《Encontrado Após Sete Anos: Meu Marido Tem Outra Mulher》Capítulo 18

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Talvez as palavras de Bianca tenham realmente surtido efeito. Pelo menos, Bernardo não parecia mais tão apático, com aquela aura de quem poderia seguir o caminho de Luna a qualquer momento.

Ele de fato se reergueu, mas todos os dias ia ao cemitério passar um tempo diante da lápide de Luna, limpando a poeira do túmulo dela e do vovô Fontes. Após conversar com eles, retornava à empresa, transformando-se novamente naquele líder implacável, frio e indiferente do Grupo Fontes.

Seu retorno chocou a cidade de Santos, mas ele se recusava terminantemente a tornar pública a notícia da morte de Luna. Diante dos conselhos de sua secretária, ele dizia, em um estado de negação: — Eu sinto que ela ainda está aqui. Ela está me acompanhando, ela não partiu.

Ao ouvir isso, Luna sentiu um calafrio, pois, de fato, ela nunca saíra do lado dele. No entanto, ao vê-lo encarar a foto dos dois sobre a mesa por horas a fio, ela percebia que era apenas um mecanismo de autodefesa. Ele ainda não aceitava a realidade da partida dela. Os mortos têm uma presença poderosa; eles ficam gravados nos ossos de quem fica.

Mais tarde, Bernardo procurou amigos em comum para perguntar sobre a vida de Luna durante os sete anos de seu desaparecimento. Ele ouvia os relatos sobre a saudade dela como se estivesse se autopunindo.

Tiago Rocha, que o encontrara por acaso e soubera da morte de Luna, estava com o semblante carregado de emoções conflitantes.

— Depois que você se foi, ela teve que segurar a dor para organizar o seu funeral e o do seu avô — contou Tiago. — Ela não suportava ver o trabalho da sua vida virar cinzas, então, mesmo quando seu estado mental estava à beira do colapso, ela se manteve firme por você.

Tiago então o questionou: — Onde você esteve nesses sete anos? Se estava vivo, por que não voltou para ela?

— Como seu corpo nunca foi encontrado, ela sempre acreditou que você estivesse vivo. Mas, com o passar dos anos, a saúde mental dela foi ladeira abaixo... Você e o seu avô eram a única família que ela tinha. A partida de vocês foi um golpe pesado demais.

Bernardo soltou um sorriso amargo e disse com a voz rouca: — Eu também preferiria ter morrido há sete anos do que...

Do que perder a memória, amar outra pessoa e, diante da mulher que mais amava, não ser capaz de reconhecê-la.

Luna não pôde deixar de pensar: será que Bernardo realmente queria recuperar a memória para viver nesse estado de agonia? Se não tivesse lembrado, talvez pudesse ter vivido uma vida tranquila com Bianca, com sua esposa e seu filho...

Contudo, a conversa com Tiago pareceu finalmente lhe dar coragem para voltar à casa deles. Era o lar onde cresceram juntos, localizado em um condomínio de luxo nos arredores de Santos.

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Ele estacionou o carro na porta e hesitou por um longo tempo antes de criar coragem para pressionar o leitor digital. A fechadura ainda mantinha seus dados faciais e digitais gravados; Luna sempre acreditou que, um dia, ele voltaria.

E veja só, ele realmente voltou.

Ele deixou o carro na entrada e caminhou pelo jardim da frente, querendo sentir cada pedaço do passado deles. No jardim, havia dois canteiros que antigamente a governanta usava para plantar hortaliças.

Alguns dias antes do aniversário de dezesseis anos de Luna, Bernardo escreveu um bilhete para ela durante a aula, perguntando: "De qual flor você gosta mais?"

Luna pensou um pouco e respondeu: "Rosas, eu acho."

Ela imaginou que ele lhe daria um buquê no dia do aniversário. Mas, ao chegar da escola, descobriu que ele havia transplantado todas as verduras do canteiro e preenchido o espaço com rosas. Como não sabia de qual espécie ela gostava, plantou um pouco de cada.

Ele perguntou sorrindo: — Você gostou?

Aquele foi o primeiro aniversário de Luna após a morte de seus pais. Ela achava que tinha perdido seu porto seguro e que ninguém mais a trataria como um tesouro. Mas o Bernardo de dezesseis anos, parado diante daquele roseiral, disse seriamente:

— Luna, de agora em diante, o que você gostar, eu planto. Vou plantar flores para você pelo resto da vida, pode ser?

Luna debulhou-se em lágrimas e assentiu: — Pode.

Mais tarde, Bernardo acabou levando umas bengaladas do avô, pois as verduras estariam prontas para o consumo em apenas uma semana, e ele as arrancou antes da hora, desperdiçando o trabalho da governanta. Ele teve que usar sua mesada para compensar a funcionária para que o assunto fosse encerrado.

Desde então, aquele canteiro nunca mais viu verduras; apenas rosas. Todos os anos, antes do aniversário dela, ele dava um jeito de trazer sementes de diferentes espécies. Anos depois, quando saiu ao mar na Alemanha, foi porque ouvira falar de uma espécie de rosa que florescia o ano todo e queria levá-la para Luna.

Infelizmente, as rosas no jardim agora estavam todas murchas. Bernardo não podia voltar no tempo, e Luna estava morta.

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