, como um espelho que se estilhaça, tudo se quebrou diante de seus olhos.
O Bernardo de 18 anos certamente nunca perdoaria o Bernardo de 30. Pois ele não apenas quebrou a promessa, como permitiu que a mulher que amava morresse de tristeza, exatamente como sua mãe... Era como se o destino o tivesse condenado a repetir os erros do pai.
Com passos pesados, Bernardo subiu para o quarto deles. No guarda-roupa, as roupas de ambos ainda estavam lá. Luna não havia mexido em um único terno dele, todos perfeitamente alinhados.
Bernardo pegou uma camisola de Luna, apertou-a contra o peito e deitou-se na cama, ainda vestido. O espírito de Luna deitou-se ao lado dele, substituindo a camisola, e estendeu a mão tentando suavizar os vincos de preocupação em sua testa. Mas sua mão atravessou a pele dele.
Luna recolheu a mão com melancolia e suspirou baixo: — Durma bem. Tudo parecerá melhor quando você acordar.
Observando o cansaço em seu semblante, ela sabia que ele não tinha uma boa noite de sono há muito, muito tempo.