《Encontrado Após Sete Anos: Meu Marido Tem Outra Mulher》Capítulo 16

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Bernardo permaneceu parado diante da porta por um longo tempo. Em seguida, baixou os olhos, retirou o anel do anelar esquerdo e o depositou sobre o tapete em frente ao quarto, virando as costas e partindo.

Luna queria muito ficar ali para ver como Bianca estava, mas assim que Bernardo se afastou, ela foi obrigada a segui-lo. Ao entrarem no elevador, Luna não resistiu e começou a falar com ele, rodeando seu corpo.

— A Bianca é uma garota maravilhosa. Eu achava bom que você estivesse com ela, não te culpo por isso.

— Eu tirei minha vida porque estava exausta, queria apenas parar e descansar. Não tem nada a ver com você.

— Bernardo, não se sinta tão culpado. Se você ficar assim... eu não conseguirei partir em paz.

Infelizmente, não importava o que Luna dissesse, ele não podia ouvir. Ela jamais o vira com aquela expressão: um olhar vazio, em transe.

Ao sair do hotel, ele olhou para o céu e, por um instante, seu rosto ficou completamente inexpressivo. Parecia alguém que estivera perdido no deserto por muito tempo e finalmente avistara a lua de sua terra natal, mas tudo já havia mudado e ele não conseguia mais enxergar o caminho à frente.

Ele não foi para a empresa; pegou um táxi e voltou ao cemitério. Luna o acompanhou e, ao ver o cair da noite e notar que ele vestia roupas finas, começou a ficar angustiada. O telefone dele tocou por muito tempo, mas ele ignorou todas as chamadas até que a bateria se esgotou e o aparelho desligou sozinho.

Ele sentou-se diante da lápide de Luna, encostando a cabeça na foto dela. Era exatamente como quando Luna era viva e ele, exausto, buscava refúgio em seu abraço para descansar.

Ele sussurrava: — Luna, sinto tanto a sua falta... sinto tanto...

Luna disse com a voz embargada: — Eu sei, Bernardo. Mas não se puna desse jeito, por favor.

Bernardo não ouvia as preces de Luna e acabou pegando no sono ali mesmo, escorado na lápide. O cemitério à noite era sombrio e desolado; passar a noite ali certamente acabaria com a saúde dele. As mãos de Luna não podiam tocá-lo, então ela circulava ao redor dele, desesperada.

Por fim, ela foi puxada por uma força magnética para dentro do sonho dele.

Era o verão após o vestibular, logo no início do namoro. O avô de Bernardo sabia do relacionamento, mas era muito rigoroso. Temendo que a impulsividade da juventude fizesse o neto perder o controle, ele acomodou os dois em quartos bem distantes um do outro.

Contudo, no silêncio da noite, Bernardo costumava bater à porta dela usando código Morse como sinal. Nessas ocasiões, eles apenas ligavam o projetor no quarto e assistiam a filmes abraçados. Era o lazer especial deles.

Naquela vez, o filme era

Orgulho e Preconceito

. No final, quando Mr. Darcy caminha sob a luz da manhã para se declarar a Elizabeth, Luna chorava copiosamente. Bernardo, enquanto lhe entregava lenços, perguntou com seu jeito pouco romântico: — É só um pedido de namoro. Eu também não me declarei para você?

Luna lançou-lhe um olhar feio: — Bernardo Fontes, você estraga o clima! Já vimos tantos romances e sou sempre a única que chora!

— Por que você não se emociona? Por acaso o que sente por mim é carinho de irmão e não amor?

Luna o provocava propositalmente, e sempre funcionava. Bernardo olhou fixamente para ela e disse com seriedade: — É porque eles são eles, e nós somos nós.

— Eu jamais deixaria você sentir que não a amo, nem permitiria que tivesse dúvidas ou hesitações sobre o nosso sentimento.

Luna perguntou: — Por que tanta certeza?

Com um semblante solene, ele respondeu: — Mesmo que você estivesse no meio de uma multidão de milhares de pessoas, eu te encontraria no primeiro olhar.

— Eu te darei o amor mais convicto, porque meus olhos só conseguem enxergar você. Todas as outras pessoas são apenas figurantes.

Enquanto falava, Bernardo aproximava-se cada vez mais, até que a ponta de seu nariz tocou a de Luna, com as respirações quentes se entrelaçando. A temperatura no quarto subiu drasticamente. O aroma agradável de cedro que emanava dele a envolvia.

No instante em que os lábios se tocaram, ambos prenderam a respiração — era o primeiro beijo deles. Luna fechou os olhos lentamente e sentiu a mão dele em seu ombro. Ele baixou a cabeça para aprofundar o beijo, mas, no movimento, sua testa bateu com força na de Luna.

Luna soltou uma gargalhada e o chamou de "bobo". Ele, raramente encabulado, sorriu e massageou a testa dela.

Nesse momento, o sonho recuou como uma maré. Bernardo acordou. A dor na testa ainda estava lá. Ele ergueu os olhos, atordoado, para a foto na lápide.

Na realidade, fora sua cabeça que acidentalmente batera na pedra fria do túmulo de Luna.

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