Bernardo finalmente se levantou, cambaleante. Ele fixou o olhar na foto de Luna por um longo tempo antes de se virar e partir.
Ele retornou ao Grupo Fontes, mas ainda não tivera coragem de voltar para a casa que um dia dividiram. Durante a semana seguinte, ele se instalou em um hotel próximo à empresa. Primeiro, foi prestar suas homenagens ao falecido avô no jazigo da família. Depois, reassumiu oficialmente o comando da companhia, sentando-se à cabeceira da mesa de reuniões para ouvir os relatórios de todos os gerentes sobre os últimos sete anos.
No discurso de cada um deles, era inevitável que o nome "Srta. Luna" surgisse. Sempre que ouvia o nome dela, Bernardo paralisava por alguns instantes. Então, baixava os olhos para esconder suas emoções e dizia com a voz grave: — Continue.
Luna, assistindo a tudo de perto, sentia-se aliviada por ter feito um bom trabalho naqueles sete anos; ao menos, ele não encontraria uma empresa em ruínas.
Após as reuniões iniciais, Bernardo voltou ao escritório para lidar com a pilha de pendências. Luna, como fazia em vida, permanecia ao lado dele, ora deitada no sofá, ora debruçada sobre a mesa à sua frente. Ele recuperara aquela postura rígida e fria de outrora, como se tivesse construído uma armadura em volta de si.
À tarde, a secretária anunciou hesitante: — Sr. Fontes, há uma senhorita querendo vê-lo. Diz que se chama Bianca Lins.
Tanto Luna quanto Bernardo ficaram estáticos. Bernardo respondeu secamente: — Não vou atender.
Mas, antes mesmo que a secretária pudesse sair, Bianca empurrou a porta e entrou. Bernardo lançou um olhar para a secretária e ordenou: — Feche a porta.
A secretária saiu imediatamente. Bianca parecia exausta, com olheiras profundas de quem não pregava o olho há dias — e ela ainda estava grávida. Ela tirou o amuleto de jade da bolsa, colocou-o sobre a mesa e o empurrou em direção a ele, dizendo com firmeza:
— Devolvendo ao legítimo dono.
Bernardo travou. Com a mão trêmula, ele pegou o amuleto e o apertou na palma da mão, com o olhar perdido. Após um longo silêncio, ele murmurou com a voz rouca: — Obrigado.
Bianca sorriu amargamente: — Isso era da Irmã Luna, não era? Agora entendo por que ela ficou tão abalada ao ver este amuleto. Na época, achei que fosse apenas saudade do marido falecido...
Bernardo não respondeu, mas seus olhos estavam injetados de sangue e sua expressão parecia prestes a desmoronar. Bianca também começou a chorar, soluçando: — Fiquei sabendo que... a Irmã Luna sofreu um acidente no mar?
O corpo de Bernardo ficou rígido. Após um momento de silêncio, ele negou: — Não. Ela apenas está brava comigo. Logo ela estará de volta...
Luna tentou estender a mão para limpar a lágrima no canto do olho dele, mas paralisou ao notar algo: nos cabelos antes totalmente negros de Bernardo, haviam surgido fios brancos nas têmporas. Em tão pouco tempo, ele envelhecera visivelmente.
Luna ficou imóvel, em choque. Bianca também notou os fios brancos. Suas lágrimas correram ainda mais fortes e ela explodiu:
— Bernardo Fontes, encare a realidade! A Irmã Luna nunca mais vai voltar! Ela não te contou a verdade em vida porque queria que você vivesse bem. Com você nesse estado deplorável, como espera que ela descanse em paz?!
Bernardo apertou o amuleto com tanta força que a palma de sua mão ficou arroxeada. Ele começou a murmurar para si mesmo, como se estivesse se punindo: — Ela não vai me deixar. Ela ainda está por aqui, só está magoada... ela só... está escondida.
Ao ver a dor extrema e o delírio do homem à sua frente, Bianca finalmente compreendeu que ele não pertencia mais a ela. O destino fora cruel, fundindo dois homens e dois amores em um único corpo. Para que este voltasse, aquele teria que desaparecer. Estavam condenados ao inacabado.
Bianca limpou as lágrimas, engolindo a tristeza avassaladora, e anunciou: — Meu voo para a Alemanha sai hoje à tarde.
Bernardo olhou para ela em silêncio. Respirou fundo e disse: — Eu te levo ao aeroporto...
Mas Bianca o interrompeu friamente: — Não precisa. Bernardo, o que houve entre nós termina aqui.
Bernardo estancou, fechou os olhos e, por fim, não disse nada. Bianca deu uma última olhada profunda naquele homem que tinha o rosto do seu amado, mas que agora era um estranho. Antes de sair, ela deixou um conselho como se fosse uma amiga:
— A Irmã Luna queria que você vivesse. Você precisa se recompor. Este é o império que ela protegeu por sete anos por você; mesmo que seja para pagar seus pecados, você deve viver e cuidar disso por ela. Não fique apenas sofrendo. Ir chorar na lápide dela só vai atrapalhar a passagem da alma dela!
Bernardo estremeceu e apoiou a mão trêmula na mesa para não cair. Bianca já havia se virado para partir, mas, ao chegar à porta, olhou uma última vez para aquele homem que parecia indiferente à sua partida.
Ela não aguentou e soluçou: — Bernardo Fontes, eu realmente te odeio.
Bernardo, sufocado pela culpa, sussurrou: — Me perdoa, eu...
Bianca não ficou para ouvir. Sem olhar para trás, ela saiu definitivamente. Aquela partida marcava o fim; talvez nunca mais se vissem, ou talvez, o tempo de encontros entre eles tivesse se esgotado para sempre.